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Refugiados dizem estar muito felizes em abrigo no litoral de SP e falam sobre vida no Afeganistão: ‘Talibã nos odeia’

today2 de julho de 2023 7

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Mohammad Navid Haidari, de 39 anos, está com a esposa e quatro filhos, três meninos e uma menina. Ele era intérprete das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, pela experiência, ajuda na comunicação do grupo de refugiados com os organizadores do abrigo e voluntários da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com Mohammad, os afegãos estavam recebendo apoio no aeroporto, mas sofriam em relação à acomodação, principalmente, por conta das crianças.

“Aqui [na colônia] nós temos uma casa”, disse, citando a segurança e os quartos, banheiros e cozinhas privativas disponibilizadas para as famílias na colônia.



Refugiados afegãos estão acomodados em abrigo em Praia Grande, SP

Refugiados afegãos estão acomodados em abrigo em Praia Grande, SP

O intérprete saiu com a família do Afeganistão há 18 meses ilegalmente e descreve o cenário no país como o pior possível. “A situação no Afeganistão está muito ruim. Depois da devastação do governo, veio o Talibã e nós somos minoria. Talibã nos odeia […]. 100% de risco de vida”, relembrou.

Segundo Mohammad, o objetivo dele é aprendero português e encontrar um trabalho para viver no país, que adorou. “Minha família e eu estamos muito, muito felizes no Brasil como nosso lar”, enfatizou.

Segundo o Sindicato dos Químicos, há 73 homens e 55 mulheres abrigados no local, sendo 37 crianças. Na tarde deste sábado (1), os jovens jogaram futebol nas dependências da colônia.

Para Jaber Osmani, de 27 anos, é uma sensação de alívio estar junto com o grupo e a família em um lugar seguro e confortável. Ele chegou com a mãe, o pai e a irmã.

“Estamos nos sentindo muito felizes porque no aeroporto não tínhamos privacidade para ir ao banheiro, dormir, se banhar ou qualquer coisa”, ressaltou.

Afegãos refugiados dizem estar ‘muito felizes’ em abrigo no litoral de SP e comentam situação no Afeganistão — Foto: Ágata Luz/g1

Ao todo, são 128 afegãos alojados, entre eles, 37 crianças. Segundo o administrador da colônia, o local conta com 50 quartos e os refugiados estão usando 46. Cada família usa um deles, já os homens solteiros estão juntos em outros quartos.

Segundo o administrador da colônia, José Domingos, os afegãos foram para os apartamentos somente por volta das 3h da manhã deste sábado. Para a segurança do grupo, um vigilante da própria colônia passou a noite no local. “Foi montado com tudo que eles precisam neste primeiro momento”, ressaltou Domingos.

Durante a manhã de sábado, os refugiados tomaram café da manhã todos juntos e responderam um cadastro realizado por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) para refugiados. Em seguida, eles receberam as vacinas obrigatórias no Brasil. Equipes da Prefeitura de Praia Grande aplicaram os imunizantes.

Refugiados foram vacinados em Praia Grande, SP. — Foto: Ágata Luz/g1

De acordo com a prefeitura, uma equipe realizou o levantamento sanitário e, neste primeiro contato, foi constatado que os integrantes do grupo estão saudáveis e sem sinais de sarna. Na semana passada, ao menos 20 refugiados foram diagnosticados com escabiose. O surto de sarna foi identificado na quinta-feira (22) por médicos da Prefeitura de Guarulhos.

Os refugiados estavam temporariamente no Aeroporto de Guarulhos e foram transferidos para Praia Grande na noite desta sexta-feira (30). Eles passaram mais de cinco horas em um ônibus e chegaram a ficar parados na Via Anchieta, até autorização para seguir viagem ao abrigo.

O abrigo havia sido lacrado por fiscais da administração municipal por falta de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A liberação aconteceu depois de uma reunião na noite de desta sexta-feira (30) entre o ministro da Justiça, Flavio Dino, e a prefeita Rachel Chini (PSDB), que fez uma série de exigências.

A chefe do Executivo pediu, durante a permanência dos afegãos na cidade, que sejam mantidos policiais federais ou estaduais na porta do abrigo para controle de acesso. Rachel também solicitou que seja montado um ambulatório com, no mínimo, dois médicos e equipes para atendimentos e tratamentos.

Refugiados afegãos chegaram a Praia Grande, SP — Foto: Matheus Croce/TV Tribuna

A prefeitura ainda pediu roupas de cama e banho para trocas diárias no enfrentamento à sarna, intérprete, convênio para o pagamento de exames laboratoriais e outros necessários, além da definição de um prazo de estadia.

Pouco antes de firmar o acordo com a prefeita Rachel Chini, o ministro Flávio Dino usou as redes sociais para reforçar o compromisso que o país tem com os visitantes, ainda mais na situação de refugiados, como os afegãos.

“O Brasil tem leis e nós estamos cumprindo. Esperamos das demais autoridades públicas idêntico comportamento. Lembro que há milhões de brasileiros morando em outros países e sempre desejamos que eles sejam respeitados. Então devemos dar o exemplo na nossa casa”, consta em trecho da publicação do ministro.

A prefeitura, após ter aceitado receber os imigrantes refugiados, afirmou que “acolhe a todos com carinho e alegria”, que “se solidariza com as causas humanitárias e o atual momento do povo afegão”. Ao mesmo tempo, porém, a prefeita disse ter deixado claro ao ministro que a responsabilidade por todo o tempo que os afegãos ficarem na cidade será do governo federal.

A ação partiu da deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP). A parlamentar contatou o vereador Hélio Rodrigues (PT), da capital, que reservou o espaço de forma provisória.

“Trata-se de um encaminhamento com estadia emergencial até que se estruture uma ação conjunta para acolher de fato os imigrantes, que têm vistos humanitários e não estão em situação irregular no país”, explicou Juliana. Segundo a assessoria da deputada, hotéis e pousadas se recusaram a receber os afegãos porque parte dos imigrantes passam por um surto de sarna.

Na última contagem, realizada no domingo (25), 208 refugiados afegãos estavam abrigados no aeroporto. Ao todo, existem 1.059 vagas destinadas a imigrantes e refugiados em centros de acolhida em São Paulo e em Guarulhos, incluindo equipamentos gerenciados pelas prefeituras e pelo governo do estado. Entretanto, no momento, 100% dessas vagas estão ocupadas.

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Por: G1

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