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Cafés centenários: casa mantém tradição de torrar e moer o grão e paixão ultrapassa gerações em Santos

today30 de junho de 2023 7

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A ligação entre Santos e o café começou com a inauguração da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, em 1867. Os grãos produzidos no interior paulista começaram a ser trazidos para o Porto de Santos e chegavam na Estação do Valongo. Com isso, uma rede de negócios em torno do café começou a surgir na cidade.

A Bolsa Oficial do Café, em Santos, foi criada em 1914 para atender ao grande movimento comercial do café na cidade de Santos. Ela reunia os corretores, classificadores e empresários que se debruçavam na negociação do grão. O café gerou renda e empregos, além da modernização e do povoamento de Santos.

Santos tem uma ligação forte com o café — Foto: Mariane Rossi/g1



“Se concentrou todo um complexo ligado ao grão. Armazéns gerais, exportadoras, corretoras, bancos, companhias de navegação, faziam o funcionamento de toda essa estrutura, desde a manipulação do grão, da preparacao para o embarque, sua comercialização até a exportação”, disse Pietro Amorim, o pesquisador do Museu do Café.

Os brasileiros também viraram grandes consumidores de café, assim como os santistas. O hábito de apreciar a bebida começou no Rio de Janeiro. Aos poucos, o costume chegou em São Paulo e as chamadas ‘casas de café’ começaram a abrir as portas em Santos. Elas começaram a se tornar o centro social da cidade.

“O café começa a ser servido em tavernas, botequins. O consumo começa a ser muito forte. O hábito do consumo fora de casa começa no Rio de Janeiro, primeiro com a corte portuguesa e depois com a corte imperial”, explica Pietro.

Cappuccino do Museu do Café, em Santos — Foto: Mariane Rossi/g1

Em 1911, nasceu um dos mais antigos e tradicionais estabelecimentos comerciais da cidade, o Café Paulista. Situado na Praça Rui Barbosa, ele virou ponto de encontro. As cadeiras e mesas eram disputadas por quem queira tomar apenas um cafezinho ou fazer uma refeição mais farta. A casa fechou as portas em 2017.

O Café Carioca nasceu em 1933. Ele ficava localizado na Rua Dom Pedro II, e logo depois transferido para a Praça Mauá, onde se encontra até hoje. A casa oferece sanduíches e café, mas ficou conhecida pelos seus pastéis. Há 90 anos, em ambiente clássico de bar com ar de boteco, o local faz parte da história política e cultural do país, recebendo presidentes como Getúlio Vargas, Jânio Quadros, João Goulart, Lula, entre outros.

Um ícone santista é o Café Floresta. A marca foi criada em 1940, resultado da fusão de sete companhias cafeeiras brasileiras. Em 1972, foi aberta a primeira cafeteria no bairro do Gonzaga, conhecida como Casa do Cafezinho, onde é possível provar o clássico cappuccino e o café com creme.

Rei do Café foi inaugurado em 1912, no mesmo ano em que foi fundado o Santos F.C. — Foto: Mariane Rossi/g1

Casa de torrefação mais antiga da cidade

O Rei do Café foi inaugurado em 1912, no mesmo ano em que foi fundado o Santos F.C. O português Sebastião Menezes iniciou uma pequena loja de torrefação e moagem de café na esquina das ruas Gonçalves Dias e Visconde de Vergueiro, em Santos. Ele enviou uma carta a Portugal e trouxe o jovem Joaquim Augusto Alves para aprender a fazer a torrefação e a moagem do café de forma artesanal.

Joaquim tornou-se sócio proprietário e nos anos 50 a casa passou a ser administrada pela família dele. Na década de 80, o local foi passado para o filho, José Reinaldo Rema Alves. Atualmente, a torrefação conta com a terceira geração da família.

Reinaldo (ao centro) e os filhos Victor (à esquerda) e Guilherme (à direita), em frente a casa de torrefação mais antiga de Santos — Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna Jornal

Victor e Guilherme, filhos de Reinaldo, comandam o local que está em atividade até hoje e é considerada a casa mais tradicional de torrefação e moagem na cidade de Santos. “A nossa casa tem tombamento nível 2 de proteção, as nossas portas são de peroba, tem o verde colonial, o amarelo, tem o marrom. As características são essas”.

Os irmãos, na companhia do pai Reinaldo, fazem o preparo do cafezinho de forma artesanal. Os grãos vem de várias partes do Brasil. O imóvel santista conta com uma estrutura robusta para a torrefação. São dois silos que comportam cerca de 2,5 toneladas de grãos.

A máquina atual é uma réplica da original, de 1962. Segundo Victor, ela tem cara de antiga, mas funciona tão bem como qualquer outra. “Os anos passam, a tecnologia aumenta e a gente acompanha. Algumas coisas alteramos, como o gás. Fazemos as nossas curvas de torra, utilizamos um software. Ele é bem atualizado”, explica Victor.

Rei do Café foi inaugurado em 1912, no mesmo ano em que foi fundado o Santos F.C. — Foto: Mariane Rossi/g1

Ali, os grãos são torrados, moídos e embalados. A marca oferece o café tradicional, o gourmet, e as linhas especiais. Há também as cápsulas, compostas por um blend de grãos, e o café para prensa francesa. No balcão, dá para provar vários tipos de cafés, acompanhado de dicas primorosas dos proprietários.

Há cerca de 10 anos, o Rei do Café abriu um balcão para servir os clientes, no mesmo imóvel que antes funcionava apenas a torrefação. São servidos cerca de 180 xícaras diariamente. E, os irmãos estão com planos de expandir o negócio secular. Eles adquiriram um imóvel ao lado, o que possibilitará dobrar a capacidade para o atendimento.

O foco principal dos irmãos, porém, é mantém a tradição familiar. A qualidade e o sabor único do café, feito há mais de 110 anos no mesmo lugar, tem que permanecer o mesmo na memória e no paladar dos santistas.

“Se o bichinho do café te morde, não sai mais. Pelo menos comigo e com meu irmão, está assim. Já estamos há oito anos. Com meu pai também, porque ele está há 43 anos. Com certeza, com meu avô foi também. A vida inteira trabalhando com cafe”, disse Victor.

Victor e o irmão Guilherme Mauri comando o Rei do Café — Foto: Mariane Rossi/g1




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Por: G1

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