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França enfrenta 10º dia de protestos contra a reforma da Previdência

today28 de março de 2023 17

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As manifestações começaram pacificamente pela manhã, com grandes multidões em várias cidades. Mas as tensões aumentaram durante uma marcha majoritariamente pacífica na capital francesa, com um confronto entre a polícia e ultraesquerdistas que atiraram projéteis e outros objetos contra policiais.

Manifestantes entram em confronto com a polícia no 10º dia de protestos no país



Desde 19 de janeiro, data da primeira manifestação, os manifestantes conseguiram mobilizar centenas de milhares de pessoas (3,5 milhões nos dias 7 e 23 de março, segundo o sindicato CGT) em grandes protestos pacíficos, mas sem sucesso para convencer o governo.

As centrais sindicais pedem a retirada da reforma, que aumenta a idade de aposentadoria a partir de 2030 e antecipa para 2027 a exigência de contribuição por 43 anos (e não 42 como atualmente) para que o trabalhador tenha direito a uma pensão integral.

Laurent Berger, líder do sindicato CFDT, afirmou que aceitaria negociar, mas apenas se o governo deixar a reforma de lado, em particular o aumento da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos.

Macron e a primeira-ministra, Élisabeth Borne, anunciaram que estão dispostos a conversar com os sindicatos, que lideram os protestos desde janeiro, mas sem ceder na reivindicação para que o governo desista da reforma.

Para esta terça-feira, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, anunciou um “dispositivo de segurança inédito” de 13.000 agentes no país e advertiu para a presença em Paris de “mais de 1.000 radicais, alguns procedentes do exterior”.

As autoridades esperavam de 650.000 a 900.000 manifestantes. O sindicato CGT relatou uma diminuição no número de manifestantes de Paris nesta terça-feira, após um recorde de 800.000 cinco dias antes. Os números oficiais, sempre muito mais baixos, não estavam imediatamente disponíveis.

Os trens circulavam com atraso em todo país. Na capital, o transporte público registrava “perturbações”, segundo a operadora RATP.

Os protestos assumiram várias formas nas últimas semanas: milhares de toneladas de lixo acumuladas nas ruas de Paris, bloqueios de depósitos e refinarias que deixaram 15% dos postos de gasolina sem combustível, entre outros.

O site da Torre Eiffel anunciou que os grevistas fecharam a atração turística mundialmente famosa. O Museu do Louvre foi igualmente fechado para greve na segunda-feira.

Os trabalhadores de saneamento em Paris anunciaram que estão suspendendo sua greve de mais de três semanas. O sindicato CGT, que organizou as greves, disse em um comunicado que os trabalhadores retornarão aos seus empregos na quarta-feira (29) para coletar o lixo acumulado.

As manifestações do dia 23 terminaram com 457 detidos e 441 policiais e agentes de segurança feridos, em sua maioria nos distúrbios que aconteceram após as passeatas que reuniram mais de um milhão de pessoas em todo o país, segundo as autoridades.

A decisão de Macron de adotar o projeto por decreto, por temer uma derrota durante a votação no Parlamento, e sua recusa a voltar atrás provocaram a radicalização dos protestos, com distúrbios registrados desde 16 de março.

À espera da decisão do Conselho Constitucional sobre a validade da reforma, o governo tenta virar a página para outras prioridades, como saúde e educação, e a tentativa de garantir uma maioria estável no Parlamento.

Os sindicatos já haviam alertado Macron há algumas semanas para a situação explosiva que seria registrada se o governo não considerasse o mal-estar provocado pela reforma, rejeitada por mais de dois terços dos franceses, de acordo com as pesquisas.

Sindicatos convocam décimo dia de protestos e paralisação na França

Sindicatos convocam décimo dia de protestos e paralisação na França

Um manifestante incendeia uma lata de lixo em Paris durante protesto contra a reforma da previdência na França, em 28 de março de 2023 — Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes




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Por: G1

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