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Guerra na Ucrânia: por que conquistar a cidade de Soledar seria vitória estratégica para a Rússia

today12 de janeiro de 2023 23

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Nesta quinta-feira (12), uma autoridade russa estacionada em Donetsk afirmou que havia “bolsões de resistência” na cidade, enfraquecendo declarações de que o local estratégico foi inteiramente tomado por forças russas. “Nossos soldados continuam pressionando o inimigo nesses lugares”, disse Andrei Bayevski numa transmissão pela internet. “Em geral, a operação está indo bem, e as periferias no oeste de Soledar estão completamente sob nosso controle”, acrescentou.

Na quarta-feira, porém, Yevgeny Prigozhin, que lidera o grupo mercenário russo Wagner, cujos soldados lutam para capturar a cidade, afirmou que Soledar estava sob “completo controle” russo e que 500 combatentes pró-Ucrânia teriam sido mortos nos combates. “A cidade inteira está coberta de corpos de soldados ucranianos”, afirmou Prigozhin.

A afirmação foi rebatida pelo presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, embora ele tenha descrito a situação na área como “muito difícil” e dito que os combates continuam em Soledar. As informações não puderam ser verificadas de maneira independente.



Imagem Reuters/Maxar Imagem Reuters/Maxar

Imagens de satélite mostram edifícios residenciais e uma escola em agosto de 2022 e janeiro de 2023, no inverno e destruídos pelos combates entre forças russas e ucranianas — Foto 1: Reuters/Maxar — Foto 2: Reuters/Maxar

Ataques constantes desde o início da guerra

O governo ucraniano enviou reforços numa tentativa aparente de reconquistar território perdido. Se falharem, Soledar seria a primeira cidade tomada pela Rússia na região de extração de carvão do Donbass desde meados do ano passado.

A localização de Soledar, cerca de 15 quilômetros a nordeste do centro administrativo do distrito, Bakhmut, torna a cidade de extrema importância do ponto de vista militar. Tanto Soledar quanto a cidade de Bakhmut vêm sendo alvo de ataques constantes desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

Forças russas, sobretudo mercenários da milícia privada Wagner, tentam conquistar Bakhmut desde meados do ano passado. Seu progresso inicial foi lento, mas, agora em janeiro, o quadro mudou dramaticamente. A queda de Soledar poderá fazer com que a ameaça de um cerco a Bakhmut cresça significativamente.

Avanço para o oeste da Ucrânia

Uma pessoa caminha entre edifícios com marcas de bombardeios, em Soledar, Donetsk, Ucrânia, em 21 de dezembro de 2022 — Foto: AP – Libkos

Bakhmut, que foi conhecida pelo nome de Artemivsk (em homenagem ao líder bolchevique e amigo próximo de Josef Stalin, Camarada Artyom) entre 1938 e 2016, também é de importância estratégica crucial. A cidade fica à beira da estrada E40, na metade do caminho entre Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e Rostov do Don, na Rússia.

Conquistar Bakhmut abriria o caminho para as tropas russas avançarem em direção ao oeste, sobretudo para Kramatorsk, uma importante cidade industrial e administrativa na região de Donetsk e que ainda é controlada pelas forças ucranianas.

O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu a conquista de toda a região como um dos principais objetivos da invasão da Ucrânia.

Apenas 50 quilômetros separam Bakhmut de Kramatorsk. Mas o Exército ucraniano estabeleceu diversas linhas de defesa ao longo do trajeto. Por isso, muitos especialistas na Ucrânia e no exterior dizem que a queda de Bakhmut não seria imediatamente decisiva.

Palco político de cessar-fogo

Bakhmut também é a cidade para a qual tropas ucranianas se retiraram no inverno europeu de 2015, depois de perder o polo de transportes Debaltseve – também de importância estratégica – para separatistas apoiados pela Rússia.

Pouco antes, em 2014, um centro de controle dividido por soldados russos e ucranianos, assim como a Organização intergovernamental para Segurança e Cooperação na Europa (Osce) haviam sido estabelecidos em Soledar. A decisão foi tomada para que observadores monitorassem e coordenassem o cessar-fogo desenhado nos chamados acordos de Minsk. O cessar-fogo nunca foi completamente implementado, e a Rússia retirou seus representantes do local em 2017.

Soledar também é mundialmente conhecida por suas minas de sal. A extração de sal de cozinha ocorre desde o final do século 19 na localidade, que fazia então parte do Império Russo. O povoado foi declarado cidade em 1965 e chamado de Karlo-Libnekhtovsk, em homenagem ao cofundador do Partido Comunista alemão, Karl Liebknecht. A cidade é conhecida pelo nome Soledar – que significa “a dádiva do sal”, em russo – desde 1991.

Antes da invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro passado, mais de 10 mil pessoas viviam em Soledar. Em Bakhmut, eram sete vezes mais. As duas cidades foram controladas por separatistas pró-Rússia no início de 2014, mas depois foram libertadas por forças ucranianas.

Antes da invasão russa, a empresa estatal Artemsil, com sede em Soledar, fornecia 90% do sal consumido na Ucrânia. A extração foi interrompida com a chegada das tropas russas, e a Ucrânia está sendo forçada a importar sal do exterior.

As minas de sal da cidade também costumavam ser um gigantesco ímã de turistas. Havia tours a até 300 metros de profundidade. O comprimento total dos túneis subterrâneos é estimado em cerca de 300 km. Um túnel em especial impressiona: tem 30 metros de altura, 14 de largura e se estende por 1 km.

Abaixo da superfície de Soledar, é possível encontrar um museu, uma igreja, um sala de concertos, um campo de futebol, esculturas de cristais de sal e um sanatório para até 100 pacientes sofrendo de problemas respiratórios.

Assim como Soledar, Bakhmut também possui túneis subterrâneos, onde é produzido vinho espumante em antigas minas de calcário que ficam cerca de 70 metros abaixo da terra. As uvas para a bebida vinham da da Crimeia antes de a península ser ilegalmente anexada pela Rússia em 2014. Até 2022, Bakhmut era sede de um dos maiores produtores de espumante do Leste Europeu, com mais de 25 milhões de garrafas por ano. Uma produção que também cessou após a invasão da Ucrânia pelas tropas russas, em fevereiro de 2022.




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Por: G1

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