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Fechamento de bilheterias no Metrô impacta idosos, diz sindicato

Escrito por em 24 de outubro de 2021

“O passageiro que quer comprar o bilhete [da passagem] terá uma dificuldade imensa porque as máquinas de autoatendimento não estão preparadas. O aplicativo também não funciona, então isso vai causar muito constrangimento, principalmente nos idosos, que têm um pouco mais de dificuldade no acesso à tecnologia”, afirma um supervisor de bilheteria que preferiu não se identificar e é dos funcionários do Metrô e da CPTM que contestam o fim do serviço nas estações.

O fechamento das bilheterias foi anunciado pelo governo de São Paulo no dia 4. O objetivo é encerrar o funcionamento de todos esses espaços no Metrô e na CPTM até o fim do ano, privilegiando a comercialização de bilhetes por meios digitais.

O R7 conversou com dois supervisores de bilheterias e a opinião é a mesma: eles não acreditam que o governo de São Paulo irá realocar todos os funcionários, mais especificamente nas estações da linha 3-Vermelha, onde trabalham. “Não tem para onde realocar, serão cerca de 250 demissões só nessa linha”, comenta um dos funcionários.

O Sindicato dos Metroviários calcula cerca de 2 mil demissões de funcionários em todas as estações da CPTM e Metrô. Já a gestão João Doria nega, afirmando que os funcionários ganharão novas funções e que serão extintos apenas contratos com empresas terceirizadas. De acordo com o governo, o fechamento deve gerar uma economia de R$ 100 milhões.

Além das demissões e a preocupação com o uso da tecnologia para a compra de bilhetes, há o receio de efeitos para outros funcionários e sobrecarga. “O problema vai estourar na mão da pessoa que trabalha nas catracas porque os passageiros terão mais dificuldade em carregar seus bilhetes”, relata Camila Lisboa, que trabalha no Metrô e está na coordenação do Sindicato dos Metroviários.

A decisão do governo do estado de São Paulo de fechar todas as bilheterias da CPTM e Metrô gerou, inclusive, algumas manifestações contra a ação.

Camila contesta o cálculo de economia de R$ 100 milhões anuais e opina que o dinheiro que hoje vai para funcionários acabará sendo destinado a empresa que faz venda de forma digital. “Qual é o custo disso? A população tem o direito de saber”.

Com a mudança, os bilhetes para acessar as estações da CPTM e Metrô poderão ser comprados por meio do WhatsApp da empresa Top (11 3888-2200) com pagamento por Pix, ou pelo aplicativo da Top, que aceita apenas crédito e débito. Há ainda máquinas de autoatendimento e venda em estabelecimentos parceiros fora das estações.

O relato de problemas e o receio em relação a esses meios digitais não são apontados apenas pelos funcionários, mas também pelos próprios usuários. É o caso de Andressa Santos, de 23 anos, que mora na Freguesia do Ó, na zona norte de São Paulo, e trabalha como assistente administrativa na região do Morumbi, na zona sul.

Andressa conta que recebe o vale-transporte da empresa em débito, então precisa carregar constantemente o bilhete. “Diversas vezes eu fui usar as máquinas de autoatendimento das estações e estavam completamente travadas. Ou então eu realizava todo o processo para carregar o bilhete e travava logo depois do pagamento, não sabia se o crédito tinha caído ou não”, comenta.

Além disso, a assistente menciona que o uso da tecnologia deveria facilitar a compra dos bilhetes, mas não é o que acontece. “Esqueci meu cartão do Bilhete Único em uma outra bolsa um dia desses e, quando cheguei na estação, decidi comprar a passagem pelo QR Code através do WhatsApp da Top, e o processo é horrível. Precisa passar o nome completo, CPF, e-mail, até digitar tudo já cheguei atrasada no trabalho”, afirma.

Ela afirma ainda que, após passar os dados, o atendente digital da Top manda um código para que seja feito um Pix por meio dele, mas quando ela foi fazer o processo do pagamento no banco digital, constava que o código estava errado. “Eu só copiei e colei e deu erro”.

Camila Lisboa, que trabalha na coordenação do Sindicato dos Metroviários, ressalta as pessoas mais vulneráveis, que não têm celular ou acesso ao banco digital para realizar o Pix. De acordo com uma pesquisa feita em janeiro deste ano pelo Instituto Locomotiva, 34 milhões de pessoas em todo o país não tem acesso à serviços bancários. “Permitir pagamentos apenas por crédito e débito é um absurdo”, finaliza Camila.

Nesta sexta-feira (22), as bilheterias das estações Belém, na linha 3-Vermelha do Metrô, e Granja Julieta, da linha 9-Esmeralda da CPTM foram oficialmente fechadas. Ou seja, os passageiros que utilizam essas linhas não contam mais com um atendimento humano para recarregar créditos ou comprar bilhetes. 

Procurada pelo R7, a STM (Secretaria de Transportes Metropolitanos) informou que para facilitar a ação neste momento de transição tecnológica os passageiros que usam o transporte por trilhos com frequência ou que desejam usar dinheiro para compra de passagens podem emitir gratuitamente um cartão BOM nas duas estações apresentando documento com foto.

O cartão pode ser recarregado em uma das máquinas de autoatendimento disponíveis no local ou pelo WhatsApp (11 3888-2200). O embarque com cartões de transportes, como o próprio BOM, continua funcionando normalmente nas catracas de acesso às estações.


 


“Nesse momento de adaptação, daremos todo apoio aos passageiros por meio das equipes do ‘Posso Ajudar’, orientando sobre os canais digitais e máquinas de autoatendimento, assim como sobre os pontos de venda no entorno das estações”, explica o secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli.

“Importante destacar que o processo de digitalização permite a compra antecipada dos bilhetes QR Code em locais próximos às residências ou durante o trajeto até a estação, além de ter à disposição meios digitais como o aplicativo TOP e WhatsApp”, completa.


 


A substituição das demais bilheterias deverá ocorrer até o final de 2021, mas a STM não informou até quando as equipes dos “Posso Ajudar” ficarão nas estações auxiliando os passageiros. A STM também não comentou sobre a instabilidade constante nas máquinas de autoatendimento e o que os mais vulneráveis, que não possuem celular ou apps de bancos, poderão fazer para conseguir a passagem.

*Estagiária sob supervisão de Ingrid Alfaya




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