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‘Mounsieur selfie’: quem é Jordan Bardella, o rosto da extrema direita que pode se tornar o premiê mais jovem da França

today7 de julho de 2024 5

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Depois que os eleitores impulsionaram a Reunião Nacional de Marine Le Pen a uma forte liderança no primeiro turno das eleições legislativas antecipadas no último domingo (30), Bardella passou a mobilizar os apoiadores para garantir a maioria absoluta no decisivo segundo turno neste domingo (7). Isso permitiria que o partido anti-imigração e nacionalista comandasse o governo com a liderança de Bardella.

Veja abaixo quem é Jordan Bardella, como ele se tornou o rosto da nova extrema direita na França e o que ele propõe para o país.

Quem é Bardella, o presidente da Reunião Nacional?



Quando Bardella substituiu sua mentora, Marine Le Pen, em 2022, no comando do principal partido de extrema-direita da França, ele se tornou a primeira pessoa sem o sobrenome Le Pen a liderá-lo desde sua fundação, meio século atrás.

Sua escolha marcou uma mudança simbólica de guarda. Foi parte do esforço de uma década de Le Pen para remodelar seu partido, que tinha histórico de racismo, e remover o estigma do antissemitismo que o acompanhava para ampliar sua base. Ela se distanciou notavelmente de seu pai, agora ostracizado, Jean-Marie Le Pen, que cofundou o partido, então chamado Frente Nacional, e foi repetidamente condenado por discurso de ódio.

Bardella faz parte de uma geração de jovens que se juntaram ao partido sob Marine Le Pen nos anos 2010, mas que provavelmente não o teriam feito sob o comando de Jean-Marie.

Desde que se juntou ao partido aos 17 anos, Bardella subiu rapidamente na hierarquia, servindo como porta-voz do partido e presidente de sua ala jovem, antes de ser nomeado vice-presidente e se tornar o segundo membro mais jovem do Parlamento Europeu na história, em 2019.

“Jordan Bardella é a criação de Marine Le Pen”, disse Cécile Alduy, professora de política e literatura francesa da Universidade de Stanford e especialista na extrema-direita. “Ele foi moldado por ela e é extremamente leal.”

Na campanha, Le Pen e Bardella se apresentaram como companheiros de chapa ao estilo americano, com Le Pen disputando a presidência enquanto o empurrava para ser primeiro-ministro, disse Alduy. “Eles estão completamente alinhados politicamente.”

Jordan Bardella, eleito para a liderança do partido nacionalista francês Reunião Nacional no Parlamento Europeu em 2019. — Foto: Charles Platiau/Reuters

Como ele se tornou o garoto-propaganda do movimento?

Não foi apenas ter um sobrenome diferente que tornou Bardella uma figura atraente para um partido que busca ampliar seu apelo além de sua base de eleitores tradicionalmente mais velhos e rurais.

Bardella nasceu no subúrbio parisiense de Seine-Saint-Denis em 1995, filho de pais de origem italiana, com raízes argelinas do lado paterno — e longe de negar essas raízes, ele as usou para suavizar o tom (se não o conteúdo) da postura anti-imigração de seu partido e sua hostilidade à comunidade muçulmana da França.

Embora Bardella tenha frequentado uma escola católica semi-privada e seu pai fosse relativamente bem de vida, relatos do partido destacaram sua criação em um projeto habitacional degradado, assolado pela pobreza e drogas. Nunca tendo terminado a universidade, o passado relativamente modesto de Bardella o diferenciava do establishment.

Além disso, ele poderia falar diretamente para as pessoas — e crucialmente para os jovens eleitores — sobre isso. Com mais de 1,9 milhão de seguidores no TikTok e 750.000 no Instagram, Bardella encontrou um público para seu conteúdo nas redes sociais, que vai desde material de campanha mais tradicional até vídeos zombando de Macron e pedaços da vida do potencial primeiro-ministro da Reunião Nacional.

Com uma aparência limpa e barbeada e habilidades nas redes sociais, ele posou para selfies com fãs entusiasmados, a ponto de ser chamado de “monsieur selfie”. Embora sua retórica seja forte em questões polêmicas como imigração — “A França está desaparecendo” é seu lema — ele tem sido relativamente vago nos detalhes.

O que ele propõe para a França?

Foi Bardella quem, em uma postagem no X (antigo Twitter), pediu a Macron para dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas depois que o grupo centrista do presidente sofreu uma derrota esmagadora pela Reunião Nacional nas eleições europeias no mês passado.

Quando Macron fez exatamente isso, Bardella, muitas vezes vestindo terno e gravata, saiu em campanha, suavizando sua imagem de popstar para parecer mais estadista, apesar de sua falta de experiência no governo.

Nos últimos meses, o Reunião Nacional suavizou algumas de suas posições mais controversas, incluindo retroceder em algumas de suas propostas para mais gastos públicos e políticas econômicas protecionistas, e tirar a França do comando militar estratégico da OTAN.

Apresentando o novo programa do partido, Bardella disse que, como primeiro-ministro, promoveria a lei e a ordem, uma regulamentação mais rígida da imigração e restringiria certos benefícios sociais, como habitação, apenas para cidadãos franceses. Ele disse que cidadãos com dupla nacionalidade seriam impedidos de ocupar alguns empregos específicos, como funcionários do estado na área de defesa e segurança.

Bardella prometeu também reduzir impostos sobre combustível, gás e eletricidade, e se comprometeu a reverter as mudanças nas pensões de Macron. Seu governo, focado na lei e na ordem, também se estenderia às escolas públicas do país, estendendo a proibição de celulares para as escolas secundárias.

Adversários dizem que suas políticas podem causar danos duradouros à economia francesa e violar os direitos humanos.

No campo internacional, Bardella tem buscado combater as alegações de que o partido de Le Pen há muito tempo é amigável com a Rússia e o presidente Vladimir Putin. Ele disse que considera a Rússia “uma ameaça multidimensional tanto para a França quanto para a Europa” e que seria “extremamente vigilante” quanto a quaisquer tentativas russas de interferir nos interesses franceses.

Embora Bardella apoie a continuação das entregas de armamento francês à Ucrânia, ele não enviaria tropas francesas para ajudar o país a se defender. Ele também não permitiria o envio de mísseis de longo alcance capazes de atingir alvos dentro da Rússia.

Para os eleitores de baixa renda ou que se sentem excluídos dos sucessos econômicos em Paris ou da economia globalizada, Bardella oferece uma escolha atraente, disse Alduy.

“A sensação de vulnerabilidade que as pessoas têm em relação a fatores que estão além de seu controle, chama por uma mudança radical na mente de muitos eleitores”, disse ela. “Ele tem um passado limpo e não traz a bagagem do passado.”




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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