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Adolescente que teve membros amputados sofreu descarga elétrica equivalente a 8 mil volts; entenda os impactos no corpo

today1 de maio de 2024

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Rafael Ferreira está internado na Santa Casa de Santos, sem previsão de alta médica, desde o acidente, que ocorreu há quase três meses. O menino estava ajudando o pai a desentupir um cano. Com um pedaço de ferro em mãos, o jovem subiu em um muro a uma altura de três metros e, sem notar o fio, encostou a barra na rede elétrica.

“Muitos morrem com o choque nessa intensidade. A criança [Rafael] teve sorte”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) Armando Lobato.

A pedido da equipe de reportagem, o médico Armando Lobato e o professor de Engenharia Elétrica da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Alexandre Shozo, explicaram os danos que um choque de alta tensão provoca no corpo humano. Confira:



Segundo Alexandre Shozo, como o ferro é um condutor elétrico, é como se o adolescente tivesse encostado as mãos nos fios de alta tensão. “A corrente elétrica [saiu do poste e] passou por todos os membros [do corpo]”, explicou o especialista.

O professor fez uma ilustração para o g1 para explicar o volt, que é o potencial de transmissão de energia (veja abaixo).

Professor de Engenharia Elétrica Alexandre Shozo explicou os volts do acidente que levou um menino de Bertioga (SP) amputar os membros — Foto: Alexandre Shozo

O chão está em 0, sem energia, enquanto todos os fios do poste, as linhas de transmissão de alta tensão, estão em 13,8 mil volts — esse é geralmente o valor típico . Essa grande diferença de potencial produz uma corrente elétrica mais elevada.

“As mãos estavam em contato com a rede elétrica e os pés com a terra. Portanto, o corpo ficou submetido a aproximadamente 8 mil volts”, afirmou Shozo que explicou ainda que o número varia conforme a resistência elétrica do corpo de cada pessoa.

O médico Armando Lobato explicou à equipe de reportagem que, ao receber um choque de alta tensão, a vítima é arremessada para longe da fonte de eletricidade. “Como se voasse”, afirmou o médico.

No caso de Rafael, o pai dele José Ferreira, de 60 anos, que trabalha como ajudante de pedreiro, conseguiu impedir que o garoto caísse no chão.

De imediato, segundo o médico, a vítima precisa ser levada para um hospital com Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No local, ela deve ser tratada com urgência em um ambiente esterilizado para evitar infecções.

Lobato explicou que o contato com a corrente elétrica pode causar queimaduras na pele. Mas, a maior preocupação é com o impacto nos órgãos, músculos, vasos sanguíneos, ossos e até no cérebro.

“Não é só o problema circulatório da amputação [veja mais abaixo]. Precisamos ver se essa criança não teve lesões no pulmão, rins, fígado e até no osso, além das sequelas cerebrais. Ou seja, é uma coisa mais grave”.

Com o choque, Armando explicou que os vasos sanguíneos são queimados e formam coágulos que impedem que o sangue chegue até os membros para fazer com que eles continuem funcionando.

“A pele morreu e nós conseguimos recuperar esse tecido pela circulação de sangue. Mas, ele também perdeu porque não teve sangue para uma criação de novos tecidos. Então, não tem outro jeito a não ser amputar”, disse o médico.

De acordo com Armando, a necrose [morte] da pele é fonte de alimento para as bactérias. Por este motivo, o paciente tem mais chances de ter um choque séptico.

Homem trocando lâmpada — Foto: Reprodução

O engenheiro Alexandre Shozo disse que os choques elétricos em residências ocorrem com certa frequência. Ao g1, ele citou os principais locais que ocorrem este tipo de acidente de 127v e 220v:

🚿Chuveiro: ocorre devido à falta de aterramento elétrico, que uma medida de segurança que garante o bom funcionamento dos equipamentos conectados a rede elétrica, ou pela utilização de chuveiros de baixa qualidade. Neste caso, o disjuntor diferencial [dispositivo de proteção] pode evitar o choque.

🧊Estrutura da geladeira: falta de um sistema de aterramento associado a um defeito no equipamento pode causar um choque ao tocar no eletrodoméstico.

🔌Fiação de extensões ou cabos aparentes: um cabo com a isolação danificada pode causar um choque mais grave

💡Troca de lâmpadas: o local onde são encaixadas as lâmpadas ficam parcialmente energizado mesmo com o interruptor desligado. Portanto, é indicado que a alimentação de energia do local seja desligada para evitar choques.

O professor destacou ainda que, em todos os casos, o ideal é procurar um profissional que saiba fazer as manutenções necessárias.

O médico Armando acrescentou que as queimaduras não são uma preocupação com estes choques elétricos de menor intensidade.

Nestes casos, segundo ele, o risco é a arritmia cardíaca, quando os impulsos elétricos do coração não funcionam corretamente. Segundo o especialista, não é comum, mas pode levar à morte.

José reforma casa em Bertioga (SP) para garantir mais acessibilidade ao filho — Foto: Arquivo pessoal

Morador de Bertioga (SP), Rafael é companheiro de todas as horas do pai, o ajudante de pedreiro José Ferreira, de 60 anos. O acidente que resultou na série de cirurgias ocorreu na tarde de 2 de março, quando o idoso finalizava o revestimento do muro de uma casa no bairro Santa Maria, em Santos.

O filho se prontificou para ajudá-lo a desentupir um cano. Com o pedaço de ferro em mãos, o jovem subiu em um muro a uma altura de três metros e, sem notar o fio, encostou a barra na rede elétrica. Como o ferro é um condutor elétrico, Rafael acabou sendo arremessado, mas José impediu que o filho caísse no chão.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) compareceu ao local e levou o menino à Santa Casa de Santos. Ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, segundo o familiar, ficou em coma por 22 dias.

Apesar das tentativas para evitar as amputações, a equipe médica avaliou que essa era a melhor alternativa para salvar a vida dele. Com a assistência dos profissionais, Rafael foi submetido às operações ainda em março e transferido para a enfermaria no início de abril.

Ele teve os dois braços, a perna direita e parte do pé esquerdo amputados, além de ter sido submetido a raspagens nos cotos. Agora, aguarda para fazer enxertos nas axilas e no coto da perna. Ainda não há previsão alta médica.

Os familiares e amigos juntam dinheiro, por meio de uma arrecadação, para adaptar os cômodos da casa onde ele vive. A ideia é ampliar o banheiro e o quarto do menino a fim de garantir mais conforto.

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Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

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