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O mistério sobre dono de avião com R$ 25 milhões e barras de ouro falsas

today29 de agosto de 2023 8

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Sabe-se que o avião partiu do Cairo, capital do Egito, e que aterrisou há duas semanas na Zâmbia. Até agora, no entanto, ninguém — nem Egito, nem na Zâmbia — admitiu ter fretado o avião ou ser proprietário de sua carga.

Com tantas perguntas sem resposta, rumores não demoraram a surgir.

Poderiam os envolvidos ser figuras políticas ou militares de alto nível do Egito ou da Zâmbia? Teria este sido um voo único ou o primeiro de centenas que finalmente foi interceptado?



Cinco egípcios que estavam a bordo do avião e seis zambianos compareceram na segunda-feira (28/8) a um tribunal em Lusaka.

Tanto os egípcios como os zambianos foram acusados de contrabando e corrupção. Os zambianos também enfrentam acusações de espionagem. Entre os zambianos que compareceram ao tribunal, estava um funcionário da State House, a residência oficial e gabinete do presidente.

A história poderia ter passado em branco, não fosse o trabalho de um jornalista cujo site de verificação de fatos, Matsda2sh, acusou autoridades no Egito de envolvimento no incidente.

Pouco depois da publicação, forças de segurança egípcias à paisana invadiram a casa de Karim Asaad, no Cairo, na calada da noite e o prenderam.

Inicialmente, ele simplesmente havia desaparecido. Ninguém sabia para onde ou por que razão Asaad tinha sido levado.

Mais tarde, jornalistas egípcios independentes publicaram documentos em redes sociais, supostamente retirados da investigação policial da Zâmbia sobre o avião carregado de dinheiro.

Os documentos mostram a suposta nomeação entre os detidos de três militares egípcios e um oficial superior da polícia, corroborando as alegações de Asaad.

Após uma enxurrada de protestos aparecer nas redes sociais, muitos vindo de outros jornalistas, Asaad foi libertado dois dias depois. O motivo exato pelo qual ele foi preso permanece outro mistério.

Autoridades egípcias disseram apenas que o avião mencionado no website de Asaad era privado e estava passando pelo Cairo. Em outras palavras, o país e suas autoridades nada tinham a ver com o caso, segundo essa explicação.

Pouco depois, os holofotes se voltaram para a Zâmbia, depois que o avião pousou no aeroporto Kenneth Kaunda, em Lusaka.

Segundo informações locais, um homem zambiano carregando sacos com o que parecia ser ouro teria sido autorizado a passar pela segurança e encontrar os egípcios recém-chegados no avião.

Ninguém parece saber quem o autorizou, mas, de acordo com relatos dos meios de comunicação zambianos, alguns pagamentos em dinheiro teriam ajudado a facilitar o seu caminho.

Depois de entrar a bordo, o homem supostamente vendeu uma parte do suposto ouro que carregava para os homens no avião. Eles então teriam pedido mais.

Não está claro se eles conseguiram descobrir que o suposto ouro que ele estava vendendo era, na verdade, falsificado antes que a equipe de segurança chegasse para revistar a aeronave.

A prisão, ao que parece, foi turbulenta.

Vários dos agentes que entraram no avião estão agora sendo investigados por supostamente terem recebido, cada um, até US$ 200 mil (quase R$ 1 milhão) dos cidadãos egípcios a bordo do avião.

Alega-se que esta teria sido a recompensa para permitirem que o avião decolasse sem que ninguém fosse preso.

Quando vazou a informação de que o dinheiro do avião estava supostamente mudando de mãos, outro grupo de seguranças invadiu a aeronave e prendeu todos os que estavam lá dentro.

Os suspeitos tiveram dificuldade para explicar o que faziam com milhões de dólares em dinheiro, várias pistolas, 126 cartuchos de munições e o que parecia ser mais de 100 kg de barras de ouro.

As barras de ouro eram particularmente intrigantes.

Descobriu-se que, assim como o ouro, elas eram feitas de uma mistura de cobre, níquel, estanho e zinco.

Mas nem tudo que reluz é ouro e, ao que parece, os egípcios a bordo do avião podem ter sido salvos de um péssimo negócio.

Makebi Zulu, advogado zambiano que representa um dos 10 homens detidos, disse à BBC que inicialmente a polícia disse ter encontrado US$ 11 milhões (R$ 55 mi) em dinheiro.

Esse valor, segundo ele, foi posteriormente reduzido para cerca de US$ 7 milhões (R$ 35 mi), até finalmente cair para US$ 5,7 milhões (R$ 28,5 mi).

Segundo uma das possíveis explicações, quase metade do dinheiro já havia sido retirado do avião antes da chegada das forças de segurança. Se for verdade, isso significaria que os envolvidos circularam pelo aeroporto com mais de US$ 5 milhões (R$ 20 mi) – algo difícil de se fazer discretamente.

Zulu também se disse perplexo com o tratamento desigual dispensado aos presos desde sua detenção.

Ele diz que enquanto seu cliente zambiano e outros três estrangeiros foram levados para uma prisão para aguardar o julgamento, os seis egípcios foram alojados numa hospedagem.

Já o homem que supostamente carregou os sacos de ouro falso até o avião se teria se tornado delator e estaria ajudando a polícia da Zâmbia a descobrir tudo isso.

Nos últimos dias, vários outros cidadãos zambianos foram detidos em uma fábrica improvisada de processamento de ouro falso e mais detenções são esperadas.

À medida que o interesse pelo caso em todo o mundo cresce, cresce também a especulação.

Um think tank chamado Egypt Technocrats, composto por profissionais egípcios independentes que vivem em diferentes países, aponta que existiriam mais de 300 empresas secretas dentro do Egito envolvidas em operações de lavagem de dinheiro.

Alguns dizem que grandes quantias em dinheiro teriam sido contrabandeadas para fora do país desde que o presidente Abdel Fattah al-Sisi chegou ao poder, há nove anos.

Se for verdade, seria este voo apenas um entre centenas que fizeram viagens semelhantes?

A teoria em alguns círculos é de que altos funcionários militares e empresários no Egito, com medo de que o regime do presidente Sisi possa entrar em colapso, têm tentado desesperadamente tirar seu dinheiro do país.

Como em todos os pontos relacionados a este caso misterioso, no entanto, ninguém pode ter certeza do quanto disso tudo é verdade.

Espera-se que, quando o julgamento finalmente ocorrer, muitas das questões levantadas sejam respondidas.

O perigo, no entanto, é que isso possa ser só o ponto de partida para ainda mais perguntas.




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Por: G1

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