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Moradores de Guarujá, SP, relatam ‘medo’ e ‘insegurança’ com operação policial

today8 de agosto de 2023 2

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Uma vendedora, de 23 anos, disse que os moradores encontraram nas manifestações uma forma de chamar a atenção para tentar frear as mortes. “A gente não quer que as polícias vão embora, a gente quer que parem de matar”.

A vendedora questionou o fato dos policiais justificarem as mortes em troca de tiros com os moradores da comunidade: Se tem [troca de tiro] por que o único policial que morreu foi o policial da rota em Guarujá? Porque aqui em Vicente de Carvalho nenhum policial [foi atingido]”.

Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho, ‘deserta’ durante operação da polícia após morte de policial militar da Rota em Guarujá, SP — Foto: g1 Santos



Uma empresária, de 43 anos, disse que os moradores estão expostos e têm orientado os filhos, que são jovens, a não saírem de casa de moto. A moradora da Vila Progresso disse não sentir tanta opressão, mas percebe que os moradores estão se isolando.

“Eu tenho cliente que diz que está difícil vir para esse lado [Vicente de Carvalho]. É isso que a gente escuta. A gente está aqui trabalhando, mas não sabe o que vai acontecer aqui na rua”, disse.

Uma funcionária de loja, de 22 anos, disse que mora na Comunidade Aldeia e que após as 19h todos vão para casa. “A gente tem que chegar em casa correndo e ficar preso porque a qualquer momento a polícia pode subir e sair atirando em qualquer pessoa sem ao menos perguntar se tem passagem”.

“A gente sabe que a maioria das pessoas é honesta, trabalhadora […]. A minha mãe estava dentro de casa e por pouco o tiro não atravessou a parede e pegou nela. Para a gente está sendo muito complicado”, disse ela.

Imagem obtida pelo g1mostra residência de um dos mortos por policiais na comunidade em Vicente de Carvalho, Guarujá (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

A mulher disse, ainda, que mora desde criança em Vicente de Carvalho e essa é a primeira vez que os moradores se sentem oprimidos. “A gente não pode nem ir à casa dos nossos familiares. A gente tem medo”.

O g1 entrou contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) e aguarda um posicionamento.

Repercussão Internacional

Professora e Pesquisadora de Harvard veio dos EUA para participar de manifestação em Guarujá, SP — Foto: Leandro Sampaio/g1

A operação policial após a morte do policial militar da Rota repercutiu internacionalmente. Durante a manifestação, o g1 conversou com uma professora e pesquisadora da Universidade de Harvard Yanilda Gonzalez, de 39 anos, que veio dos Estados Unidos (EUA) para acompanhar o protesto e entender como a sociedade reage em relação aos mortos durante a operação policial.

“Minha pesquisa é justamente sobre questões de violência policial e os esforços para reformar as polícias na América Latina”. Segundo ela, esses são padrões comuns das polícias não apenas no litoral paulista e no Brasil.

“Uma falta de controle externo civil das polícias, uma certa politização da segurança pública e o apoio social e político à violência policial”.

Esses fatores, de acordo com Yanilda, contribuem à continuidade da violência polícia. “Dessa falta de controle democrático da atuação policial”.

O que se sabe sobre a morte de um policial da Rota em Guarujá e da Operação Escudo

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O soldado Patrick Bastos Reis foi baleado enquanto fazia um patrulhamento na comunidade da Vila Julia, em Guarujá, na quinta-feira (27). A morte dele foi confirmada no mesmo dia. Além dele, um outro policial foi baleado na mão esquerda, encaminhado para o Hospital Santo Amaro e liberado.

Após o caso, a Polícia Militar iniciou a Operação Escudo, com o objetivo de capturar os criminosos responsáveis pela ação contra os agentes.

O irmão de Erickson David da Silva, Kauã, também é suspeito de atirar e matar um PM das Rondas Ostensivas Tobias Aquiar (Rota). Ele foi preso por envolvimento no crime em Guarujá, no mesmo dia em que completou 20 anos. O g1 apurou, que Kauã usava as redes sociais para mostrar a ‘rotina’ no tráfico, com armas apontadas para viaturas e funk ‘proibidão’.

As informações foram divulgadas pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite. Segundo ele, Kauã tinha a ‘função’ de ficar posicionado na comunidade Vila Júlia, armado e com um comunicador, pronto para avisar os comparsas sobre a chegada de viaturas policiais ao local.

Suspeito de matar policial do ROTA pede para Tarcísio 'parar de matar inocentes'

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Em vídeo gravado antes de ser preso, o suspeito afirma, em relato direcionado ao governador de SP e ao secretário de Segurança Pública, que estão “matando uma ‘pá’ de gente inocente”. Ele diz não ter nada a ver com o caso, mas que vai se entregar. Erickson diz ainda que estão “querendo pegar” sua família (veja o vídeo acima).

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou nesta segunda-feira (31) que o vídeo gravado pelo suspeito foi “uma estratégia do crime organizado”.

“A verdade é que esse vídeo que ele fez, orientado pelos seus defensores, inclusive tem áudio do advogado o orientando a fazer esse vídeo, se os senhores ainda não possuem, ao longo das investigações vão tomar conhecimento disso, é uma estratégia do crime organizado, inclusive de cooptar moradores, de cooptar pessoas das comunidades que também são vítimas do tráfico organizado apresentando versões”, afirmou.

A Ouvidoria das Polícias informou investigar denúncias de tortura e ameaças de morte relatadas por moradores durante a Operação Escudo.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de segurança do estado, Guilherme Derrite, anunciaram aumento do efetivo policial e uma nova unidade em Guarujá, no litoral de São Paulo, após a morte do PM da Rota Patrick Bastos Reis. Segundo o governador, as ações se fazem necessárias pois “o tráfico ocupou a Baixada Santista”.

De acordo com Tarcísio, a Operação Escudo vai continuar na Baixada Santista por pelo menos 30 dias. Além disso, o governador ainda prometeu novas ações na região.

“Nós vamos levar para a Baixada Santista o aumento de efetivo, unidade da Polícia Militar. Nós devemos ter mais uma unidade da Polícia na Baixada para aumentar o efetivo e responder o anseio da Baixada”, disse Tarcísio.

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Por: G1

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