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Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

Por Marisa Lobo
30 de March, 2026
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Alexandre de Moraes votou um PL que abre caminho para a perseguição de psicólogos cristãos?

Marisa Lobo - 30/03/2026 18h02

Atendimento psicoterápico (Imagem ilustrativa) Foto: Pexels/ Mart Production

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou a favor de um projeto de lei que, na prática, abre caminho para a perseguição de psicólogos que se denominam cristãos? Essa é a pergunta que precisa ser feita com coragem; porque o que está em jogo não é apenas uma questão técnica, mas um princípio fundamental de liberdade.

Há algo profundamente incoerente — e juridicamente questionável — no movimento que tenta impedir psicólogos de se identificarem como cristãos no exercício público de sua profissão. Não se trata de zelo ético. Trata-se, na prática, de um mecanismo de constrangimento ideológico que vem sendo aplicado de forma seletiva.

É preciso nomear o que está acontecendo: psicólogos cristãos têm sido desproporcionalmente visados, investigados e pressionados simplesmente por assumirem sua identidade. E eu falo não apenas como observadora, mas como alguém diretamente atingida.

Eu, Marisa Lobo, já respondi a inúmeros processos ao longo dos anos; não por má prática clínica comprovada, não por violação técnica objetiva, mas por me apresentar publicamente como psicóloga e cristã.

Isso não é um detalhe. Isso é um padrão.

A pergunta que precisa ser feita — e ainda não foi respondida de forma honesta — é: por que apenas o cristão?

Existem, há décadas, espaços consolidados dentro da Psicologia que dialogam com espiritualidade: psicologia de base espírita, interfaces com tradições orientais como o budismo, contribuições da tradição judaica. Nenhuma dessas expressões sofre o mesmo nível de vigilância, suspeição ou tentativa de silenciamento institucional. Não há campanhas sistemáticas para impedir que esses profissionais se identifiquem. Não há uma patrulha ideológica constante.

Mas quando o psicólogo diz: “Sou cristão”, imediatamente surge a tentativa de enquadramento, de censura, de associação indevida com práticas antiéticas.

Isso revela um problema grave: não estamos diante de uma discussão ética neutra, mas de um viés ideológico que transforma a identidade cristã em suspeita automática. E isso é inaceitável.

O Código de Ética do Psicólogo é claro ao vedar a imposição de crenças ao paciente. E isso deve ser rigorosamente respeitado — por todos, inclusive pelos cristãos.

Mas há uma distorção deliberada sendo construída: estão confundindo expressão de identidade com imposição religiosa.

Dizer “sou psicóloga e cristã” não é impor fé a ninguém. Palestrar em uma igreja sobre saúde mental não é crime. Dialogar com pessoas a partir de uma linguagem que elas compreendem culturalmente não é violação ética — é, muitas vezes, uma estratégia de acesso e cuidado. Aliás, aqui surge outra contradição prática que os críticos evitam enfrentar: e os pacientes cristãos?

Milhões de brasileiros são evangélicos ou católicos e, por razões legítimas, sentem-se mais seguros sendo atendidos por profissionais que compreendam sua cosmovisão. Se o psicólogo é proibido de se identificar, cria-se uma barreira de acesso. Na prática, isso pode gerar exclusão de cuidado.

Estamos, então, diante de um paradoxo: em nome de uma suposta proteção ética, restringe-se o acesso de uma população inteira a um atendimento psicologicamente mais aderente à sua realidade cultural e espiritual. Isso não é proteção. Isso é exclusão.

Outro ponto que precisa ser enfrentado com clareza: nenhuma outra profissão impõe esse tipo de silenciamento identitário. Médicos, advogados, professores — todos podem declarar sua fé sem que isso seja automaticamente interpretado como infração. Por que, então, a Psicologia deveria exigir essa “assepsia ideológica” apenas quando se trata de cristãos?

A resposta, ainda que desconfortável para alguns, aponta para a influência de uma militância que não é simplesmente laica — mas, em muitos casos, explicitamente contrária ao cristianismo. E essa militância tem conseguido pautar interpretações restritivas que extrapolam o texto ético e avançam sobre direitos fundamentais.

É fundamental reafirmar: liberdade religiosa inclui o direito de expressão pública da fé. Identidade não é infração ética.

Conduta antiética deve ser punida — independentemente da religião —, mas identidade não pode ser criminalizada.

Transformar psicólogos cristãos em alvos recorrentes de processos e sanções por aquilo que são — e não por aquilo que fazem — é abrir um precedente perigoso para toda a categoria. Hoje são os cristãos. Amanhã, pode ser qualquer outra visão de mundo considerada “inconveniente”.

A Psicologia, enquanto ciência humana, deveria ser a primeira a defender a pluralidade, a liberdade de consciência e o respeito à diversidade de crenças. Quando falha nisso, perde não apenas coerência institucional, mas legitimidade ética.

Portanto, a defesa do psicólogo cristão não é uma defesa corporativa ou religiosa isolada. É uma defesa de princípios fundamentais: liberdade, isonomia e integridade profissional. E esses princípios não são negociáveis

Marisa Lobo atua como psicóloga e psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erro

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