O ódio gratuito contra a Bíblia e a religião em afiliada da Globo
Rafael Durand - 09/04/2026 13h10 José Carlos Magdalena Foto: Divulgação O Estado Democrático de Direito assegura a todos a liberdade de consciência e de crença. Isso inclui, por óbvio, o direito de não professar fé alguma, de ser ateu, agnóstico e até mesmo de tecer críticas ácidas às instituições religiosas. Ninguém é obrigado a seguir a fé cristã ou a considerar a Bíblia como a Palavra de Deus. No entanto, o que separa a crítica legítima da criminalidade é o vilipêndio hostil, ou seja, o ato de ser intolerante, ultrajar, escarnecer e agredir, gratuitamente, o sentimento religioso alheio! Recentemente, fomos confrontados com um episódio de intolerância visceral protagonizado pelo jornalista José Carlos Magdalena. Em pleno exercício de sua profissão, durante o programa Bastidores, na rádio EP FM Araraquara (afiliada da Globo na região), ele utilizou o microfone para destilar um desprezo rasteiro contra o livro sagrado do Cristianismo. Ao dizer frases como “A Bíblia é o cacete!”, chamá-la de “livrinho idiota” e compará-la a fezes, o comunicador não estava meramente exercendo seu direito de crítica, mas estava cometendo, em tese, um crime previsto no Artigo 208 do Código Penal. Neste sentido, existe um abismo entre dizer “não concordo com os preceitos bíblicos” e afirmar que “a religião é demoníaca e deveria ser banida da sociedade”. A primeira frase é uma opinião protegida e legítima.A segunda, por sua vez, é um discurso de ódio que busca a extirpação social de um grupo. Ademais, cabe destacar que o ataque desferido pelo jornalista não é um fato isolado, mas a reiteração de um padrão que já havíamos exposto aqui no Pleno.News. Trata-se da mesma linha de intolerância observada na conduta de Eduardo Bueno, o ‘Peninha’, que sustentou a criminosa e antidemocrática tese de que evangélicos deveriam ser impedidos de votar (leia aqui). É impossível não notar a seletividade desse tipo de ataque. Se tais impropérios tivessem sido proferidos contra símbolos de outras religiões ou contra pautas identitárias caras à patrulha woke, o cancelamento seria imediato, a demissão seria sumária e a responsabilização criminal seria exigida em coro pela grande mídia. Por que contra os cristãos o ódio é tolerado como se fosse “liberdade de expressão”? Para além da esfera da fé, atacar a Bíblia com tamanha ignorância revela uma profunda carência de formação intelectual. Ora, a Bíblia não é apenas um livro religioso, é uma das fontes primordiais do Direito Ocidental e o alicerce da nossa civilização. Os conceitos de dignidade da pessoa humana, justiça social e igualdade perante a lei bebem diretamente da fonte das Escrituras. Até mesmo mentes declaradamente ateias reconhecem essa magnitude. O historiador Leandro Karnal, em uma reflexão cirúrgica sobre o tema, certa feira pontuou: “Bíblia: Livro formador do pensamento ocidental. Sem ela quase nada faz muito sentido, da Capela Sistina ao Caim de Saramago. Não é religioso? Aprenda que o seu gosto é irrelevante na formação do mundo ocidental. Tem ojeriza a textos religiosos? Você será pó e a Bíblia continuará a ter muita influência no mundo mil anos depois que seu sobrenome tiver virado fumaça nas brumas do tempo. Formação não é preferir coca zero com gelo ou só limão. Formação é processo de diálogo denso e árduo com as bases do mundo.” Juridicamente, como bem destacou a Frente Parlamentar Evangélica em nota de repúdio (leia aqui), e conforme as previsões da Lei Estadual de Liberdade Religiosa de São Paulo (Lei Nº 17.346/2021), de autoria da Deputada Estadual Damaris Moura, a proteção ao sentimento religioso não é um privilégio de casta, mas uma salvaguarda da paz pública. De modo que o vilipêndio pode atrair sanções que vão de multas administrativas vultosas à reclusão (Art. 208, CP). Portanto, não podemos permitir que o silêncio seja o cúmplice da intolerância. O respeito ao sagrado é o que garante que possamos viver em uma sociedade plural. Se hoje permitimos que a Bíblia seja tratada como “lixo” em rede nacional, amanhã não haverá direito algum que esteja seguro contra a fúria dos intolerantes. A democracia exige o direito de divergir, mas a civilidade exige o dever de respeitar! Rafael Durand é advogado, mestre em Direito, pós-graduado em Direito Público e em Direito Digital, professor, membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-PB, fundador do NEPC3 – Núcleo de Estudos em Política, Cidadania e Cosmovisão Cristã, autor de artigos e obras jurídicas. * Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro Se você encontrou erro neste texto, por favor preencha os campos abaixo. 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