G1 Santos

Mulher chamada de ‘petista de merda’ por PM no litoral de SP pede medida protetiva ao Ministério Público

today8 de novembro de 2022 25

Fundo
share close

Em um vídeo ao qual o g1 teve acesso, é possível ouvir quando o PM fala sobre a tentativa de atropelamento e ela rebate dizendo que foi ofendida. “Filma aí, filma aí, quase me atropelou”, diz o policial. Em resposta, a mulher fala: “Me chamou de petista de merda. Me dá o meu celular” (veja o vídeo no início da reportagem).

No documento, o advogado Rui Elizeu pede ao MP representar junto ao juiz pela decretação de medidas protetivas em favor de Hélida Duarte e também da testemunha contra os policiais militares que atenderam a ocorrência. Segundo a defesa, um dos policiais teria procurado a família da mulher para pressioná-la em não levar adiante a denúncia contra ele.

Elizeu também pede para que seja requisitado à Delegacia Seccional de Praia Grande, cidade vizinha, a instauração de um inquérito policial para apuração dos fatos. O advogado justifica pedindo para que o inquérito não seja feito na Delegacia de São Vicente, pois o delegado titular precisa esclarecer os motivos da ocorrência não ter sido recepcionada pela autoridade e equipe de plantão; de ter chegado às 3h e só ter sido registrada às 9h30 e de não ter sido disponibilizada uma cópia do B.O.



Após o resultado das eleições, Hélida dirigiu-se ao bairro Gonzaga, em Santos, onde ocorria uma comemoração da vitória do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permaneceu no local até, por volta das 2h, quando resolveu voltar para casa e ofereceu carona para uma idosa. Com adesivos do PT e do candidato Lula, por volta das 2h15, elas foram abordadas por uma viatura da PM na Avenida Presidente Wilson.

Na abordagem, os policiais perguntaram se ela sabia que o carro estava com licenciamento vencido. Ela então ligou para o pai, que informou que o documento estava em ordem e, em seguida, questionou aos PM’s se poderia ir embora e eles autorizaram. Alguns momentos depois, no limite com São Vicente, foi abordada por outra viatura.

A idosa que estava com ela disse que estava com falta de ar, então a mulher informou aos PM’s que deixaria a senhora, que estava passando mal, no CREI, mas o policial informou que chamaria o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela disse que o resgate poderia demorar e como o hospital estava a poucos minutos, que levaria a idosa e a viatura poderia segui-la.

Na Avenida Presidente Wilson, a mulher foi surpreendida por várias viaturas e um policial estava fora do veículo com um fuzil nas mãos e apontado para ela. Hélida diminuiu a velocidade e ele mandou-a parar. Ao observar que estava com adesivos do PT, o PM gritou e a ofendeu: ‘Petista de merda, vocês são todos vagabundos, sua vagabunda, vocês merecem tudo morrer!’.

Ainda de acordo com o documento enviado ao MP, os policiais agarraram Hélida e a colocaram na parte de trás do camburão, tentaram arrancar o adesivo do peito, mas ela resistiu. Já dentro da viatura, ela foi golpeada por um objeto de massa contundente que não soube identificar.

Segundo o relato, ela chegou na delegacia, por volta de 2h45 e ficou presa dentro do compartilhamento da viatura até 6h. Segundo a defesa, ela pediu várias vezes para ir ao banheiro e foi questionada se tinha problema de bexiga e que batiam na viatura dizendo ‘mija aí mesmo, petista porca, petista é tudo porco, tem que ficar na imundice mesmo’. E ela precisou urinar na própria roupa dentro da viatura.

O g1 entrou em contato com a Polícia Militar sobre a petição da defesa da mulher que alega ter sido agredida e com a Secretaria de Segurança Pública sobre o pedido de instauração do inquérito, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Anteriormente, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que havia bebida alcóolica dentro do carro da mulher, que avançou o veículo contra os militares e os xingou. Ela foi detida por desacato e desobediência após não acatar a uma ordem de parada dos policiais, sendo interceptada após avançar contra os PMs em um bloqueio. O caso foi registrado como desobediência, lesão corporal, desacato e injúria. A Polícia Civil investiga os fatos e a PM acompanha.

Hélida Duarte diz que foi agredida e ofendida após policial ver a bandeira do PT, em São Vicente (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

VÍDEOS: Mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%