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Ratinho não foi transfóbico coisa nenhuma

Por André Marsiglia
18 de March, 2026
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Ratinho não foi transfóbico coisa nenhuma

André Marsiglia - 18/03/2026 14h45

Apresentador Carlos Massa, o Ratinho Foto: Natalia Rampinelli / AgNews

A deputada federal Erika Hilton acionou o Judiciário contra o apresentador Ratinho após declarações em que ele afirmou que “mulher trans não é mulher”. Erika renunciou ao debate e o processou, usando a mão pesada do Estado para silenciar.

Um parlamentar deveria saber que opinião — por mais controversa que seja — não pode ser transformada em ilícito apenas por alguém se ofender com ela. O Judiciário não pode ser depósito de queixas emocionais.

Na lei brasileira, a responsabilização por falas não decorre de seu conteúdo, mas da presença de dolo, ou seja, da intenção de rebaixar o outro. Sem dolo, não há ilícito. Esse é um princípio do Direito que transita pelos chamados crimes contra a honra e dele decorrentes, como a transfobia. A fala precisa carregar o propósito de rebaixar. E opinião não rebaixa ninguém, ao menos em uma democracia.

Erika Hilton não é uma cidadã anônima discutindo uma questão pessoal. Ela é uma agente política, com mandato eletivo, inserida no debate e, se uma questão deixa de ser individual e passa a ter efeitos coletivos, torna-se, necessariamente, objeto de escrutínio público. A discussão sobre quem pode presidir uma comissão da mulher não é irrelevante. Ratinho expressou sua opinião sobre um tema que está no centro do debate público.

A tentativa crescente de retirar temas do campo do debate, rotulando discordâncias como preconceito ou discriminação tem o efeito de silenciar sem enfrentar o argumento. Se determinadas posições não podem sequer ser enunciadas, o debate deixa de existir, passando a vigorar a tirania do ofendido e a autocensura da dissidência.

Quando as pessoas deixam de falar o que pensam sobre temas de interesse público, não por falta do que dizer, mas por medo de consequências, está caracterizada a tirania estúpida e autoritária que vivemos no país.

André Marsiglia é advogado, professor de Direito Constitucional e especialista em liberdade de expressão.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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