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Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos
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Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos

Por Verônica Bareicha
07 de April, 2026
3 Visualizações
Imagem da Notícia: Isto, isso ou aquilo: Descomplicando os pronomes demonstrativos

Verônica Bareicha - 07/04/2026 09h31

 

Escolhas (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

Hoje quero compartilhar um poema fofo, daqueles que a gente lê achando que é só para criança… até perceber que não é. Acompanhe comigo:

Ou isto ou aquilo – Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

A ideia de Cecília é falar sobre escolhas. E daria para a gente ficar aqui filosofando um tempão sobre isso… mas hoje quero puxar a conversa para outro lado: os pronomes. Mais especificamente os demonstrativos: isto, este, isso, essa, aquilo, aquele. Sim… eu sei. Só de ler, teve gente que já se arrepiou. Aposto. Mas vamos com calma; é simples.

Via de regra, pronomes são palavras que acompanham ou substituem substantivos. E os demonstrativos são aqueles que usamos para apontar coisas: no espaço, no tempo ou até dentro do próprio texto.

Então, quando Cecília diz “isto” e “aquilo”, ela não está só falando de escolhas. Ela também está sugerindo distância. De cara, já fica fácil notar que isto está perto de quem fala… e aquilo, distante. Notou?

É exatamente assim que os pronomes demonstrativos funcionam no espaço. Usamos este quando algo está perto de quem fala; esse, quando está perto de quem ouve; e aquele, quando está longe dos dois.

Pensando em escolhas, olhe só: ou escolho este chocolate delicioso aqui, na minha frente… ou elogio esse corpo que é seu… ou admiro aquele corpo lá longe, atravessando a rua.

Percebe como a escolha muda conforme a distância? Nesse sentido, os pronomes demonstrativos funcionam quase como um GPS da fala.

Mas há um detalhe que vive escapando: se você fala do lugar onde está, o correto é este. Por isso, nada de dizer: “Nesse país não tem um político honesto”. Se você está aqui, no Brasil, o correto é: “Neste país…” Combinado?

Agora, olhe só: o poema também nos ajuda a entender o tempo. Repare: a criança está sempre decidindo agora: “Vivo escolhendo o dia inteiro”. Tudo acontece no presente, no momento da escolha.

Por isso, usamos este para o tempo presente: “Este dia inteiro é feito de escolhas.”

Mas, quando olhamos para trás, a perspectiva muda: “Esse dia foi difícil, pois tive que escolher o tempo todo.” Note que esse se refere a um passado recente.

E, se for algo mais longe ainda: “Naquele tempo, quando eu era criança, escolher parecia mais simples.” Aqui, aquele aponta para um passado distante.

Agora vem a parte que parece mais complicada; mas vai por mim, não é.

Dentro do texto, os pronomes demonstrativos funcionam como setinhas invisíveis — e o poema mostra isso de forma sutil.

Quando Cecília escreve “ou isto ou aquilo”, ela ainda não explicou exatamente o que é “isto” ou “aquilo”. Ela abre possibilidades. Assim, isto aponta para frente, para tudo o que ainda será apresentado: chuva ou sol, luva ou anel, brincar ou estudar…

Depois que essas ideias aparecem, conseguimos retomar tudo: “Esse é o dilema do poema: escolher o tempo todo.”

Ou seja: este / isto apontam para o que ainda será dito; esse / isso retomam o que já foi dito.

No fim das contas, esses pronomes funcionam como dedos apontando para o agora, para o antes, para perto, para longe ou para algo que você ainda vai revelar.

Porque, na vida, sempre escolhemos e sempre é assim: ou isto… ou aquilo.

Espero ter ajudado. Um abraço e até a próxima!

Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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