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Entenda o que vai mudar com a adesão da Finlândia à Otan

today5 de abril de 2023 8

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Nesta terça-feira, o último empecilho para a adesão da Finlândia a Otan será resolvido: colocando fim a um impasse de meses, a Turquia registrará formamelmente sua ratificação do protocolo que permite que um país se torne membro da organização. Em seguida, Helsinki apresentará os documentos necessários para se tornar o 31° membro da aliança atlântica. 

Na capital belga, uma cerimônia marcou a entrada da Finlândia à Otan. Diante da sede da organização, a bandeira finlandesa será hasteada, oficializando o processo que enfrentou altos e baixos nos últimos meses. 

Bandeira da Finlândia é hasteada do lado de fora do prédio da Otan em Bruxelas, na Bélgica — Foto: Johanna Geron/Pool/REUTERS



A adesão coloca fim ao princípio de neutralidade da Finlândia, adotado em 1944 diante da então União Soviética. A invasão da Ucrânia, uma prova de força da estratégia de Moscou, teve o efeito contrário. A Rússia passará a compartilhar 1.340 quilômetros de fronteiras com um país da Otan, a quem a proteção mútua está garantida pelo artigo 5 do tratado da aliança. 

O Kremlim prometeu nesta terça-feira tomar “contra-medidas” à adesão da Finlândia, classificando a expansão como “um ataque à segurança” da Rússia. “Vamos acompanhar atentivamente o que acontece (…) a maneira como isso nos ameaça”, afirmou nesta terça-feira o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov. 

A Finlândia nunca negligenciou suas capacidades militares, apesar de ter respeitado o princípio de neutralidade por 79 anos. Helsinki conta com um arsenal de 1.500 peças de artilharia, uma centena de tanques Leopard 2, e cerca de 50 caças F/A 18 Hornet; outros 60 F-35 devem chegar em breve ao país. Com a adesão, a Otan também contará com 19 mil militares e cerca de 280 mil reservistas finlandeses. 

Para os países bálticos, que contam com uma fronteira terrestre de apenas 65 quilômetros da Lituânia com a aliada Polônia, no sul, o novo membro da organização é uma garantia de segurança. Estônia, Letônia e Lituânia terão agora uma nação da aliança no norte, do outro lado do mar Báltico. 

Maioria das transferências de armas ocidentais foi para a Ucrânia, como este Leopard 2 de fabricação alemã — Foto: Martin Meissner/AP Photo

No norte do continente europeu, a Finlândia também é uma garantia de defesa à Noruega, que faz fronteira com a Rússia, representando a Otan no Ártico, diante dos interesses crescentes de Moscou na região e também da China, uma importante aliada da Rússia. 

Helsinki já contava com acordos estratégicos com seus vizinhos bálticos e a Otan. No entanto, com a adesão concretizada, o país se beneficiará também da assistência mútua dos aliados em caso de agressão e de sua dissuasão nuclear, o famoso artigo 5 do tratado da organização.

Fronteira entre Rússia e Finlândia tem mais de 1,3 mil km de extensão — Foto: Arte/g1

Aumento do orçamento militar e novos membros

Na reunião desta terça-feira em Bruxelas, os aliados também preveem debater sobre o aumento das despesas militares da Otan a longo prazo. Para especialistas, essa é mais uma consequência geoestratégica da invasão da Ucrânia. A questão deverá ser decidida na cúpula da aliança de Vilnius, em julho.

Já a questão da adesão da Suécia segue em aberto, bloqueada principalmente pela Turquia, que protesta contra o acolhimento em Estocolmo de supostos membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado uma organização terrorista por Ancara.

“Estou absolutamente confiante no fato de que a Suécia se tornará membro [da Otan]”, afirmou o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, nesta terça-feira.

Bandeiras dos países membros da Otan hasteadas do lado de fora da sede de Bruxelas — Foto: Olivier Matthys/Associated Press

A posição da organização sobre a integração da Ucrânia também não mudou, garantiu Stoltenberg. “A Ucrânia se tornará membro da aliança”, frisou. 

Não por acaso os ministros das Relações Exteriores dos países da Otan se reunirão em breve com o chanceler ucraniano Dmitro Kuleba para discutir um apoio “a longo prazo” a Kiev, apesar das objeções da Hungria.




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Por: G1

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