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Artistas amadores e profissionais usam criatividade para pintar ruas de SP com desenhos gigantes para a Copa do Mundo; veja imagens

today27 de novembro de 2022 34 1

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Os encontros entre vizinhos são uma tradição em vários bairros. Em um pedacinho da Zona Norte da capital, por exemplo, tudo começou em 1978, quando os argentinos foram campeões do Mundial jogando em casa em meio a uma ditadura militar. Na mesma época, os moradores das ruas Coronel Homero da Silveira e Jorge Valim, na Casa Verde, foram a primeira geração a decorar os asfaltos do entorno com a temática do torneio. Após 44 anos, 40 pessoas mantêm vivo o clima, em homenagem aos que se foram.

“Começou com avós, tios, amigos e vizinhos. Esta é uma homenagem para aqueles que iniciaram uma geração atrás todo esse espírito de Copa, de harmonia e alegria”, contou Wellington Flávio Vital, autônomo de 35 anos.

Rua decorada no bairro Casa Verde São Paulo — Foto: Wellington Flávio Vital/Arquivo pessoal



Todos os vizinhos contribuíram com dinheiro, latas de tinta, pincéis e mão de obra. Ao todos, são oito desenhos, com frases, a mascote da Copa do Mundo 2022 (La’eeb), bola, a taça, bandeira e guias verde e amarela.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as decorações nas vias não são proibidas, mas não podem interferir na sinalização de trânsito, seja ela horizontal, de semáforos ou placas, para não colocar em risco a segurança de pedestres e condutores.

“A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) ressalta, ainda, que não é necessário solicitar nenhuma autorização à pasta para realizar a pintura das ruas.”

Parte do grupo que decorou a rua no bairro Casa Verde em SP — Foto: Wellington Flávio Vital/Arquivo pessoal

Latas de tinta, pincéis e rolos espalhados pela rua, amigos reunidos e um objetivo em comum: dar o clima de Copa do Mundo ao asfalto cinzento.

“Todo ano de Copa a gente organiza a rua, mas estava todo mundo desanimado neste ano. Eu e meu amigo resolvemos fazer. Passamos de casa em casa com um caderno. Algumas pessoas ajudaram e conseguimos R$ 300 na rua. Fizemos uma rifa de R$ 10. Fechamos a rifa em duas semanas, sorteamos e entregamos o prêmio”, diz Diego de Oliveira, influenciador.

Grupo de amigos se reuniu para pintar a rua com as cores do Brasil — Foto: Arquivo pessoal

A Rua Oratório de Natal fica no Jardim Duprat, na Zona de São Paulo. Diego registrou a saga desde a coleta do dinheiro até o começo do trabalho. As imagens foram editadas por ele e publicadas nas redes sociais, e a arte do grupo foi compartilhada e inspirou moradores de outras ruas.

“Nas redes [sociais], eu não pensava no retorno. Quando eu abri, vi muita gente comentando. Ruas perto aqui também começaram a fazer depois de nós.”

Rua na Zona Sul de São Paulo — Foto: Diego de Oliveira/Arquivo pessoal

O influenciador e os amigos montaram um grupo num aplicativo de mensagens e nele combinam os horários e mandam alertas sobre o que falta para terminar os mais de 30 desenhos.

“Algumas pessoas ainda passam de carro [na rua] e deixamos, para evitar briga. Ficamos felizes por tudo ter dado certo, todo mundo brinca, não é chato. Não é algo que acontece com frequência.”

O empresário Luan Nero, de 25 anos, reuniu amigos e frequentadores de sua adega, promoveu uma vaquinha e decidiu colorir a região de verde e amarelo.

A turma de 15 pessoas reservou parte da Rua Tocantins, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, e desenhou algumas figuras: a taça da Copa do Mundo, o brasão e a camisa da Seleção Brasileira, o mascote da competição e a bandeira do Brasil.

Luan fez vaquinha com amigos para decorar rua com as cores do Brasil — Foto: Arquivo pessoal

“É para ensinar a criançada a gostar disso, pois, quando éramos crianças, os mais velhos que faziam isso. Está sendo muito legal e divertido”, contou.

O trabalho durou mais de uma semana, e a turma passou por alguns perrengues. “A rua tem passagem de ônibus, temos que começar só após a meia-noite. Já retocamos a bandeira do Brasil uma três vezes porque carros manobraram em cima e estragaram a pintura”, disse Nero.

“Como crescemos nesta rua, sempre foi feito isso, em todas as Copas, mas caprichamos demais nesta”, brincou.

Rua Brás Sangiovanni, na Vila Monte Alegre em São Paulo — Foto: Davi Vieira De Carvalho/Arquivo pessoal

Na rua Rua Brás Sangiovanni, na Vila Monte Alegre, não são apenas as cores brasileiras que fazem parte da arte. Davi Vieira De Carvalho, um dos três envolvidos, afirma que ele, o irmão e um amigo pintaram 32 bandeiras nos mínimos detalhes, a mascote e o canarinho símbolo da Seleção Brasileira.

“De quatro em quatro anos, tenho o costume de fazer, mas a ideia desta Copa surgiu no começo do ano, já estava planejando como seriam os desenhos e, como estamos em três pessoas, daria para fazer bastante desenho”, lembra o designer.

O grupo fez uma vaquinha com outros vizinhos. Ainda falta pintar os postes e fazer detalhes, como as bandeirinhas, que serão colocadas nesta semana.

“Estamos fazendo essas pinturas para ver o sorriso, felicidade e união das pessoas quando passarem por aqui. Principalmente pelo que passamos da última Copa para cá, por exemplo, a pandemia. Quero trazer um pouco das lembranças da infância onde pintar a rua era tradição e todos se reuniam.”

Davi pintou pela primeira vez em 2010, em outro bairro. Desde então, deixou a arte em ruas em 2014 e 2018. O passo a passo deste ano foi publicado nas redes sociais.

Rua pintada em 2014 pelo artista em São Paulo — Foto: Davi Vieira De Carvalho/Aquivo pessoal

“Muitas pessoas estão comentando, salvando o vídeo e enviando para amigos. Achei maravilhoso, pois não imaginava que iria ter um retorno tão grande. Depois que postei o vídeo vi muitos comentários dizendo que todos deveriam fazer, outros agradecendo e relembrando dos velhos tempos.”

O que sobrou das tintas das obras da pintora Nathalia dos Santos virou decoração na rua da casa dos sogros dela, na Rua Raimundo Carrut, na Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo.

“Reunimos o pessoal da família mesmo e alguns outros jovens não entenderam por que estávamos pintando. Uma vizinha deu tintas de sobra de obra também.”

A artista retomou a arte que havia feito na rua quando criança para reunir os amigos e parentes que, segundo ela, “não estavam no clima”.

Rua pintada por artista em São Paulo — Foto: Nathalia dos Santos

“Muita gente disse que eu estava copiando uma pessoa, mas realmente era uma galera mais jovem, que não tinha feito isso e não teve essa memória. Agora a gente atinge mais pessoas com as redes e, antes, acho que era mais algo de bairro”, comenta.

Uma das dúvidas que a artista recebe pelas redes é sobre qual tinta usar. Segundo ela, não há uma correta.

“Acho que é no improviso e vai. Tem só que fazer, do jeito que puder, sem pensar se vai durar pouco. É mais para se envolver em algo coletivo e criar essa harmonia entre vizinhos. Tem gente que nem conhece o vizinho”, conta.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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