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Após encontro com Papa, Lula diz que pretende pedir a ditador da Nicarágua para libertar bispos católicos

today22 de junho de 2023 7

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Durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22), Lula declarou que “a única coisa que a Igreja quer é que a Nicarágua libere os bispos. Eu pretendo falar com Daniel Ortega a respeito, sabe? De liberar os bispos (…) “não há motivos para os bispos ficarem impedidos de exercer sua função na Igreja. Vou tentar ajudar. Se puder ajudar, mas não é fácil”.

As relações entre a Igreja Católica e Ortega se deterioraram desde 2018, quando houve protestos sustentados contra o governo do presidente e uma subsequente repressão do governo (entenda abaixo).

No encontro entre Lula e Papa durante a viagem presidencial desta quinta não ficou claro se o Papa pediu a Lula para intervir e buscar aliviar a crise mais aguda que a Igreja Católica Romana enfrenta na América Latina.



Montagem com fotos dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Nicarágua, Daniel Ortega — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo e Cesar Perez/Presidência da Nicarágua/Reuters

O que acontece na Nicarágua

Ortega está no poder desde 2017 e, as últimas eleições, foram realizadas com sete candidatos da oposição presos e alegações de fraude por parte de organizações internacionais.

Diversas torturas foram registradas durante o período eleitoral pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Ortega, apoiado pelos governos de Cuba e Venezuela, descreveu essas acusações como “invenções” em uma campanha para “dar má fama à Nicarágua perante organizações internacionais”.

Ele também acusou os bispos do país de “tomar partido” e estarem comprometidos com os “golpistas”, além de terem promovido a criação de “seitas satânicas”.

A Igreja recebeu quase 200 ataques entre abril de 2018 e maio de 2022 na Nicarágua, segundo um relatório da ONG Observatorio Pro Transparencia y Anticorrupción.

Um dos casos mais recente foi a prisão do bispo Rolando Alvarez, um crítico ferrenho de Ortega. Ele foi condenado a mais de 26 anos de prisão na Nicarágua em fevereiro por acusações que incluíam traição, atentar contra a integridade nacional e espalhar notícias falsas.

Álvarez era conhecido por denunciar violações de direitos humanos por parte do governo Ortega. Outro bispo crítico do governo, Silvio Báez, se exilou em 2019 depois de receber várias ameaças de morte.

Lula também falou sobre a União Europeia e a Guerra na Ucrânia. “Eu acho que a União Europeia tem condições de trabalhar para que haja país. O problema é que a UE está toda envolvida na guerra. Os Estados Unidos estão todo envolvido na guerra”.

Dessa forma, o presidente argumentou que, como saída, está procurando encontrar alguns países que não estão envolvidos no conflito com a Ucrânia: China; Indonésia; México; Argentina; e outros países da África.

Sobre o conflito que dura mais de 400 dias, o petista disse: “Não é fácil. Se fosse fácil, já tinha resolvido”.

“O Brasil condenou a ocupação territorial da Ucrânia na votação da ONU, mas ela já começou. Pessoas já morreram. Coisas já foram destruídas. Hoje o Jogo não é mais um jogo quando começou. Hoje, é um jogo que já tem outros ingredientes, porque tem muitas mortes, tem muita destruição. Então, na minha cabeça, a primeira coisa a fazer é convencê-los a parar a guerra”.

O presidente também voltou a defender a ideia da criação de um grupo de pessoas para negociar uma saída para a guerra da Ucrânia e disse que o conflito precisa parar.

“O mundo tem 800 milhões de seres humanos que vão dormir toda noite sem ter o que comer, e não é justo gastar bilhões de dólares ou de euros com guerra. É desnecessário quando a gente poderia estar vivendo em um momento de paz”.

Lula encontra primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni — Foto: Reprodução/Twitter

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“Para me encontrar com a Primeira-Ministra da Itália a mim não importa o posicionamento político dela. O que importa é que ele é Chefe de Estado da Itália, defende os interesses do povo italiano”, falou Lula.

O presidente brasileiro também disse que ficou “bem impressionado com a Meloni, uma jovem, porque ela é muito jovem (…) Num mundo muito machista ainda uma mulher ganhar a eleição na Itália é um fato extraordinário”.




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Por: G1

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