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Doenças psicossomáticas: Vitiligo, psoríase e enxaqueca podem se manifestar quando a cabeça não está bem; entenda

today25 de junho de 2024 2

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A psicóloga clínica Carla Ribeiro de Oliveira explicou ao g1 que as doenças psicossomáticas são condições físicas influenciadas ou agravadas por fatores psicológicos, como estresse, ansiedade e emoções negativas.

Como o caso, por exemplo, do industriário, de 54, que estava com 98% do corpo com vitiligo e recuperou 93% do pigmento da pele, assim que se divorciou. O dermatologista Paulo Luzio, especialista na doença e médico do homem, disse que a separação foi um fator determinante para a recuperação, pois a condição física era influenciada por um fator psicológico.

Mas, não é apenas o emocional que conta. De acordo com a psicóloga e neurocientista, Leninha Wagner, de 56 anos, outros fatores também podem potencializar o desenvolvimento e o fim de uma doença psicossomática, como a herança genética e hábitos alimentares e sociais do paciente.



Leninha usou a própria vida como exemplo. A árvore genealógica da especialista é composta por quatro avós, o pai e uma irmã que morreram em decorrência de um câncer, ou seja, a doença está presente na genética da família.

A neurocientista, no entanto, sempre manteve uma alimentação saudável e uma rotina de exercícios. Em 19 de dezembro de 2020, o marido dela morreu por conta de um acidente de trabalho. Uma semana depois, Leninha descobriu um câncer no intestino em estágio avançado.

Leninha descobriu um câncer uma semana depois da morte do marido — Foto: Arquivo pessoal

Hoje, ela está em remissão. Mas, entende que o luto fez com que a doença se manifestasse. “Cada vez mais percebe-se que não basta você estar saudável para estar feliz. É justamente o processo contrário. Você tem que estar feliz para se manter saudável”, afirmou a neurocientista.

A pedido do g1, a psicóloga Carla listou as condições físicas mais comuns, entre as doenças psicossomáticas:

  • Distúrbios autoimunes: O estresse crônico pode desempenhar um papel na ativação ou na piora de condições autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus e intestino irritável.

  • Enxaqueca: Uma forma de dor de cabeça recorrente que pode ser desencadeada por estresse emocional, ansiedade e tensão.

O médico neurologista Eduardo de Almeida Guimarães Nogueira acrescentou que a enxaqueca crônica é caracterizada quando ocorre mais de 15 crises de dor de cabeça por mês. Segundo ele, as condições psicológicas podem intensificar e aumentar a frequência das dores.

A psoríase provoca o aparecimento de manchas e causava coceira intensa e descamação da pele. — Foto: Arquivo pessoal via BBC

“Indivíduos com dores crônicas tendem a apresentar maior propensão à catastrofização [pessoa que só prevê desastres], além de serem mais suscetíveis a transtornos de ansiedade e depressão”, afirmou o especialista.

  • Problemas respiratórios: Asma e bronquite podem ser influenciadas ou agravadas por emoções negativas e intensas, além de situações de estresse ou ansiedade.
  • Distúrbios cardiovasculares: Estudos sugerem uma conexão entre estresse crônico e doenças cardíacas, incluindo hipertensão arterial e doença arterial coronariana.
  • Distúrbios dermatológicos: Condições como eczema, vitiligo, psoríase e dermatite atópica podem piorar, quando o paciente está passando por problemas psicológicos.

Leninha explicou à equipe de reportagem que a pele funciona de dentro para fora e é influenciada pelo o que recebe de fora. Por exemplo, a psoríase, uma condição na qual as células da pele se acumulam e formam escamas e manchas secas que causam coceira, é chamada de pele emocional.

Homem ficou com 98% do corpo com vitiligo — Foto: Arquivo pessoal

  • Distúrbios gastrointestinais: Como a gastrite nervosa, por exemplo, decorrente do estresse crônico, problemas no intestinos são comuns.
  • Distúrbios do sono: A insônia e outros distúrbios podem ser facilmente influenciados por preocupações, ansiedade e estresse emocional.
  • Dores musculares e tensão: O estresse e a ansiedade podem levar a dores musculares, principalmente, na região do pescoço, ombros e costas.

Além de desencadear, Leninha explicou que os problemas psicológicos podem agravar o quadro do paciente. “O estresse, ansiedade e principalmente a depressão, quando baixa a serotonina da pessoa, piora muito a condição […]. A neuroquímica não fica no cérebro. Ela vai para a corrente sanguínea e baixa a nossa imunidade”, explicou a especialista.

De acordo com as psicólogas, o tratamento envolve uma abordagem multiprofissional, que atua sobre os sintomas físicos e psicológicos com especialistas de cada área.

“Curar, quando se trata de questões psicossomáticas ou psicológicas, talvez não seja a melhor palavra. Não se apaga a lembrança de um evento estressor […]. Mas o sofrimento que era gerado torna-se aos poucos menor e ganha outro sentido”, afirmou Carla.

Leninha acrescentou, ainda, a importância de entender que as doenças psicossomáticas são condições físicas reais. “Não significa que as doenças sejam imaginárias, como muitas pessoas pensam […]. A doença que mais contamina é a emoção”, afirmou.

O Dia Mundial do Vitiligo é celebrado nesta terça-feira (25), como forma de aumentar a conscientização global sobre a condição. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), pesquisas indicam que a doença alcança 1% da população mundial. No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas convivem com ela.

O principal sintoma associado ao vitiligo são as manchas despigmentadas na pele, mas o paciente também pode ter sensibilidade ao sol, mudanças no cabelo, mucosa e nas unhas. O diagnóstico é clínico, feito pelo dermatologista.

A condição, no entanto, nem sempre é psicossomática. As outras circunstâncias em que o vitiligo pode surgir são:

  • Doença autoimune: a mais comum, em que o sistema imunológico ataca erroneamente os melanócitos
  • Genética: pessoas com histórico familiar têm maior probabilidade de desenvolvê-la
  • Fatores ambientais: exposição a substâncias químicas
  • Neuroquímica: segundo estudos, por desequilíbrios neuroquímicos no cérebro podem influenciar a função dos melanócitos

Paciente, que estava com 98% do corpo com vitiligo, ficou com 5% após terminar o relacionamento — Foto: Arquivo pessoal

O homem, que pediu para não ter a identidade revelada, explicou ao g1 que as manchas começaram a surgir em 2007, quando tinha sete anos de casado com a ex-esposa, com quem teve dois filhos, de 18 e 22 anos.

Em 2009, ele fez uma consulta com o especialista Paulo e descobriu que o vitiligo poderia estar associado a uma questão psicológica. Na ocasião, o homem contou ter feito uma análise da própria vida e identificado que a ex-companheira o causava ansiedade, nervosismo e agonia. De acordo com ele, a mulher era ciumenta e desconfiada.

“O casamento tinha, hoje eu sei, traços de toxicidade”, afirmou. Ele acrescentou ainda que passou a perceber que as manchas pioravam quando ele se desentendia com a ex-esposa.

Apesar de já ter o gatilho identificado, o homem explicou que o divórcio não era uma decisão fácil, principalmente, por conta dos filhos. Ele continuou com a ex-esposa por anos. Mas, em 2022, entendeu que não teria outra opção.

Um mês após o fim do casamento, de acordo com o dermatologista, quase todas as manchas do paciente sumiram. O homem, que tinha 98% do corpo com vitiligo, está com apenas 5%.

Através de exames, o dermatologista Paulo Luzio explicou que é possível identificar se a pele tem capacidade para recuperar a cor com medicamentos. Se a resposta for negativa, ainda há chances de reverter por meio de cirurgia.

“Quem vai estimular as células a trabalharem vai ser o tratamento clínico. A cirurgia é como se você plantasse sementinhas com células de pigmento onde não tem pelo, e elas vão proliferar, recuperando a cor”, explicou ele.

Segundo o especialista, a principal forma de recuperar a cor é a partir dos pelos dentro das manchas. Por este motivo, em algumas áreas só é possível através de intervenção cirúrgica. Sendo elas:

  • Lábios
  • Mamilo
  • Auréola mamária
  • Ponta do cotovelo
  • Punho
  • Articulações das mãos e dedos
  • Tornozelo
  • Dorso dos pés e dedos
  • Região genital, onde não tem pelo

O dermatologista destacou cada paciente é único e, portanto, uma série de fatores precisa ser analisada para definir um tratamento . Mas, acrescentou que o acompanhamento psicológico é essencial.

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Por: G1

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