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Entenda como a extrema direita pode integrar o governo da Espanha pela 1ª vez desde o retorno da democracia

today23 de julho de 2023 10

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Há quatro partidos principais na disputa:

  • Pela esquerda, o Partido Socialista Operário da Espanha (Psoe) e o Sumar.
  • Pela direita, o Partido Popular e o Vox (veja abaixo quem são os líderes de cada uma dessas agremiações).

Os partidos mais tradicionais, Psoe e PP, lideram a disputa. No entanto, nenhum partido deverá eleger os 176 deputados que garantem a maioria no Parlamento de 350 assentos e, na prática, será o terceiro colocado que determinará se a esquerda ou a direita chegará ao poder, diz Ramón Mateo, diretor da unidade eleitoral da consultoria beBartlet.



O Vox é um partido populista, conservador e nacionalista, contrário à imigração, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à União Europeia. Javier Tebas, o cartola de futebol da Liga Espanhola que criticou o brasileiro Vini Jr. depois que o atacante foi xingado por racistas durante jogos do Real Madrid, é um dos membros do Vox.

O presidente da LaLiga, Javier Tebas. — Foto: Guillermo Martinez/Reuters

O PP é um partido moderado e há membros que não estão confortáveis com uma aliança com o Vox, diz Mateo. Oficialmente, o partido afirma que prefere governar sem o Vox, mas na prática os eleitores do partido não se importam muito com uma eventual aliança com o partido extremista, o que já tem ocorrido em governos regionais.

Atualmente, o governo é controlado por uma aliança de esquerda liderada pelo Psoe –Pedro Sánchez, o presidente, é o líder do Psoe (a Espanha é parlamentarista, mas o cargo de chefe de governo tem o nome de presidente, e não primeiro-ministro).

Entenda abaixo os seguintes tópicos:

  • Por que a Espanha vai às urnas?
  • Quem são os líderes dos quatro principais partidos?
  • O que dizem as pesquisas?
  • Não é a economia; por que a oposição lidera?

Por que a Espanha vai às urnas?

Em maio houve eleições regionais na Espanha, e o desempenho do Psoe foi considerado muito fraco.

O PP e o Vox firmaram acordos para governar as seguintes regiões:

  • Extremadura;
  • Castilla e León;
  • Valência, uma das regiões mais ricas do país, que já foi governada pela esquerda.

Essas vitórias da direita no país passaram a dominar o debate político na Espanha, e o presidente Pedro Sánchez, então, resolveu antecipar as eleições que estavam marcadas para o fim do ano.

Quem são os líderes dos quatro principais partidos?

  • Pedro Sánchez, do Psoe, que atualmente ocupa o cargo de presidente.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, vota em eleições regionais, em Madri, na Espanha, em 28 de maio de 2023. — Foto: Juan Medina/ Reuters

O atual líder de governo não é o favorito para vencer as eleições. Ele foi o presidente durante a crise de Covid-19 e foi bem (a vacinação foi considerada um sucesso), e conseguiu gerenciar bem os problemas econômicos decorrentes da pandemia e da guerra na Ucrânia. As críticas que o governo enfrenta são em grande parte pelas alianças com os partidos mais à esquerda e a algumas das leis que ele decretou.

  • Alberto Núñez Feijóo, líder do PP desde abril de 2022

Alberto Núñez Feijóo, em foto de setembro de 2016 — Foto: Miguel Vidal/Reuters

Feijóo, originalmente, era um funcionário público. Ele foi eleito líder da região da Galícia por quatro mandatos (a Galícia é um reduto tradicional do PP, mas, lá, tem um perfil mais moderado do que no resto do país).

  • Santiago Abascal, líder do VOX, o partido de extrema direita.

O líder do Vox, Santiago Abascal. — Foto: Sergio Perez/Reuters

Abascal tenta projetar a imagem de um outsider que quer salvar a alma da Espanha. Ele era originalmente do Partido Popular e deixou o partido por discordâncias em relação aos separatistas da Catalunha e do País Basco.

Abascal defende símbolos clássicos da cultura espanhola (as touradas, por exemplo), e até mesmo alguns aspectos do regime franquista.

Ele faz críticas ao feminismo, já afirmou que quer revogar leis contra a violência de gênero.

  • Yolanda Díaz, do Sumar, é a representante dos partidos de esquerda Sumar e Podemos.

Yolanda Diaz em 24 de junho de 2023 — Foto: Isabel Infantes/Reuters

A única mulher entre os principais candidatos é filha de ativistas de classe trabalhadora, sindicalistas e anti-franquistas. Ela é Ministra do Trabalho desde 2020 e, no ano seguinte, virou a vice de Pedro Sánchez.

Yolanda Díaz é enxergada na Espanha como uma esquerdista mais disposta a negociar. Ela intermediou acordos entre sindicatos e grupos empresariais, conseguiu aumentos do salário mínimo e foi responsável pelo plano de licença remunerada para empresas durante a pandemia de coronavírus.

O que dizem as pesquisas?

Para dominar o Parlamento espanhol é preciso ter 176 deputados. Nenhum dos partidos deve conseguir alcançar esse número sozinho –os mais bem colocados tentarão fazer alianças com os demais para conseguir alcançar essas 176 cadeiras.

A previsão publicada pelo jornal “El País” é a seguinte:

  • PP: de 120 a 164 deputados
  • Psoe: de 89 a 132
  • Vox: de 18 a 49
  • Sumar: de 20 a 46
  • Outros: de 25 a 37

O cientista social Ramon Mateo afirma que o resultado deverá ser apertado. Os elementos principais da disputa devem ser o tamanho da vantagem do 1º colocado em relação ao 2º e do 3º colocado em relação ao 4º.

Não é a economia; por que a oposição lidera?

A taxa de emprego está em níveis baixos, e a inflação da Espanha é uma das mais controladas de toda a Europa.

A economia do país não enfrenta tantos problemas, e o que realmente está ajudando a oposição nessas eleições são dois fatores, de acordo com Mateo:

  • Uma polarização forte que faz com que a direita mais moderada aceite uma aliança com a extrema direita.
  • Uma decadência da esquerda não tradicional: nas eleições regionais, o Psoe não perdeu tantos votos, mas outros partidos de esquerda, principalmente o Podemos, que foi fundamental para a última aliança de governo, tiveram desempenhos muito fracos.

Mesmo com o favoritismo da direita, o resultado está em aberto –há ainda, diz Mateo, a possibilidade de ninguém conseguir alcançar os 176 assentos no Parlamento e ser preciso convocar novas eleições.




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Por: G1

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