G1 Mundo

O que é uma ‘implosão’; relembre o que aconteceu com o submarino Titan

today18 de junho de 2024 3

Fundo
share close

Foram quatro dias de buscas até que a Guarda Costeira dos Estados Unidos confirmasse a implosão e a empresa OceanGate, dona do submarino e responsável pela expedição, anunciasse a morte de todos os passageiros.

👉 Implosão é o que ocorre quando um objeto, uma estrutura ou um edifício colapsa ou desmorona em direção ao seu centro. É o oposto da explosão, na qual a força que leva à destruição é liberada para fora a partir do centro do objeto.

Em 2017, o submarino argentino ARA San Juan, que desapareceu e demorou 1 ano para ser encontrado, também “implodiu” no fundo do mar.



Apesar das investigações sobre as causas da tragédia ainda não terem sido concluídas – e se manterem adiadas por tempo indeterminado –, investigadores já sabem que a implosão foi provavelmente causada por uma falha no submarino em lidar com a pressão um nível tão profundo do mar.

Ainda não se sabe por que houve essa falha e a OceanGate também não esclareceu publicamente os detalhes que podem ter levado à implosão. Em agosto, a Guarda Costeira deve fazer uma audiência pública planejada para discutir o que seus engenheiros descobriram até agora.

Cenário provável do submarino Titan

Ainda que o motivo da falha ainda não tenha sido descoberto, é sabido que, quando um submarino mergulha, a pressão da água aumenta progressivamente.

Em geral, esses veículos são projetados para suportar a pressão da coluna d’água: são construídos com cascos reforçados e materiais resistentes.

Entretanto, Thiago Pontin Tancredi, professor do curso de engenharia naval da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e supervisor do laboratório de simulação naval, explica que o Titan era feito de fibra de carbono e titânio, dois materiais sobre os quais há pouco estudo sobre como se comportam quando sujeitos a várias pressões diferentes.

Segundo Tancredi, um dano na estrutura do casco é uma das causas possíveis da implosão.

“Quando submerge e emerge, [o submarino] vai acumulando danos. Não é porque fez a missão uma vez que é seguro. Fazer a missão uma vez significa que ele estava bem dimensionado, mas vai acumulando amassados e trincas, o que pode levar a uma falha estrutural”, afirma Thiago.

Antes de implodir, o próprio Titan vinha fazendo expedições anuais ao Titanic desde 2021 e registrando a decadência dos destroços do navio, além do ecossistema subaquático ao redor do transatlântico.

Mesmo com o acidente, a exploração em alto mar continua. A empresa planeja visitar novamente os restos do Titanic em julho, usando veículos operados remotamente. Um bilionário de Ohio também afirmou que planeja uma viagem até o naufrágio em um submersível para duas pessoas em 2026.

  • (MODELO 3D: Deslize o mouse para os lados para ver submarino)

Um elefante a cada 25 cm quadrados

O professor de engenharia naval afirma que a pressão exercida em um submersível a 3,8 mil metros de profundidade é equivalente a um elefante apoiado em cada pedaço de 5 x 5 centímetros (25 centímetros quadrados) do casco.

Se a pressão externa exceder a resistência da estrutura, isso causa um desequilíbrio de pressão dentro e fora do casco, resultando em um colapso súbito da estrutura.

A implosão ocorre justamente quando a pressão da água esmaga o casco do submarino, comprimindo-o para dentro.

Ainda de acordo com o professor e engenheiro naval Thiago Pontin, um pequeno amassado no casco, ainda que represente algo em torno de 2% de toda a sua superfície, é suficiente para reduzir a profundidade máxima de operação de um submarino em 50%.

Como é feito de fibra de carbono, a implosão deve ter causado um efeito similar ao vidro estilhaçado, se partindo em muitos pedaços. Já as partes em titânio devem se comportar como metal, ficando retorcidas, segundo a avaliação de Pontin.

Profundidade onde está o Titanic; ambiente hostil dificultou buscas por submarino desaparecido. — Foto: Vitória Coelho e Wagner Magalhães | Arte g1




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

Notícias

Estado americano aprova pena de morte para condenados por estupro contra menores de idade

O estado do Tennessee, nos EUA, aprovou uma lei que permite a pena de morte em condenações por estupro de crianças. O texto foi assinado pelo governador republicano Bill Lee em maio, sem alarde, e entrará em vigor em 1º de julho. A nova lei do Tennessee autoriza o Estado a impor a pena de morte quando um adulto é condenado por estupro agravado de uma criança. Os condenados podem ser sentenciados à morte, à prisão perpétua sem possibilidade de […]

today18 de junho de 2024 2

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%