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Entenda como as escolhas de design e materiais do submarino podem ter causado a implosão

today25 de junho de 2023 5

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Veja o que existe na profundidade onde está o Titanic

Veja o que existe na profundidade onde está o Titanic



O submarino, chamado Titan, era de propriedade da empresa OceanGate, que começou a levar turistas aos restos do Titanic em 2021.

O Titan tinha uma cabine em formato cilíndrico, relativamente espaçosa para o tamanho da embarcação, feita de fibra de carbono –geralmente, os outros submersíveis que vão até águas profundas são de titânio.

Submarino da OceanGate — Foto: AP

Chris Roman, um professor de oceanografia da Universidade de Rhode Island, afirma que a esfera é uma forma adequada para esse tipo de embarcação porque a pressão atinge todas as áreas com a mesma intensidade. O Titan tinha 6,7 metros de comprimento e pesava cerca de 10 toneladas.

Área interna mais espaçosa

A área interna era relativamente espaçosa, e, por isso, o submarino era mais vulnerável à pressão externa que a água exerce.

Submersível Titan — Foto: Editoria de Arte/g1

Há outras consequências de aumentar o espaço da cabine. Jasper Graham-Jones, professor associado de engenharia mecânica e marinha na Universidade de Plymouth, no Reino Unido, diz que essa mudança tem consequências na fadiga e na delaminação; entenda:

  • Fadiga: com o tempo, a tensão repetida em um material causa pequenas trincas na superfície. Essas pequenas trincas se propagam devagar, e esses danos vão se acumulando até que haja uma falha. Essa característica é chamada de fadiga.
  • Delaminação: superfícies de materiais compostos, como fibra de carbono, têm camadas ou placas. A delaminação é o processo físico pelo qual essas camadas começam a se separar umas das outras.

O casco do Titan já tinha sido submetido a pressão em outras viagens –mais de 20 foram feitas, e a cada viagem aumentam as pequenas fissuras na estrutura.

Essas fissuras podem ser pequenas e indetectáveis, mas isso se torna um problema crítico, porque em um momento elas começam a crescer de forma descontrolada, diz Graham-Jones.

Veja imagem de dentro do submarino que leva turistas ao Titanic

Veja imagem de dentro do submarino que leva turistas ao Titanic

A OceanGate promovia o submarino dela justamente por ser de fibra de carbono (só uma parte era de titânio), dizendo que isso tornava a embarcação mais leve e fácil de navegar do que outros submersíveis.

A empresa também afirmava em seu site que o Titan podia chegar a uma profundidade de 4.000 metros com uma margem confortável de segurança.

No entanto, os materiais de compostos de carbono têm uma vida útil limitada quando recebem carga muito pesada ou quando há concentração de pressão em um ponto, segundo Graham-Jones.

Havia um outro problema: o submarino nunca foi analisado por terceiros.

Um ex-funcionário chegou a afirmar isso em uma ação Justiça. David Lochridge, que foi diretor de operações marítimas da OceanGate, disse em um processo que a empresa fazia seus próprios testes, mas que esses eram insuficientes e poderiam “colocar os passageiros em perigo extremo em um submersível experimental”.

Ele defendeu a “inspeção não destrutiva”, como exames ultrassônicos, mas a empresa se recusou a fazer isso.

Veja como funciona o submarino que levava turistas para ver destroços do Titanic

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Os testes ultrassônicos podem ajudar a identificar áreas no interior da estrutura em que os materiais estão se separando, disse Neal Couture, diretor executivo de uma organização chamada American Society for Nondestructive Testing.

Ele diz que os testes não destrutivos poderiam ter identificado se os materiais seriam afetados pela pressão.

A Sociedade de Tecnologia Marinha, uma organização de engenheiros e tecnólogos, também expressou preocupação a respeito do tamanho do Titan, o material de construção e o fato de que o protótipo não estava sendo examinado por terceiros.

“Tínhamos muito medo de que, sem esse processo de certificação, eles pudessem estar deixando passar algo”, disse Will Kohnen, presidente da organização, na sexta-feira. Ele enviou uma carta à empresa em 2018 alertando que sua “abordagem experimental atual poderia ter resultados negativos, inclusive catastróficos, que teriam consequências graves para todos no setor”.

Em um post de blog da empresa em 2019, a OceanGate criticou o processo de certificação de terceiros como sendo demorado e um empecilho para a inovação.

“Introduzir uma entidade externa em cada inovação antes que ela seja testada no mundo real é anátema para uma inovação rápida”, dizia o post.

Robert Ballard, o explorador que localizou os destroços do Titanic, em 1985, afirmou que a falta de certificação externa é uma prova do fracasso da embarcação.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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