G1 Santos

Segundo painel da Agenda ESG abordou questões de desigualdade de raça e gênero

today3 de novembro de 2023

Fundo
share close

Segundo pesquisa citada pelo especialista, 78,9% da população brasileira mais pobre é composta por negros, enquanto 72,3% dos mais ricos são brancos, demonstrando a desigualdade, sobretudo, racial.

No segundo encontro da Agenda ESG, promovida pelo Grupo Tribuna, que ocorreu nesta quinta-feira (26), o eixo “social” – representado pela letra “S” na sigla ESG, que se refere a critérios ambientais, sociais e de governança – foi o foco central das discussões.

O segundo painel reuniu especialistas para abordar questões relevantes relacionadas à desigualdade social e representatividade nas empresas.



De acordo com Lima, é necessário que o futuro seja moldado no presente, com o protagonismo sendo dado a pessoas que possuem propriedade na fala e tenham conhecimento sobre a história do Brasil.

Ivan Lima, líder do Lide Equidade Racial — Foto: Vanessa Rodrigues/Grupo Tribuna

Andrea Napolitano, por sua vez, expressou sua perspectiva sobre o espaço e o poder. Ela é fundadora da startup sem fins lucrativos Akiposso+, que leva acesso às pessoas em vulnerabilidade, e acredita que é necessário conquistar o espaço antes de ter o poder, demonstrando competência e resiliência para chegar lá.

“Eu já atingi cargos altos através de sistema de cotas. Ser mulher no mercado de trabalho sempre foi difícil, mas eu respondo isso entregando os melhores resultados”, disse Andrea.

Na visão da especialista, conquistar poder dentro de uma instituição sendo uma mulher é uma tarefa complicada. O machismo dentro das corporações ainda impede a diversidade de gêneros entre os cargos.

De acordo com Andrea, é possível adentrar esses ambientes com foco e entrega de resultados.

“Temos que ter espaços antes de ter poder para provar nossa competência. Só cheguei no lugar que cheguei mostrando minha qualificação. Precisamos mostrar nossos melhores resultados, para calar quem não acredita em nós”, salientou.

Andrea Napolitano, painelista do segundo encontro da Agenda ESG — Foto: Vanessa Rodrigues/Grupo Tribuna

Scarlett Rodrigues, coordenadora do Instituto Ethos, abordou a participação ativa da empresa na vida profissional e pessoal dos colaboradores. Ela afirma que as instituições devem olhar para os trabalhadores como pessoas, e não apenas como funcionários.

“Precisamos tirar o lado ‘CNPJ’ e considerar o corpo que lidera a empresa. É necessário falar de seres humanos, para, depois, debater questões empresariais”, apontou.

Scarlett ressaltou a importância de ter representatividade negra em posições de decisão, afirmando que o poder só será possível quando os negros estiverem presentes nesses espaços.

“Para ter políticas e práticas mais assertivas, temos que trabalhar a perspectiva do diagnóstico da empresa. As empresas podem já ter funcionários negros, mas eles não estão em cargos estratégicos”.

A profissional ainda afirmou que falar sobre o campo social das empresas vai além de envolvimento em projetos sociais. “Social de verdade é geração de emprego com qualidade, igualdade salarial, saúde mental, entre outras diversas coisas”.

A coordenadora afirma que a responsabilidade de combate ao racismo é de pessoas que não são negras. Junto a isso, a violação de direitos e igualdade precisam ser observadas pelas lideranças das empresas.

“A responsabilidade de combater o racismo não é das pessoas negras. É preciso se atentar à saúde mental dos trabalhadores negros, já que, segundo estatísticas, eles recebem 42% a menos do que uma pessoa não-negra. As empresas precisam reparar essas violações e promover justiça social”

Scarlett Rodrigues abordou questões raciais no encontro — Foto: Vanessa Rodrigues/Grupo Tribuna

Inclusão na empregabilidade

Andrea também enfatizou a necessidade de as empresas estarem mais abertas à diversidade. “As pessoas, atualmente, não contratam pessoas com deficiência. O problema está em como os recrutadores e toda a cultura empresarial estão recebendo essas pessoas para destravar esses talentos”.

De acordo com pesquisa do IBGE, em 2019, a taxa de participação para pessoas com deficiência (28,3%) era menos da metade do que entre as pessoas sem deficiência (66,3%).

Esse indicador mede a proporção de ocupados e de desocupados entre as pessoas com 14 anos ou mais de idade.

Ivan encerrou o painel abordando a questão da dificuldade das pessoas negras se candidatarem e destacando a importância de admitir a existência do racismo e transformar a teoria da diversidade em prática inclusiva.

“Durante muitos anos, tivemos uma ideia racista implantada de que não existia racismo no Brasil. Tanto o racismo, quanto o ESG, são pautas que precisam da consciência da sociedade e das empresas de que existem, sim, pontos a melhorar”, explicou.

Propriedade de fala entre painelistas

Os mediadores do painel, Arminda Augusto e Gesner Oliveira, consideraram o debate importante para a transformação social.

“Fico feliz por termos falas de pessoas com propriedade. São falas que não transitam pelos ambientes com frequência, que possuem legitimidade e provocam reflexões”, disse Arminda.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

conscientizacao-social-comeca-com-os-lideres-das-empresas,-segundo-especialistas

G1 Santos

Conscientização social começa com os líderes das empresas, segundo especialistas

Apenas 19% dos homens negros e 12% das mulheres negras têm presença expressiva no mercado de trabalho, muitas vezes ocupando cargos de baixo valor ou em posições iniciais. Além disso, a presença de negros em cargos de gerência ainda é pequena, com apenas 7% de representatividade, majoritariamente composta por homens. A interseccionalidade entre raça e gênero O segundo encontro da Agenda ESG, promovido pelo Grupo Tribuna na última quinta-feira (26), […]

today3 de novembro de 2023 4

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%