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Projeto Willow: o que prevê a polêmica exploração de petróleo no Alasca

today18 de março de 2023 22

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A companhia responsável pelo projeto Willow, a ConocoPhillips, afirma que irá incentivar investimentos locais e criar milhares de empregos. Mas a proposta de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 42,2 bilhões) enfrentou um turbilhão de ativismo online nas últimas semanas, especialmente entre jovens militantes no TikTok.

Os oponentes argumentam que o projeto deveria ser interrompido, devido ao seu impacto sobre o clima e a vida selvagem.

Localizado na remota região de North Slope, no extremo norte do Alasca, o projeto traz a maior prospecção de petróleo das últimas décadas na região, podendo extrair até 180 mil barris por dia.



Estimativas do Escritório de Gestão da Terra dos Estados Unidos indicam que ele irá gerar até 278 milhões de toneladas de CO2e ao longo dos seus 30 anos de vida útil – o equivalente a um aumento de dois milhões de carros na frota norte-americana todos os anos.

CO2e (CO2 equivalente) é a unidade utilizada para expressar o impacto climático de todos os gases do efeito estufa em conjunto, como se todos fossem emitidos como dióxido de carbono.

Segundo o anúncio feito em 13 de março, apenas três locais de perfuração serão permitidos para o projeto e não os cinco propostos inicialmente. A redução é uma espécie de compensação para os ativistas anti-Willow.

A aprovação também veio um dia depois que o governo Biden impôs limites sobre a perfuração de poços de petróleo e gás em uma área de 6,5 milhões de hectares no Alasca e no Oceano Ártico.

Críticas de ambientalistas

Extração de petróleo pode gerar até 278 milhões de toneladas de CO2 ao longo de 30 anos — Foto: REUTERS / USFWS HANDOUT/via BBC

Ambientalistas defendem que o projeto Willow é inconsistente com as promessas do presidente Biden para liderar as ações de combate às mudanças climáticas. Mais de um milhão de cartas de protesto chegaram à Casa Branca e uma petição da organização Change.org pedindo a suspensão do projeto recebeu mais de três milhões de assinaturas.

“É a decisão errada e será um desastre para a vida selvagem, as terras, as comunidades e para o nosso clima”, afirmou no dia do anúncio a organização ambiental Sierra Club.

O jovem ativista Sonny Ahk, do povo nativo iñupiat, que protestou contra o projeto Willow, afirma que o desenvolvimento “consolidaria a extração de petróleo e gás no Ártico por mais 30 anos e catalisaria a futura expansão do petróleo no Ártico”.

“Enquanto os executivos de fora do Estado recebem recordes de lucros, os moradores locais precisarão lidar com os impactos prejudiciais de sermos rodeados por imensas operações de perfuração”, segundo ele.

Mas todos os três legisladores que representam o Alasca no Congresso – um deles, democrata – pressionaram pela aprovação do projeto, promovido por eles como um investimento muito necessário para as comunidades da região. Eles também defenderam que o projeto Willow ajudaria a impulsionar a produção doméstica de energia e reduzir a dependência norte-americana do petróleo estrangeiro.

“Foi a decisão correta para o Alasca e para o nosso país”, segundo o CEO (diretor-executivo) da ConocoPhillips, Ryan Lance.

Para ele, a gigante energética americana, que já é o maior produtor de petróleo bruto do Alasca, irá aumentar a segurança energética, criar bons empregos e oferecer benefícios às comunidades nativas do Alasca.

Proteção de áreas sensíveis

O Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou que mais de 1,2 milhão de hectares do mar de Beaufort, no Oceano Ártico, ficariam “permanentemente fora dos limites” para perfuração de petróleo e gás.

A medida garante a “proteção perpétua contra o desenvolvimento extrativo” de um habitat importante para as baleias, focas, ursos polares e outros animais selvagens, segundo informou a Casa Branca em comunicado.

O governo americano também afirmou que irá propor novos limites para as perfurações em mais de cinco milhões de hectares de terras “ecologicamente sensíveis” na vasta reserva de petróleo do Alasca. Trata-se de uma área reservada há um século para a futura produção de petróleo no Estado, que abriga espécies ameaçadas, incluindo os ursos polares.

“Com estas ações, o presidente Biden continua cumprindo com a agenda climática mais agressiva da história dos Estados Unidos”, segundo a Casa Branca.

Mas grupos ambientalistas advertem que os novos limites são insuficientes.

“Proteger uma área do Ártico para destruir outra não tem sentido e não irá ajudar as pessoas e a vida selvagem que serão prejudicadas pelo projeto Willow”, afirma Kristen Monsell, advogada da organização Centro para a Diversidade Biológica.

Já Michaela Stith, diretora de justiça climática do Movimento Nativo (uma organização de justiça social com sede no Alasca), declarou à BBC que algumas comunidades irão tomar medidas diretas contra o projeto Willow.

“Vivemos em um Estado monopolizado pelo petróleo e o gás”, afirma ela. “Não existem muitas oportunidades para fazer muito mais e, por isso, haverá apoio local [para a proposta]. Nosso Estado não conseguiu diversificar sua economia.”

Com as medidas, o presidente Biden tenta equilibrar seus objetivos de fazer com que os Estados Unidos atinjam nível zero de emissões de carbono em 2050 com as pressões para aumentar o fornecimento de combustível, mantendo os preços baixos.

Análise do repórter de meio ambiente da BBC, Matt McGrath

Por que um presidente que defende fortes ações contra as mudanças climáticas acaba de aprovar um projeto apelidado de “bomba de carbono”?

A resposta é que Willow tem a ver com política e legislação – não com o meio ambiente.

Quando era candidato em 2020, Joe Biden prometeu: “não haverá mais perfurações em terras federais, ponto final”. Mas esta promessa foi quebrada no ano passado, quando o governo, pressionado pelo judiciário, anunciou planos para conceder licenças de perfuração.

A Casa Branca provavelmente irá dizer que o judiciário também influenciou a decisão sobre o projeto Willow.

A licença de exploração da companhia petrolífera ConocoPhillips data de 1999. Ela teria fortes justificativas para entrar com recurso na justiça se os seus planos tivessem sido rechaçados.

É claro que o governo Biden sabe que, do ponto de vista puramente climático, o projeto realmente não tem justificativa. Por isso, como forma de compensação para os opositores, eles tentaram equilibrar a aprovação com novas proibições de extração de petróleo e gás no Oceano Ártico.

A maioria dos ambientalistas não aceita essa compensação.

O projeto Willow também tem profundas bases políticas. A 18 meses das próximas eleições presidenciais, Biden deseja ser visto como um líder de centro, preocupado com o fornecimento de petróleo e os preços dos combustíveis para os cidadãos norte-americanos.

Mas, ao dar a luz verde para a perfuração, ele se arrisca a perder o apoio de muitos jovens que lhe confiaram seus votos em 2020.




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Por: G1

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