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Submarinos nucleares separados por uma ilha: Kazan e USS Helena são as estrelas do ‘chumbo trocado’ entre Rússia e EUA; INFOGRÁFICO

today15 de junho de 2024 10

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A decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de fazer um exercício militar ao lado do território americano é um ato simbólico na disputa geopolítica entre as duas potências mundiais —e representa um “chumbo trocado” geopolítico, disse ao g1 o professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG) Ronaldo Carmona. (Leia mais abaixo).

As “estrelas” dessa provocação trocada são os submarinos dos dois países, ambos, diz Carmona, com capacidade para lançar mísseis nucleares. Nenhum dos países se manifestou a esse respeito; Cuba disse que não havia armas nucleares nos equipamentos russos. Espera-se que os navios russos permaneçam no país caribenho até segunda (17).

Conheça as embarcações dos dois países:



  • Na Marinha russa desde 2021;
  • Profundidade máxima de 600 metros;
  • Equipado com mísseis de cruzeiro de longo alcance KH-101, mísseis de cruzeiro antinavio e mísseis hipersônicos 3M22 Zircon.

  • Na Marinha americana desde 1987;
  • Profundidade máxima de 600 metros;
  • Equipado com mísseis Tomahawk e torpedos MK-48.

Tanto o Kazan quanto o USS Helena têm a capacidade de lançar ogivas nucleares e tubos que permitem lançar mísseis verticalmente. O submarino russo é uma das embarcações mais novas da Marinha do país, enquanto a americana, mais antiga, passou por uma modernização recente.

Segundo o Ministério da Defesa russo, assim como o Kazan, o Almirante Gorshkov está equipado com mísseis hipersônicos Zircon, que tem alcance de 1.000 quilômetros e superam em nove vezes a velocidade do som (cerca de 11.000 km/h). (Veja mais especificações das embarcações abaixo)

Na retaguarda do USS Helena, o Exército dos EUA designou uma frota que inclui três destróieres lançadores de mísseis, um navio da Guarda Costeira e uma aeronave de patrulha marítima.

Background image

Navios de guerra Rússia e EUA em Cuba

Foto: Luisa Rivas, Dhara Assis e Bruna Azevedo/equipe de arte g1

“Chumbo trocado” e ameaça nuclear

“Nenhum dos barcos carrega armas nucleares, então a parada no nosso país não representa uma ameaça para a região”, disse o ministério cubano em nota.

Os EUA também não informaram se o seu submarino leva mísseis nucleares. O governo norte-americano não considera o exercício russo uma ameaça, mas está monitorando os exercícios de perto, disse o Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan.

Entretanto, a movimentação entre EUA e Rússia é típica da disputa geopolítica entre potências mundiais e é um “chumbo trocado” no contexto de disputa sistêmica por poder, disse Ronaldo Carmona ao g1.

“Num contexto de que o mundo passa por uma grande instabilidade, de radicalização, de crise, qualquer ação deste tipo tende a escalar e ter uma repercussão de maior significado. Uma marolinha se torna um tsunami. A visita russa está no plano do simbolismo, é um chumbo trocado no cenário da disputa geopolítica mundial”, disse Carmona

Além disso, o professor acredita que um enfrentamento militar entre Rússia e EUA não se daria dessa maneira, e sim com o uso de mísseis balísticos nucleares.

“A ação russa provocou imediatamente uma reação dos EUA porque Cuba está localizada a 160 km da Flórida, então é uma questão de alta sensibilidade para a segurança nacional americana. Assim como a Ucrânia é uma questão de alta sensibilidade nacional da Rússia”, afirmou Carmona.

Navios de guerra russos, incluindo o submarino Kazan, chegam a Cuba para exercícios militares em 12 de junho de 2024. — Foto: Ministério da Defesa da Rússia

Recentemente, houve uma mudança na guerra da Ucrânia: diante do avanço russo, os países aliados permitiram que as forças ucranianas usem armas fornecidas por eles para atacar território russo, o que Putin considerou uma escalada séria no conflito.

A caminho para Cuba, os navios russos realizaram exercícios militares no Oceano Atlântico, em que simularam ataques a alvos marítimos a 600 quilômetros de distância com mísseis hipersônicos, segundo o Ministério de Defesa russo.

Navio USS Helena da Marinha dos Estados Unidos. — Foto: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist Seaman April M. Currie, Public domain, via Wikimedia Commons

A história pesa muito em Cuba, especialmente quando se trata da Rússia. Durante a Guerra Fria, entre 1947 e 1991, EUA e União Soviética (que continha a Rússia) protagonizaram uma corrida armamentista sob altas tensões.

Um dos capítulos da Guerra Fria foi a Crise dos Mísseis Cubanos, em 1962, quando a União Soviética respondeu ao lançamento americano de mísseis na Turquia enviando mísseis balísticos para Cuba, desencadeando uma queda de braço que levou o mundo à beira da guerra nuclear.

Ouvido pela Reuters, o professor William Leogrande da American University disse que o envio de navios a Cuba desta vez acontece no contexto da pior crise social e econômica de Cuba em décadas, com escassez de alimentos, remédios e combustíveis, e crescente descontentamento nas ruas.

“O movimento russo tem ecos da Guerra Fria, mas, ao contrário da primeira Guerra Fria, os cubanos são atraídos por Moscou não por afinidade ideológica, mas por necessidade econômica”, disse Leogrande.

Entretanto, o professor alertou que a visita é uma demonstração de poder russo ao governo americano. Havana está a apenas 160 quilômetros de Key West, Flórida, onde fica uma Estação Aérea Naval dos EUA. Dadas as tensões na Ucrânia, a visita russa sugere mais do que “prática padrão”, segundo Leogrande.

“A presença dos navios de guerra russos em Cuba são a forma de Putin lembrar a Biden que Moscou pode desafiar Washington em sua própria esfera de influência”, disse Leogrande.

Submarino nuclear russo Kazan chega à baía de Havana, em Cuba, em 12 de junho de 2024 — Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Pessoas observam chegada da fragata russa Almirante Gorshkov em Havana, em 12 de junho de 2024 — Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Desde o começo da guerra, países do Ocidente deram armas para que a Ucrânia se defendesse da invasão russa.

Recentemente, houve uma mudança: os governos dos países aliados da Ucrânia permitiram que as forças ucranianas usem essas armas para atacar território russo.

Na quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que essa decisão é uma escalada séria, e que, se essas armas forem empregadas, provavelmente isso será feito com o uso de militares e sistemas dos países ocidentais.

O presidente Joe Biden, dos EUA, não autorizou a Ucrânia a usar todas as armas fornecidas pelos EUA contra território russo —os mísseis ATACMS, que têm alcance de até 300 km, não podem ser empregados contra a Rússia.

Putin afirmou que se forem usados ATACMS americanos ou mísseis Storm Shadow, do Reino Unido, Moscou vai responder de maneira mais forte. Veja o que o presidente russo afirmou:

“Nós vamos melhorar nossas defensas aéreas para destruí-los. Em segundo lugar, se alguém pensa que é possível enviar armas como essas a uma zona de guerra para atacar nosso território e criar problemas para nós, então por que nós não teríamos o direito de enviar as nossas armas de mesma classe para regiões do mundo onde ataques podem ser feitos contra instalações dos países que fazem isso contra a Rússia? A resposta pode ser assimétrica. Se virmos que esses países estão sendo atraídos para uma guerra contra a Federação Russa, nós nos damos o direito de agir de forma igual.”

Vladimir Putin durante entrevista em 5 de junho de 2024 — Foto: Vladimir Astapkovich/Sputnik/Via Reuters




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Por: G1

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