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A vida na cidade mais destruída por terremoto na Síria

today17 de fevereiro de 2023 11

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Mas a chance de encontrar sobreviventes já acabou há muito tempo em Jindayris, no noroeste da Síria.

A cidade já foi o lar de 100 mil pessoas, incluindo uma área rural ao redor. Agora, está vazia.

Yazan al Nasser, vice-prefeito de Jindayris, conta à BBC que pelo menos 800 pessoas morreram.



“Setenta por cento da cidade está destruída”, afirma.

“Esta cidade está condenada, é uma catástrofe.”

Famílias inteiras que não conseguem encontrar abrigo estão dormindo ao relento no frio congelante — Foto: BBC

Mais de 4 mil famílias não têm onde dormir.

“Jindayris é agora minha maior inimiga porque foi onde perdi toda a minha família”, diz Abdallah Mahmoud al-Issa, enquanto tentava conter as lágrimas.

“Perdi 17 membros da minha família, é horrível.”

Ele conta que o prédio de quatro andares onde seus irmãos moravam simplesmente desmoronou.

“Parecia um biscoito, a base e as paredes pareciam migalhas de biscoito, tudo reduzido a escombros.”

“Nós cavamos por três dias até chegarmos aos corpos deles”, relembra.

“Eles morreram porque sufocaram, a ajuda não chegou a tempo e não havia equipes de resgate suficientes.”

O pai de dois filhos conta que as unidades locais de defesa civil fizeram o possível com os poucos recursos disponíveis.

Ele agora está procurando desesperadamente por abrigo em meio a temperaturas congelantes.

“Minha filha está constantemente me perguntando por que não podemos dormir em uma barraca, mas ninguém nos ajuda.”

Destruição no centro de Jindayris

Imagens de drones da cidade mostram pilhas de entulho e concreto por todos os lados, praticamente sem prédios de pé.

“A razão pela qual Jindayris sofreu esse nível de destruição é devido à sua localização perto da fronteira turca, em uma região propensa a terremotos”, diz Mohammed, um voluntário que ajudou nos resgates, à BBC.

Em mais de uma década de guerra civil, a cidade já mudou de mãos muitas vezes.

As forças curdas empurraram o exército sírio para o norte como parte de um movimento de oposição mais amplo no início.

Depois, a Turquia enviou tropas e conquistou partes deste território perto da fronteira. Jindayris é atualmente controlada por combatentes sírios apoiados pela Turquia.

Muitos moradores foram desalojados várias vezes, alguns se refugiando aqui depois de serem forçados a sair de regiões controladas pelo regime na Síria.

“As pessoas que foram desalojadas pela guerra pensaram que um dia poderiam voltar para suas casas, então não fizeram muito esforço para tornar os prédios seguros ou fortes”, afirma Nasser, que também dirige o comitê de desastres da cidade.

“Apenas alguns edifícios fortes construídos com bases sólidas foram capazes de resistir ao terremoto.”

“Nos últimos anos, foram feitos esforços para limitar a construção ilegal e fazer cumprir as normas de segurança, mas isso não foi suficiente para evitar a devastação causada pelo terremoto.”

E agora Nasser está lidando com uma tempestade perfeita, uma população empobrecida e sem saneamento.

“A infraestrutura foi duramente atingida, os sistemas de água e esgoto não estão funcionando, 40-60% dela está destruída”, afirma.

“Os poços de água também foram destruídos no terremoto, então não podemos contar com isso também.”

Abu Eilf fugiu de Aleppo para Jindayris durante a guerra — e agora vive na rua.

“Quatro andares do nosso prédio desabaram, tudo foi nivelado ao chão”, diz ele, descrevendo como ele, a esposa e os filhos conseguiram fugir do prédio no início do terremoto.

“Conseguimos resgatar cinco pessoas dos escombros, mas 23 morreram, que descansem em paz.”

“Todo mundo está dormindo nas estradas secundárias. Levei minha esposa e filhos e encontrei um abrigo para eles, mas estou dormindo na rua.”

Alguns sobreviventes, como Aref Abu Mohamed, dizem que o terremoto é a pior coisa pela qual já passaram.

“Não há eletricidade e não temos água ou comida adequada”, desabafa.

“As pessoas no norte da Síria enfrentaram muitos momentos difíceis, mas esta tragédia que se abateu sobre nós nos deixou sem esperança.”




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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