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Irã executa anglo-iraniano acusado de espionagem e enfrenta condenação do Reino Unido

today14 de janeiro de 2023 12

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Apesar dos protestos de Londres nos últimos dias, Alireza Akbari teve a pena capital executada. Em uma mensagem no Twitter, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, denunciou uma condenação “insensível e covarde”, acrescentando que seus pensamentos estavam com “os amigos e a família de Alireza”.

O chefe da diplomacia britânica, James Cleverly, acusou o Irã de cometer “um ato politicamente motivado por um regime bárbaro, que tem total menosprezo pela vida humana”. É um “ato bárbaro” que “não ficará sem resposta”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico. Londres vai “convocar o encarregado de negócios iraniano para expressar nossa repulsa”, acrescentou Cleverly.

A Justiça iraniana acusou Akbari de ter sido um “espião-chave” para o Serviço de Inteligência Secreta (SIS) da Grã-Bretanha, também conhecido como MI6, e justificou a sentença pela “importância da posição” que ele ocupava.



A ONG Anistia Internacional denunciou “um ato abominável” por parte de Teerã, “contrário ao direito à vida”. A entidade de defesa dos direitos humanos solicitou ao governo britânico uma investigação completa sobre as alegações de tortura contra ele.

As relações entre Teerã e Londres têm sido tensas nos últimos anos devido à prisão de vários cidadãos de dupla nacionalidade.

Akbari foi enforcado poucas horas depois que os Estados Unidos se uniram ao aliado britânico para pedir ao Irã que não levasse a cabo a condenação.

A França demonstra séria preocupação com sete franceses que têm a dupla cidadania iraniana e se encontram atualmente presos no Irã, alguns acusados de espionagem. 

Confissão sob coersão O diplomata americano Vedant Patel disse na sexta-feira (13) que o governo dos EUA tinha ficado “profundamente preocupado” com as informações de que Akbari tinha sido “drogado, torturado sob custódia policial, interrogado por ‘milhares de horas’ e coagido a fazer falsas confissões”.

Segundo veículos oficiais do Irã, que não reconhece a dupla nacionalidade para seus cidadãos, Akbari ocupou cargos no alto escalão do aparato de segurança e defesa do país. Ex-combatente na guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), ele foi vice-ministro da Defesa para Relações Exteriores, chefe de uma unidade em um centro de pesquisa ministerial e assessor do comandante da Marinha, afirmou a agência oficial Irna, sem especificar as datas.

Em fevereiro de 2019, o jornal oficial do governo iraniano havia publicado uma entrevista com Akbari apresentando-o como “ex-vice-ministro da Defesa” sob a presidência de Mohammad Khatami (1997-2005). O ministro titular na época era Ali Shamkhani, atualmente Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

“Milhões de dólares”Akbari esteve preso entre março de 2019 e março de 2020, de acordo com a agência Irna, enquanto outro veículo estatal, a agência Mizan Online, afirmou que ele recebeu mais de US$ 2 milhões por seus serviços. A mídia iraniana divulgou um vídeo no qual Akbari conta que tinha sido abordado pelo MI6, que entre outras coisas o questionou sobre o físico nuclear Mohsen Fakhrizadeh. O físico foi assassinado perto de Teerã em 2020, em um ataque atribuído pelo Irã a Israel.

O Irã anuncia com frequência a prisão de agentes suspeitos de trabalhar para serviços de inteligência estrangeiros. No início de dezembro, Teerã executou quatro pessoas acusadas de cooperar com Israel.

O enforcamento de Akbari acontece em um contexto tenso no país. O Irã reprime desde setembro uma onda de protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, uma mulher curda-iraniana de 22 anos. A jovem morreu em condições suspeitas depois de ser detida e levada para uma delegacia por estar andando em público, nas ruas de Teerã, com o véu muçulmano mal ajustado na cabeça. O porte correto dessa peça é uma das exigências do rígido código de conduta imposto às mulheres pela República Islâmica.

Em quase quatro meses de revolta popular, centenas de iranianos foram presos sob a acusação de participarem de protestos proibidos pelas autoridades. Dezoito manifestantes, entre eles jovens estudantes, já foram condenados a sentenças de morte. Quatro homens já foram executados, provocando indignação na comunidade internacional.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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