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Covid-19: por que o Japão enfrenta maior número de mortes após 2 anos de pandemia sob controle

today4 de fevereiro de 2023 12

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O Japão já teve uma das menores taxas de mortalidade por covid-19, mas o número aumentou até o final de 2022.

O país asiático atingiu seu recorde histórico em 20 de janeiro deste ano com 425 mortes naquele dia, proporcionalmente mais que a América Latina, Estados Unidos ou Coreia do Sul, entre outros, segundo dados do Our World in Data, da Universidade de Oxford.

O Japão esteve praticamente fechado para visitantes estrangeiros de 2020 até meados de junho do ano passado.



Depois, o país abriu suas fronteiras com cautela: no início, os viajantes tinham que comprar de um pacote turístico com seguro saúde e usar máscaras faciais em todos os locais públicos.

Algumas crianças comeram em silêncio por mais de dois anos, pois as escolas impuseram a proibição de conversas na hora do almoço.

No entanto, como as restrições foram atenuadas, a baixa imunidade da população contra a covid-19 pode estar causando um aumento de infecções, disseram especialistas locais de saúde à BBC.

A maioria das mortes recentes pelo vírus ocorreu entre idosos com condições médicas subjacentes, acrescentaram os especialistas.

Isso contrasta com a série inicial de mortes por Covid no Japão, causadas por pneumonia e frequentemente tratadas em terapia intensiva.

“Também é difícil evitar essas mortes com tratamentos”, disse Hitoshi Oshitani, um dos principais virologistas do Japão, acrescentando que a covid-19 foi apenas o gatilho.

“Devido ao surgimento de variantes e subvariantes – que escapam do sistema imunológico – e ao declínio da imunidade, está se tornando cada vez mais difícil prevenir infecções”, afirmou.

“Escape imunológico” é quando o sistema imunológico humano se torna incapaz de responder contra um agente infeccioso. Novas versões da variante ômicron são mestres da evasão imune.

Envelhecimento da população

Antes do surgimento da variante ômicron, as mortes por covid-19 no Japão ocorriam principalmente em cidades como Tóquio e Osaka, mas agora há casos em todo o país, disse Oshitani, que já foi consultor regional da OMS para vigilância e resposta a doenças transmissíveis.

“Em prefeituras menores e áreas rurais, a proporção da população idosa é ainda maior do que a média nacional. Essa mudança de padrão geográfico também pode contribuir para a tendência de aumento das mortes”, avaliou.

O Japão é uma das sociedades com maior longevidade do mundo, e sua proporção de idosos tem aumentado a cada ano desde a década de 1950.

Idosos infectados em asilos ou grupos comunitários não recebem tratamento adequado, de acordo com o epidemiologista Kenji Shibuya, diretor da Tokyo Foundation for Policy Research.

Ele entende que um tratamento mais rápido poderia ajudar, mas devido à classificação japonesa da covid como classe 2 ou doença “muito perigosa”, apenas hospitais designados pelo governo podem tratar os infectados. E eles ficaram sobrecarregados com o número crescente de casos.

Shibuya pediu que a covid fosse rebaixada e tratada como uma forma de gripe, permitindo que todas as clínicas e hospitais tratassem pacientes com o vírus.

O primeiro-ministro Fumio Kishida anunciou no início deste mês que o ranking seria rebaixado, mas não antes de 8 de maio.

Especialistas, incluindo o principal consultor de coronavírus do Japão, Shigeru Omi, pedem isso desde o ano passado.

O Japão tem uma população muito longeva — Foto: Getty Images via BBC

O Japão é um dos poucos países que ainda fornece contagens diárias de covid.

Yasuharu Tokuda, médico do Institute for Global Health and Policy, disse que a imunidade natural da população japonesa, adquirida por meio de infecção, era baixa até meados do ano passado.

Ele avali que a imunidade natural é mais forte do que a obtida com a vacinação; portanto, as baixas taxas de infecção levaram a uma baixa imunidade no Japão, o que, por sua vez, está causando mais mortes.

Oshitani apontou um fenômeno semelhante na Austrália, onde a taxa de mortalidade por covid vem subindo desde que reabriu as fronteiras no início de 2022 depois de mantê-las fechadas por dois anos.

Especialistas se dividem sobre a trajetória da covid no Japão. Tokuda, por exemplo, acredita que as taxas futuras de infecção e mortalidade serão menores.

Oshitani, por outro lado, vê um novo aumento nas mortes nos próximos meses, já que os medicamentos antivirais acessíveis ainda não estão amplamente disponíveis.




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Por: G1

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