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Sobreviventes das enchentes na Líbia enfrentam a escassez de água e o risco de minas terrestres

today18 de setembro de 2023 14

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Mais de 11,3 mil pessoas morreram por conta da chuva. Outros cerca de 10 mil seguem desaparecidos, principalmente na cidade de Derna, mais afetada após a quantidade de chuva destruir duas barragens e alagar a região central do município. Equipes de resgate procuram corpos em meio aos escombros e também na praia (veja fotos abaixo).

Equipes de resgate procurando corpos de vítimas em uma praia, após as enchentes — Foto: Ayman Al-Sahili/ Reuters



Estragos provocados por inundação na cidade de Derna, na Líbia — Foto: Esam Omran Al-Fetori/ Reuter

A mídia estatal informou que pelo menos 891 edifícios foram destruídos na cidade e prefeito disse que 20 mil pessoas podem ter morrido.

“Estou em nossa área tentando limpá-la e tentando verificar quem está desaparecido”, disse Hamad Awad.

“Ainda não sabemos nada, estamos ouvindo rumores, alguns estão tentando nos tranquilizar, outros estão dizendo que é preciso deixar a cidade ou ficar aqui. Não temos água nem recursos”, disse o morador, que deu apenas um nome, Wasfi.

Rastro de destruição após as enchentes em Derna, na Líbia, em 17 de setembro — Foto: Esam Omran Al-Fetori/ Reuters

Um relatório do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) indicou que as autoridades líbias verificaram que pelo menos 55 crianças tiveram problemas com contaminação por beber água poluída em Derna, onde os desabrigados estavam sobrevivendo em abrigos improvisados, escolas ou amontoados em casas de parentes ou amigos.

As águas das enchentes deslocaram minas terrestres e outros artefatos remanescentes de anos de conflito, o que representa um risco extra para os milhares de pessoas deslocadas, afirmou o órgão.

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As organizações de ajuda humanitária enviaram ajuda emergencial e alguns países enviaram suprimentos, embora as autoridades de ajuda internacional digam que é necessário muito mais ajuda.

“As pessoas vieram com ajuda de todos os lugares, e isso facilitou as coisas para nós, e sentimos que não estamos sozinhos”, disse Hassan Awad, morador de Derna, enquanto trabalhadores da proteção civil da Argélia procuravam sobreviventes nos escombros de edifícios de vários andares na cidade.

Awad apontou para um poste enferrujado esticado entre dois prédios e disse que foi se agarrando a ele que sua família sobreviveu à enchente que destruiu sua casa, cobrindo tudo de lama.

“Encontramos cadáveres de vizinhos, amigos e entes queridos, não consigo explicar”, disse ele.

Em al Badya, um assentamento costeiro a oeste de Derna, o hospital estava tratando de vítimas de Derna, além das suas próprias vítimas.

Os médicos construíram barragens improvisadas na rua quando houve a inundação para tentar conter a água, mas ela subiu dentro do prédio.

“Isso afetou o maquinário e a infraestrutura do nível inferior do hospital”, disse o diretor do hospital, Abdel Rahim Mazek.

Em outras partes da cidade, voluntários distribuíram roupas e alimentos.

“As pessoas deixaram suas casas sem nada, não tinham nem mesmo roupas íntimas”, disse um dos supervisores da iniciativa, Mohammad Shaheen.

O voluntário Abdulnabi disse que a equipe veio de Ajaylat, a cerca de 800 milhas (1.200 km) de distância, no oeste da Líbia, dividida do leste por mais de uma década de conflitos intermitentes.

“As pessoas estão se unindo para ajudar os afetados”, disse ele.

Vídeo gravado com drone mostra devastação causada por enchente na Líbia

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O país de 7 milhões de habitantes não tem um governo central forte desde a revolta apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que derrubou Muammar Gaddafi em 2011 e sua riqueza petrolífera está dispersa entre grupos concorrentes.

Os analistas disseram que o desastre trouxe algum nível de coordenação entre a administração apoiada internacionalmente em Trípoli, no oeste, e a administração rival, no leste, mas que os esforços de reconstrução provavelmente reabririam as falhas.

O relatório da OCHA disse que pelo menos 11,3 mil pessoas morreram e mais de 10 mil pessoas estavam desaparecidas em Derna depois que a tempestade Daniel varreu o Mediterrâneo e atingiu a cidade e outros assentamentos costeiros, mas as autoridades contestaram os números.

Um porta-voz do Crescente Vermelho – como é chamada a ONG Cruz Vermelha em países de maioria islâmica -, que o OCHA citou para obter os dados, disse que não havia publicado um número de mortos e encaminhou a Reuters aos porta-vozes do governo, dizendo que “os números estão mudando e o Crescente Vermelho não é responsável por isso”.

Um funcionário da administração do leste da Líbia, Dr. Osama Al-Fakhry, disse: “O número de mortos até agora é de 3.252, e eles são aqueles que foram enterrados”.

Ele disse que 86 pessoas foram retiradas dos escombros e que as operações continuam.

“Não há um número específico para os desaparecidos, porque há famílias inteiras que morreram e ninguém veio informar, além do fato de que há duplicação de registro em vários hospitais”, disse Al-Fakhry, gerente de escritório do ministro da saúde no leste.

A OCHA disse que mais de 40 mil pessoas foram deslocadas, alertando que o número provavelmente é muito maior, já que o acesso foi restrito às áreas mais afetadas, como Derna.




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Por: G1

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