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Áreas no norte de Gaza recebem ajuda humanitária pela primeira vez em quatro meses

today17 de março de 2024 9

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Segundo o Home Front, meio de comunicação ligado ao Hamas, a ajuda foi distribuída pelos “Comitês Populares”, um grupo que inclui os líderes de clãs influentes em Gaza. Uma fonte do Hamas disse à Reuters que a rota usada para que a ajuda chegasse ao norte foi protegida pelo próprio grupo.

A região norte foi duramente atingida desde o começo da guerra. Agências humanitárias relatam situações críticas em hospitais na região e a morte de crianças por subnutrição e desidratação.

A crise da fome aumentou a pressão internacional sobre Israel. Com uma guerra em curso há mais de cinco meses e mais de 31 mil mortos em ataques israelenses, a comunidade internacional espera que os próximos dias tragam novas negociações para um cessar-fogo e para a troca de reféns.



Palestinos caminham entre destroços na cidade de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza — Foto: AFP

A chegada de ajuda humanitária no norte coincide com a retomada das negociações por cessar-fogo lideras por David Barnea, chefe da Mossad, o serviço de inteligência israelense, que deve se encontrar com mediadores, entre os quais estão o primeiro-ministro do Catar e autoridades egípcias.

Os detalhes do plano israelense de cessar-fogo serão discutidos no Catar. De acordo com a Reuters, a retomada das negociações é uma resposta direta à proposta do grupo terrorista Hamas que previa uma troca de prisioneiros em duas etapas e que culminaria em um cessar-fogo permanente.

Ataque de Israel contra Rafah

Na sexta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aprovou planos do Exército para invadir Rafah, cidade no sul da Faixa de Gaza que é considerada o último refúgio de cerca de 1,5 milhão de palestinos.

A invasão a Rafah causa preocupação na comunidade internacional. O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephane Dujarric, expressou temor pela notícia: “As consequências de uma operação militar em Rafah nas atuais circunstâncias seriam catastróficas para os palestinos em Gaza, seria catastrófica para a situação humanitária. Esperamos que tudo isso possa ser evitado”, disse. O diretor da OMS também se manifestou no mesmo sentido.

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O chanceler alemão, Olaf Scholz , em passagem pela Jordânia, disse que um ataque a Rafah tornaria a paz regional “muito difícil” e que os esforços agora visavam “garantir que chegássemos a um cessar-fogo duradouro”.

Netanyahu rejeita a pressão internacional. Neste domingo, o primeiro-ministro israelense disse que continuaria com a campanha militar contra o Hamas em Gaza e que avançaria contra Rafah enquanto as negociações de cessar-fogo deveriam ser retomadas.

“Vamos operar em Rafah. Isto levará várias semanas e vai acontecer”, disse sem esclarecer se o ataque duraria semanas ou começaria em semanas.

Os aliados de Israel instaram repetidamente Netanyahu a não atacar Rafah sem um plano para proteger os civis —plano que o israelense diz ter, mas que não foi detalhado até a última atualização da reportagem.

Netanyahu atacou a pressão dos aliados, dizendo: “Suas memórias são tão curtas? Vocês se esqueceram tão rapidamente do 7 de outubro, o mais horrível massacre de judeus desde o Holocausto? Vocês são tão rápidos em negar a Israel o direito de se defender contra o Monstros do Hamas?”.

O objetivo de guerra declarado de Israel é exterminar o Hamas e, para o governo israelense, isso só será possível se houver um ataque a Rafah. Veja antes e depois da cidade.

Infográfico mostra limites entre Faixa de Gaza, Rafah, Israel e Egito. — Foto: Editoria de arte/g1

O Hamas apresentou esta semana uma nova proposta de cessar-fogo aos mediadores e ao aliado de Israel, os Estados Unidos. Os repetidos esforços para chegar a um cessar-fogo e à troca de reféns por prisioneiros fracassaram este ano, apesar da crescente pressão internacional sobre o custo humano do ataque terrestre e aéreo de Israel a Gaza.

A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas promoveu um ataque terrorista contra a Israel, matando 1.200 pessoas, a maioria civis, e fazendo 253 reféns, de acordo com os registros israelenses.

A campanha militar de Israel em resposta ao ataque matou mais de 31.500 palestinos, cerca de 70% deles eram mulheres e crianças, segundo o ministério da saúde em Gaza, controlada pelo Hamas.

A proposta apresentada pelo Hamas, a qual Israel pretende responder com as negociações do chefe do serviço de inteligência israelense no Catar, previa a interrupção temporária das hostilidades em duas etapas, segundo documento ao qual a Reuters teve acesso.

Na primeira, mulheres (incluindo recrutas), crianças e idosos israelenses seriam libertados em troca de 700 a 1000 prisioneiros palestinos —entre os quais há 100 que cumprem pena de prisão perpétua.

Ainda de acordo com a proposta, após a primeira etapa, o Hamas aceitaria discutir uma data para um cessar-fogo permanente.

Um prazo para a retirada israelense de Gaza seria acordado após essa primeira etapa, seguido pela libertação de todos os reféns de ambos os lados.

Netanyahu já disse que a proposta se baseava em “demandas irrealistas”, mas uma autoridade palestina familiarizada com os esforços de mediação disse que as chances de um acordo pareciam melhores com o Hamas dando mais detalhes sobre a proposta de troca de prisioneiros.

“Os mediadores sentiram-se positivos em relação à nova proposta do Hamas. Alguns em Israel sentiram que o grupo fez alguma melhoria na sua posição anterior e agora está nas mãos apenas de Netanyahu dizer se um acordo é iminente”, disse o responsável, que pediu não para ser identificado.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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