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Sem água e eletricidade e com risco de incêndio: como é viver no crescente número de motorhomes nas ruas de Los Angeles

today6 de julho de 2023 8

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Trata-se de um dos muitos parques de trailers improvisados em Los Angeles, onde um número crescente de pessoas vive em vans e motorhomes sem acesso à água corrente ou à eletricidade.

Algumas delas são donas de seus motorhomes. Mas um número crescente paga aluguel — algo entre US$ 400 e US$ 1 mil (R$ 1.940 e R$ 4.850) por mês — para os proprietários que os anunciam na internet.

Muitos desses veículos estão inoperantes e alguns nem sequer têm motores. Apesar disso, continuam sendo uma alternativa mais acessível à moradia em apartamentos, já que US$ 2 mil (R$ 9,7 mil) por mês geralmente não são suficientes para alugar sequer uma quitinete em Los Angeles.



Esses motorhomes ficam estacionados por semanas a fio ao lado de placas de “proibido estacionar” — mas raramente são rebocados e apenas ocasionalmente são multados.

A cidade não tem espaço para abrigá-los, mesmo que houvesse guinchos suficientes.

Mas, agora, Los Angeles está considerando reprimir esse tipo de moradia em meio a crescentes reclamações sobre esgoto, danos ambientais e uma série de incêndios nos estacionamentos de trailers.

“É terrível”, diz Liberty Justice, uma empresária e youtuber que aluga um motorhome em Forest Lawn Drive.

“Essa situação não pode continuar — preciso ganhar mais dinheiro.”

Justice alega que o proprietário de seu trailer a rebocou para vários bairros para evitar multas de estacionamento e se sente “sem voz”.

Basta buscar a hashtag #vanlife nas redes sociais para ver dezenas de pessoas bonitas viajando pelo mundo e vivendo o que parece ser uma vida fabulosa e fotogênica dentro de um motorhome.

Mas a realidade está longe de ser glamorosa, dizem os moradores dos trailers.

Para tomar banho, alguns usam paradas de caminhões, academias, casas de amigos ou a praia.

Um homem disse que apenas joga água sobre o corpo na calçada. Muitas pessoas usam a pia do banheiro público em um parque do outro lado da rua dos estúdios da Universal, onde as crianças jogam beisebol nos fins de semana.

Não se pode chamar a polícia para reclamar que seus vizinhos jogam lixo ou usam drogas.

Justice mantém sua área limpa e arrumada e usa geradores solares para conseguir acesso à internet e poder trabalhar.

Mas o maior perigo, diz ela, é o trânsito, já que o trailer está estacionado em uma via movimentada.

“Estava na minha corrida matinal e fui atropelada por um caminhão”, diz ela. “Tento me manter animada, mas às vezes é difícil não ficar com raiva.”

Segundo o último monitoramento de sem-teto da cidade, há cerca de 6,5 mil pessoas morando em veículos recreativos em Los Angeles — um aumento de 40% desde 2018 —, e esse crescimento tem estado visível em toda a cidade desde a pandemia.

As autoridades da cidade e do condado de Los Angeles vêm trabalhando para dar casa aos sem-teto em meio a uma crescente população sem moradia.

Desde que Karen Bass foi eleita prefeita em novembro, mais de 14 mil pessoas foram retiradas das ruas por meio de vários programas.

Mas muitas dessas pessoas viviam em barracas nas calçadas, lidando com um inverno excepcionalmente frio e úmido.

As pessoas em motorhomes muitas vezes não se consideram sem-teto, e a cidade tem dificuldade em persuadir as pessoas a trocar uma van ou um motorhome em troca de uma alternativa de moradia que pode não ser permanente.

Moradores da cidade dizem que motorhomes estão prejudicando meio ambiente — Foto: Getty Images/Via BBC

“Você será despejado em 30 dias e depois?”, pergunta um homem do lado de fora do motorhome que ele aluga por US$ 500 (R$ 2,4 mil) por mês em Venice Beach.

Ele não acredita que as ofertas de motéis ou abrigos da cidade vão durar e disse que alugar um trailer é muito concorrido.

Traci Park, vereadora da cidade, quer reprimir os proprietários que não são obrigados a atender aos mesmos padrões de proprietários regulares, chamando-os de “sem escrúpulos”.

“Aqui na cidade de Los Angeles, não temos nenhuma supervisão ou regulamentação dessa prática comercial”, diz ela.

Park apresentou uma moção para começar a criar regras para as pessoas que alugam veículos para moradia.

Os proprietários argumentam que estão oferecendo um serviço que a cidade não pôde prover.

Um homem — que não quis se identificar — disse ser dono de oito trailers.

“Isso ajuda as pessoas”, diz ele. “Aonde mais elas vão?”

As calçadas ao redor dos trailers estão cheias de bicicletas, cachorros, churrasqueiras e cadeiras, alguns dejetos humanos e alguns jardins bem cuidados.

Vizinhos reclamam da bagunça e culpam moradores de trailers pela criminalidade nos bairros.

Muitos motorhomes não são seguros. Moradores morreram em incêndios iniciados em trailers.

Dejetos humanos e incêndios contaminaram os parques públicos, o que tem frustrado cada vez mais os moradores de Los Angeles.

Scott Culbertson comanda a ONG Friends of the Ballona Wetlands — em defesa do último pântano litorâneo da cidade. É o lar de centenas de pássaros, plantas nativas e um dos maiores acampamentos de motorhome da cidade.

Um incêndio destruiu grande parte da área há alguns anos, e, nos últimos meses, moradores de vans cortaram árvores para queimar para se aquecer e cozinhar.

As pessoas encontram lixo, esgoto e até caixas eletrônicos jogados na água nos pântanos, e todas as placas e cercas foram desfiguradas ou queimadas, diz ele.

Alguns têm muito medo de andar nos pântanos perto do parque de trailers e já não levam crianças a essa área porque não é seguro, acrescenta.

“Não quero desmerecer o problema dos sem-teto em Los Angeles, mas esta é uma questão ambiental”, diz Culbertson.

Por outro lado, muitos dizem que têm poucas outras opções.

Richard mora em seu motorhome há dois anos — estacionado a alguns quilômetros da casa onde cresceu em Burbank. Antes disso, ele morou em seu caminhão por um ano.

Tecnicamente, Richard também é um “proprietário de trailers” — ele aluga o motorhome de seu primo por US$ 400 (R$ 1,94 mil) por mês enquanto ele está preso.

“É muito caro morar em qualquer outro lugar”, diz ele, acrescentando que trabalha na construção quando pode e está economizando para se mudar para algum lugar mais barato, como Texas ou Arizona.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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