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Os perigos da cápsula radioativa perdida na Austrália

today1 de fevereiro de 2023 15

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A cápsula tem aproximadamente o tamanho de uma borracha de lápis, e pode estar em qualquer lugar de um trecho de 1.400 quilômetros. Pode até ter se alojado no pneu de um carro e agora estar a muitos quilômetros de distância.

As autoridades alertam: se alguém encontrá-la deve manter distância e imediatamente acionar os serviços de emergência, devido ao perigo.

Por que a cápsula é radioativa?



A cápsula de prata de seis milímetros por oito milímetros contém césio-137, material radioativo que emite raios gama, radiação ionizante muito perigosa, que pode penetrar profundamente no corpo. O césio-137 foi o responsável pela maior tragédia radioativa do Brasil, em 1987, em Goiânia. Muitos anos depois, quem teve contato com a substância ainda vive as consequências.

Os raios gama são o tipo mais energético e perigoso de radiação ionizante, que pode retirar elétrons dos átomos de organismos vivos, danificando células e DNA. A quantidade de radiação que a cápsula emite é de 19 gigabecquerels, o equivalente a cerca de dez raios-X por hora.

Esse tipo de cápsula é comumente usada na indústria de mineração em medidores de densidade de minérios de ferro, fundamentais para executar operações de mineração com mais eficiência: a radiação vinda do medidor é absorvida pelo material proporcionalmente à sua densidade.

Como a cápsula foi perdida?

A cápsula radioativa provavelmente caiu do caminhão que a transportava ao longo de um trecho de 1.400 quilômetros de estrada da mina Gudai-Darri da Rio Tinto, ao norte de Newman, na região de Pilbara, até Perth.

As autoridades acreditam que as vibrações do caminhão soltaram parafusos e porcas, fazendo a cápsula radioativa do medidor cair e escorregar por uma fresta no caminhão.

Quão perigosa é a cápsula?

O risco para o público em geral é “relativamente baixo”, afimema as autoridades. Mas, caso alguém veja algo parecido ao longo da estrada, não deve tocar. Em vez disso, deve se afastar imediatamente, avisar as autoridades e não ficar a menos de cinco metros da cápsula.

Embora a cápsula de prata seja muito pequena, devido à radiação gama que emite pode representar alguns riscos graves para a saúde, dependendo da proximidade e da duração da exposição. Em geral, quanto mais próxima se está de uma fonte de radiação, maior a dose que se recebe e maior o risco de efeitos nocivos.

Felizmente, a cápsula “não pode ser usada como arma”, de acordo com um comunicado da Western Australia Health.

Quais são os riscos para a saúde?

A exposição à cápsula pode causar queimaduras ou síndrome aguda de radiação. Queimaduras de radiação podem se apresentar como vermelhidão ou irritação na pele (como uma queimadura solar), mas também causar bolhas ou sintomas piores, em casos mais graves.

Doença de radiação ou síndrome aguda de radiação (ARS, na sigla em inglês) é causada pela exposição a altos níveis de radiação ionizante, como os raios gama.

Os sintomas variam dependendo da dose e da duração da exposição, incluindo náusea, vômito, diarreia, fadiga, irritação da pele e diminuição do número de glóbulos brancos, o que pode enfraquecer o sistema imunológico. Em casos mais graves, pode levar à falência de órgãos e até a morte.

A exposição prolongada aos raios gama pode aumentar o risco de certos tipos de câncer, como de tireoide ou leucemia.

Como está sendo realizada a busca?

O ponto positivo é que as equipes de busca têm os dados do GPS do caminhão, então sabem exatamente onde procurar a cápsula. O ponto negativo é que o trecho tem 1.400 quilômetros.

Encontrar uma cápsula de oito milímetros num perímetro tão grande parece quase impossível. Ainda assim, as autoridades do oeste da Austrália tentam resgatá-la, dirigindo lentamente com detectores de radiação ao longo da estarda Great Northern, de acordo com um alerta emitido pelo Departamento de Bombeiros e Serviços de Emergência (DFES).

O césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio. Os isótopos têm o mesmo número de prótons, mas um número de nêutrons em seu núcleo diferente daquele do elemento original.

O isótopo radioativo encontrado na cápsula é um subproduto muito comum da divisão de elementos mais pesados como o urânio, durante a fissão nuclear, que é o princípio de funcionamento dos reatores nucleares. Também é usado nas radioterapias para tratamento de câncer.

O césio-137 tem uma meia-vida de cerca de 30 anos, ou seja: após esse prazo, metade do isótopo terá se desintegrado, liberando sobretudo radiação gama no processo.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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