5 de Maio: Dia Mundial da Língua Portuguesa
Verônica Bareicha - 05/05/2026 10h39
Mapa da língua portuguesa pelo mundo (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPTHoje, dia 5 de maio, é comemorado o Dia Mundial da Língua Portuguesa, você sabia?
A princípio, essa data foi estabelecida pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para celebrar a língua portuguesa e a cultura lusófona, isso em 2009.
Só para você saber, a CPLP é composta por nove países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Timor Leste e Cabo Verde.
Foi em 2009, inclusive, que passou a vigorar em nosso país, o novo acordo ortográfico da língua. Quando muita gente boa passou a se confundir com acentos e letras que caíram em desuso. Lembra?
Agora, já em 2019, a UNESCO decidiu proclamar o dia 5 de maio de cada ano como o “Dia Mundial da Língua Portuguesa”. E por quê? Porque o nosso bom português é um dos idiomas mais difundidos no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, mas é também a língua mais falada no hemisfério sul; graças a nós, brasileiros.
Trago este tema hoje, claro, por ser a data, mas também porque, na semana passada, falei sobre preconceito linguístico e comentei as muitas variações da língua dentro do nosso próprio país. Agora, imagine a “mesma língua” sendo falada em nove países diferentes por tantas pessoas? Pois é…
O Brasil é, hoje, a maior nação de língua portuguesa do mundo. E o nosso português carrega marcas profundas da nossa formação. Desde a colonização, incorporamos palavras de línguas indígenas como anta, caipira, Paraná, Ibirapuera, arara, canoa, carioca, capivara, mandioca, oca, açaí, jurema… a lista é longa.
Depois, com o processo de escravização, o idioma também absorveu termos de diversas línguas africanas. Palavras como cacunda, caçula, dengo, fubá, angu, jiló, quiabo, dendê — e tantas outras — fazem parte do nosso vocabulário até hoje.
Mais tarde, com a chegada de imigrantes europeus e a influência cultural de outras potências — especialmente dos Estados Unidos — seguimos incorporando novos termos. Porque a língua é assim: viva, inquieta, em constante transformação.
No entanto, os outros países de língua portuguesa tiveram trajetórias diferentes e, por isso, mantiveram um português mais próximo ao europeu, que, por sua vez, guarda maior semelhança com o latim; a origem de tudo.
Agora, pra mim, isso é o máximo: o português que falamos é tão expressivo que há linguistas que defendem que ele deveria ser chamado de “brasileiro”, porque, as diferenças em relação ao português de Portugal — e mesmo de outros países lusófonos — são claras, tanto no vocabulário quanto na pronúncia.
Aliás, esse contraste tem gerado até situações interessantes. Recentemente, após o período da pandemia, pais portugueses passaram a se preocupar com suas crianças que, consumindo conteúdo online, começaram a falar mais “brasileiro” do que o “português”. Veja só…
Mas para sermos práticos, bem rapidinho, vou mostrar algumas dessas diferenças. Por exemplo, no Brasil, fazemos fila. Em Portugal, forma-se uma bicha. Aqui usamos celular. Lá, telemóvel. Em terras brasileiras pagamos aluguel. Já do outro lado do oceano eles fazem arrendamento.
Ainda, aqui, vamos ao banheiro. Lá, eles vão à casa de banho. E a nossa calçada lá, se torna passeio — aliás, em Minas Gerais, os mineiros também usam passeio.
O que quero destacar hoje é o seguinte: no fim das contas, não se trata de certo ou errado; mas de história, cultura e identidade. Da mesma forma que acontece dentro de nosso próprio país com as diferenças no idioma de uma região para a outra.
Então, ainda que uma data instituída… e que, para muitos, tenha um quê político nisso, celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa é, também, reconhecer que falamos uma língua que não cabe em um único formato. Até porque, ela atravessa oceanos, mistura povos, absorve histórias e, ainda assim, continua sendo muito nossa. E, talvez, seja exatamente isso que a torna tão bonita.
Portanto, feliz Dia Mundial da Língua Portuguesa para nós! E parabéns por falarmos um idioma tão lindo!
Um abraço e até a próxima!
Verônica Bareicha ama palavras e letrinhas desde sempre. Há vinte e tantos anos atua como revisora, redatora e ghostwriter. É pós-graduanda em Jornalismo Digital pela FAAP; pós-graduada em Mercado Editorial pela PUC-Rio e graduada em Letras, pelo Unasp-EC. Deseja neste espaço compartilhar o amor e dicas da língua portuguesa de forma leve, bem-humorada e divertida.
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