“Bessias” rejeitado
Magno Malta - 30/04/2026 11h22
Senadores da oposição comemoram derrota de Messias Foto: Carlos Moura/Agência SenadoJá observei muita articulação política nos bastidores de Brasília. Já soube de acordos costurados no silêncio dos gabinetes, já vi nomes improváveis serem empurrados goela abaixo da República. Mas o que aconteceu na tentativa de indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal tem um significado que vai além de uma simples derrota: foi um recado.
Desde o primeiro momento, me coloquei contra a indicação de Jorge Messias. Não por capricho, mas pelo seu histórico. O Supremo não pode ser extensão de governo, nem prêmio de consolação para aliados fiéis. A Constituição não foi escrita para atender interesses de ocasião.
Como já alertava Montesquieu, “tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo exercesse os três poderes”. E é exatamente isso que muitos tentaram normalizar.
Mas sei que o governo Lula trabalhou muito. Negociou, articulou, pressionou. Transformou a indicação para o STF em uma batalha política, quando deveria ser um processo institucional. A aprovação na CCJ, por 16 votos a 11, foi um sinal de que o rolo compressor estava funcionando. Confesso que, por um momento, pareceu que tudo já estava decidido.
Mas o plenário é outro campo. Ali, não há como esconder fragilidades com discursos ensaiados. E foi exatamente nesse ambiente que a verdade apareceu.
Messias não caiu apenas pelos números, 42 votos contrários contra 34 favoráveis. Caiu porque não conseguiu sustentar o peso da cadeira que pretendia ocupar. Fugiu de respostas, contornou questionamentos, demonstrou um distanciamento preocupante daquilo que se espera de um ministro da mais alta Corte do país: independência, clareza e coragem.
E aqui faço uma observação que pode incomodar alguns, mas é necessária. A pulseira com a frase “Sempre Foi Deus”, usada por ele, me chamou atenção. Não pela fé, que respeito profundamente, mas pela incoerência.
Há uma máxima que diz que, “a verdade é como um leão; não precisa ser defendida, basta ser solta”. E o que vimos foi justamente o contrário, uma tentativa constante de escapar da verdade.
Aliás, para nós, cristãos, Deus é verdade. E, se há distorção, há afastamento dessa premissa. A fé não pode ser usada como adereço quando falta firmeza moral.
Diante disso tudo, não poderia deixar de mencionar que o Senado, desta vez, cumpriu seu papel. Em meio a tantas críticas, houve ali um freio, uma demonstração de que nem tudo está perdido nas instituições.
Até porque, o que aconteceu não foi apenas a rejeição de um nome. Foi a negação de um método. Foi a mensagem de que o Supremo não é quintal do governo federal, nem extensão ideológica de projeto político.
Hoje, o que fica marcado na história não é apenas a derrota de Messias. É o alerta de que a democracia ainda respira, mas exige vigilância constante.
E eu continuo aqui vigilante. Porque, como sempre digo, o Brasil não pertence a um governo. Pertence ao povo. E os brasileiros merecem respeito!
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil.
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