Ao g1, a mãe da vítima, que preferiu não se identificar, contou que a adolescente pensou que seria assaltada, e que a primeira reação foi guardar o celular. A situação mudou quando, segundo o relato da filha, o homem começou a abrir as pernas para encostar na garota.
No Boletim de Ocorrência (BO), consta que a vítima estava desacompanhada no ônibus. A adolescente disse ter ficado quieta diante da situação, mas, uma outra passageira, ao perceber a situação, chamou o homem de “nojento”.
Ainda com base no depoimento à polícia, assim que o suspeito desceu no ponto de parada, a passageira que testemunhou a ação questionou a garota sobre o que havia ocorrido, e a jovem começou a chorar, ao mesmo tempo em que afirmou ter sido assediado.
“No momento do assédio, ela [vítima] falou: ‘Isso não está acontecendo, é coisa da minha cabeça’. Pela fragilidade, ela ficou vulnerável. Mas, por mais que ela tenha 13 anos, no Estatuto da Criança e do Adolescente está que ela tem o direito de ir e vir para qualquer lugar, e isso não dá direito a homem nenhum tocar nela”, ressaltou a mãe.
No momento em que a testemunha ouviu a adolescente, ela pediu ao motorista que parasse, os demais passageiros desceram e ficaram ao redor do homem até a chegada da Polícia Militar.
A reportagem entrou em contato com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, onde o caso foi registrado, mas o delegado responsável não se pronunciou devido ao fato de a investigação correr sob sigilo.
A mãe disse ser grata pelas testemunhas que ajudaram a filha, mesmo sob ameaças. “Na hora que elas [testemunhas] foram pegá-lo, ele quis bater. Disse: ‘Vocês estão doidas [passageiras e jovem]’. E foi quando um cara desceu [do ônibus] para defendê-las”, contou.
Aos policiais, o suspeito teria afirmado que encostou na adolescente pois estava olhando em direção à janela para saber em qual ponto desceria. Ele negou ter passado mão na jovem.
O homem foi conduzido pelos policias militares à DDM da cidade, onde o caso foi registrado como como importunação sexual, que prevê pena de um a cinco anos de prisão.
“Como mãe, eu nunca vou poder protegê-la totalmente de qualquer coisa. Mas, tem várias famílias brasileiras e da Baixada Santista que precisam do ônibus. Então, que tenha filmagens, porque são provas do que acontece, e que as pessoas fiquem mais atentas ao que está acontecendo ao redor”, finalizou a mãe da adolescente.
Em nota, a Viação Piracicabana informou que, por volta das 16h de sexta-feira (9), o ônibus 4808 da linha 139 teve a viagem interrompida na Avenida Ana Costa, após passageiros terem informado ao condutor que uma adolescente tinha sido abusada.
“Mediante ao fato, o motorista parou o carro, e ambos [ele e os passageiros] ligaram para o 190 [PM]. Uma viatura da Polícia Militar compareceu ao local e conduziu os envolvidos para a Delegacia, liberando o ônibus para seguir a linha normalmente”, disse a empresa, em nota.
A Viação Piracicabana ressaltou, ainda, que tem investido em campanhas destinadas à população que circula no transporte coletivo municipal com o objetivo de conscientizar e erradicar todo tipo de violência contra as mulheres. “A conscientização é fundamental para que casos como esse não ocorram e para garantir um meio de transporte seguro para todos”.
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