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Jovem de 21 anos vende trufas para pagar faculdade de enfermagem no litoral de SP

Escrito por em 2 de dezembro de 2021

A estudante de enfermagem Amanda Beatriz Oliveira Andrade, de 21 anos, começou a vender trufas nas ruas de São Vicente, no litoral de São Paulo, um ano antes de dar início ao curso que sempre sonhou, com o objetivo de arrecadar dinheiro para custear os estudos. Ao g1, ela contou que aprendeu a fazer os doces pela internet, e que os vendia na época do Ensino Médio. “Não sabia fazer direito, e era horrível, mas com o tempo, peguei habilidade, fiquei melhor, e agora até crio sabores”.

O curso começou pouco antes da pandemia, e a jovem diz que foi um período difícil para vender os doces. “Comecei em 17 de fevereiro de 2020. A gente teve um mês de aula, aí veio o lockdown, fiquei seis meses sem aula, e aí começaram as aulas remotas. Em nenhum momento deixei de pagar [a faculdade], foi um período mais difícil, não tinha ninguém na rua, estava tudo fechado, mas minha mãe me ajudou bastante, meu marido trabalhava também, e ficou um pouco mais fácil”.

O curso integral, segundo a estudante, custa mais de R$ 1,2 mil, mas ela afirma que, com a bolsa que a faculdade oferece, a mensalidade dela fica em torno de R$ 836. “É um valor bem alto, mas consigo [pagar] com o valor das vendas das trufas mesmo. Hoje, elas estão sendo minha única fonte de renda, consigo pagar o curso, manter a casa, graças a Deus”.

Trufas são produzidas pela estudante de enfermagem no litoral de São Paulo — Foto: Arquivo Pessoal

Amanda explica que a rua é o local mais fácil para vender os doces, mas que também usa as redes sociais para divulgar. “O foco principal é a rua. Tem três pontos específicos, e circulo por esses lugares, na Praça Barão, na Praça dos Correios e no shopping”.

A jovem oferece aos clientes três opções de pagamento para facilitar as negociações: dinheiro, PIX e cartão. “Fica mais fácil das pessoas comprarem. Eu vendo a R$ 4 cada trufa, ou três trufas por R$ 10. O faturamento do mês varia muito, mas, geralmente, consigo tirar mais de R$ 2 mil”.

A jovem reforça que vender doces na rua é um trabalho diferente e desafiador. “Já me senti desmotivada. Tem dia que a gente faz R$ 300, e em outros, R$ 50. Varia muito. Eu sempre tento me motivar a ir”.

Segundo Amanda, a rotina entre preparar e vender as trufas, estudar e cuidar da casa é bastante complicada. “Vou de manhã para a faculdade, e assim que termino, por volta das 11h30, já estou com as trufas prontas, porque faço na noite anterior. Pego tudo e saio para vender na rua por volta das 12h30, e fico até às 16h”.

De acordo com a estudante, o marido está atualmente desempregado, mas ajuda nas atividades domésticas. “Como ele fica a maior parte do tempo em casa, quando chego, não tenho muita coisa para fazer, então, faço o que restou. Estudo à noite, faço um curso gratuito, e as trufas antes de dormir”.

Amanda Beatriz Oliveira Andrade começou a cursar enfermagem pouco antes do início da pandemia — Foto: Arquivo Pessoal

Desde criança, o sonho de Amanda é exercer alguma profissão ligada à Saúde. “Sempre tive esse lado de gostar da área, quando criança, pensava em ser veterinária, mas aí, depois que cresci, fiquei em dúvida sobre qual profissão iria seguir. Minha mãe é técnica em enfermagem, então, eu já tinha um pouco de vivência, e descobri que enfermagem é uma coisa que gosto muito de fazer, cuidar de outras pessoas, dar um suporte e ajudar. Salvar uma vida é uma coisa única”.

A caminho do terceiro ano da graduação, que tem, ao todo, quatro anos e meio, ao ser questionada sobre o futuro, a estudante afirmou que sonha em conseguir terminar a faculdade. “Fazer residência de enfermagem em São Paulo e, se possível, entrar para a Marinha. Eu gostaria, também, de trabalhar em hospital no Sistema Único de Saúde [SUS], tentar manter os dois, porque, geralmente, enfermeiro trabalha em plantão, e daria para manter”, conclui.

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