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Justiça dos EUA arquiva processo que buscava reparações pelo massacre racista de Tulsa de 1921

today10 de julho de 2023 12

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A ação havia sido protocolada por pessoas que buscavam recompensas por parte da cidade e de outros agentes pela destruição de Greenwood, um distrito majoritariamente negro da cidade de Tulsa na década de 1920 que era considerado próspero.

O massacre de Tulsa de 1921 aconteceu nessa cidade entre os dias 31 de maio e 1º de junho daquele ano. Durante esse período, um distrito afro-americano conhecido como “Wall Street Negra” foi atacado e destruído por uma multidão de pessoas brancas. A violência foi desencadeada por um incidente em um elevador entre um jovem negro e uma jovem branca, que levou à acusação e prisão do rapaz. Rumores de um possível linchamento se espalharam, levando a uma mobilização de grupos brancos armados. No ataque, edifícios foram incendiados, houve saques e destruição generalizada. Dezenas de pessoas morreram, e milhares ficaram desabrigadas.

A juíza Caroline Wall não só não aceitou o caso, como determinou que essa mesma reivindicação não pode voltar a ser levada à Justiça.



Três sobreviventes, todos com mais de 100 anos, entraram com um processo em 2020, porque queriam justiça em vida, de acordo com o advogado deles.

Na outra ponta do processo estavam a prefeitura, a câmara de comércio local de outras agências de governo.

Em um primeiro momento, a juíza permitiu que o processo fosse adiante, mas depois ela reconheceu argumentos das partes que pediam o fim do processo.

No entanto, ela não aceitou o argumento de que os crimes de 1921 teriam consequências ainda hoje –o processo alegava que o massacre incorria em uma lei que determina que não pode haver interferência nos direitos e bem-estar dos cidadãos.

Ou seja, a ação argumentava que o massacre causou uma interferência que impediu que as pessoas no presente tenham acesso a propriedades públicas ou privadas, além da saúde, segurança e bem-estar.

A ideia é que as divisões raciais da cidade são derivadas do massacre. As disparidades econômicas que ainda existem hoje entre as populações negra e branca de Tulsa, de acordo com o processo, são uma consequência dos atos de 1921.

As vítimas nunca foram compensadas por suas perdas (nem a cidade nem as empresas de seguros pagaram). O processo pedia também um levantamento contábil das propriedades e riqueza perdida ou roubada no massacre, a construção de um hospital na região norte da cidade, um fundo de compensação para vítimas e outras demandas.

Antes desse processo, um advogado da Câmara de Comércio já afirmou que o massacre foi horrível, mas os problemas que ele causou não estão em andamento.

Em 2019, essa lei específica que determina que não se pode impedir o bem-estar do cidadão já foi aplicada pelo promotor do estado de Oklahoma para forçar a farmacêutica Johnson & Johnson, que oferecia um opioide, a pagar US$ 465 milhões a título de reparação de danos. No entanto, em uma instância superior, a Justiça reverteu a decisão.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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