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IMAGENS: O Afeganistão sob um novo foco

today23 de setembro de 2023 3

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Nos anos que se seguiram à invasão dos EUA ao Afeganistão, em 2001, e à derrubada do regime talibã, o fotógrafo da Associated Press Rodrigo Abd, que estava no país, aprendeu uma forma tradicional de fotografar no país, através de uma câmara de caixa artesanal.

O afegão Khayesta Gul, de 57 anos, posa para retrato com suas filhas durante uma pausa no trabalho em uma fábrica de tijolos nos arredores de Cabul, Afeganistão. — Foto: Rodrigo Abd/ AP



Há fortes ecos da vida como era antes de as forças da Otan lideradas pelos Estados Unidos terem derrubado os talibãs do governo em 2001.

Mais uma vez, o país é governado por um movimento fundamentalista que restaurou muitas das regras rigorosas que impôs na década de 1990.

O primeiro regime talibã era famoso por destruir património artístico e cultural que considerava não-islâmico, incluindo os gigantescos budas antigos esculpidos em penhascos em Bamiyan.

Impuseram punições brutais, decepando as mãos dos ladrões, enforcando supostos blasfemadores em praças públicas e apedrejando mulheres acusadas de adultério.

As execuções e chicotadas estão de volta. A música, os filmes, a dança e os espetáculos são proibidos, e as mulheres são novamente excluídas de quase toda a vida pública, incluindo a educação e quase todas as profissões.

O regresso às políticas de linha dura afugentou ONGs e organismos ocidentais, trabalhadores humanitários e os parceiros comerciais. A pobreza atingiu níveis de crise, alimentada pela proibição do trabalho das mulheres, pelos cortes profundos na ajuda externa e pelas sanções internacionais.

Sem poder trabalhar, mulheres esperam para receber doação de alimentos por grupo de ajuda humanitária em Cabul, no Afeganistão, em maio de 2023. — Foto: Rodrigo Abd/ AP

Mas há um alívio quase universal pelo facto de o implacável derramamento de sangue das últimas quatro décadas de invasões, múltiplas insurgências e guerra civil ter cessado em grande parte.

Ainda existem bombardeios esporádicos, mas a maioria é atribuída a outro movimento extremista, inimigo do Talibã, conhecido como Estado Islâmico-Província de Khorasan, ou IS-K – um braço do Estado Isâmico.

Ainda assim, menos crime e violência não se traduz necessariamente em prosperidade e felicidade.

Soldado afegão posa para foto diante de mesquita na cidade de Harat, no Afeganistão, em junho de 2023. — Foto: Rodrigo Abd/ AP

Camponeses posam durante trabalho em Harat, no Afeganistão, em junho de 2023. — Foto: Rodrigo Abc/ AP

O dispositivo de aparência curiosa lembra pouco mais que uma grande caixa preta em um tripé. Conhecida como kamra-e-faoree, ou câmera instantânea, é uma câmera de madeira e escura feita à mão.

Eram comuns nas ruas das cidades afegãs no século passado – uma forma rápida e fácil de fazer retratos, especialmente para documentos de identidade.

Simples, baratos e portáteis, resistiram a meio século de mudanças dramáticas nesse país – desde uma monarquia a uma tomada comunista, de invasões estrangeiras a insurgências – até que a tecnologia digital do século XXI as tornou obsoletos.

A tecnologia antiga confere às imagens uma qualidade vintage e atemporal, como se o passado do país estivesse sobreposto ao seu presente – o que em muitos aspectos é verdade.

Crianças e adultos que trabalham em fábrica de tijolos nos arredores do Afeganistão, em maio de 2023. — Foto: Rodrigo Abd/ AP




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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