O Brasil que “eles” não querem que você veja
Magno Malta - 10/04/2026 11h02
Caminhada pela anistia em Brasília Foto: EFE/ Andre BorgesEu tenho dito, repetido e, se preciso for, continuarei dizendo: o Brasil vive uma inversão moral escancarada. Neste país, quem deveria ser investigado é blindado; e quem deveria ser protegido é transformado em inimigo do Estado.
É dentro desse cenário que, no próximo dia 30 de abril, conforme anunciou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, teremos a votação do veto à dosimetria. Traduzindo para quem não circula nos corredores de Brasília, trata-se de uma tentativa, ainda tímida e insuficiente, de corrigir penas absurdamente desproporcionais impostas a brasileiros que, desde os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, vêm pagando uma conta pesada demais.
Sempre fui claro sobre a minha posição. Defendo anistia total, ampla e irrestrita. Não por cálculo político, mas por senso de justiça. No entanto, sei exatamente como o sistema opera. Admitir anistia seria reconhecer excessos e desmontar uma narrativa cuidadosamente construída e protegida por setores do governo Lula e por integrantes do Supremo Tribunal Federal. E isso, para eles, não é uma opção, é um risco que não estão dispostos a correr.
Enquanto isso, o Brasil real segue sendo varrido para debaixo do tapete. Escândalos envolvendo o INSS, que atingem diretamente idosos e pensionistas, passam quase despercebidos. Denúncias que tangenciam figuras próximas ao poder, como Fábio Luís Lula da Silva e Frei Chico, respectivamente filho e irmão do presidente da República, mal encontram espaço. E o que dizer das suspeitas que orbitam o chamado “caso Banco Master”? Um enredo que, segundo relatos, envolve autoridades de diversos níveis, do Legislativo ao Judiciário, mas que, curiosamente, não desperta o mesmo ímpeto investigativo.
É aí que a distorção fica evidente e revoltante. Enquanto os “intocáveis” são protegidos, o cidadão comum é esmagado. Condenações de 14, 16 anos. Tornozeleiras. Vidas interrompidas. Famílias destruídas. Não se trata apenas de justiça desigual; trata-se de um sistema que escolhe quem pode cair e quem jamais será alcançado.
E, como se o roteiro já não fosse previsível o suficiente, surge a figura emblemática de Jorge Messias, o “Bessias” que simbolizou os bastidores mais controversos do poder no governo de Dilma Rousseff. Hoje, reaparece com Bíblia na mão, circulando pelo Senado, em busca de viabilidade para uma vaga no Supremo. A pergunta não é retórica, é necessária: estamos diante de um candidato a magistrado ou de mais um operador político sendo reposicionado no tabuleiro?
O Brasil precisa ser passado a limpo, mas não com discursos seletivos nem com uma justiça moldada conforme o réu. O país precisa de coragem para enfrentar os verdadeiros esquemas, aqueles que têm nome, sobrenome, cargo e influência.
Enquanto essa coragem não se impõe, resta fazer o mínimo e aliviar o sofrimento de quem está pagando sozinho por uma conta que não contraiu. A derrubada desse veto está longe de ser o ideal, muito longe, mas pode representar um respiro. Um alívio temporário. Um raro gesto de humanidade em meio a um sistema que, há muito tempo, deixou de tratar todos como iguais
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
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