“Eu estava aproximadamente a 90 km/h, quando de repente olho no retrovisor e [vejo] uma luz bem forte de farol alto no retrovisor esquerdo. Não tive nem tempo de reação”, relembra sobre o acidente.
O caso aconteceu por volta das 4h40 do último sábado (27). Segundo a Polícia Militar Rodoviária, a moto foi atingida na traseira e arrastada por alguns metros pelo carro Porsche, na pista sentido São Paulo. “Ia para capital porque trabalho lá um dia sim e outro não”, relata Guilherme, que mora em São Vicente.
A vítima diz que se projetou para fora da moto antes de o veículo ser arrastado. Ele foi socorrido e já no hospital ficou sabendo informações sobre a dinâmica do acidente.
“Foi deduzido que, conforme o giroflex e a sirene da viatura do bombeiro [chegavam], o condutor deve ter achado que era polícia, se evadiu do local e entrou no segundo veículo, com que estava apostando essa possível corrida ‘racha’”, explica.
O Porsche ainda estava com a chave na ignição, mas já não tinha documentos ou pertences pessoais do proprietário. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como fuga do local de acidente, lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e omissão de socorro na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos.
De acordo com Guilherme, ele lembra o que aconteceu, pois não chegou a ficar desacordado. No entanto, ainda não tem clareza de alguns momentos devido à adrenalina. Entre as lembranças, estão a reação ao sofrer o impacto e a luta para sobreviver.
Guilherme diz que se projetou para fora da moto, preservando a cervical. “Todo momento pensei em preservar minha cervical, meu pescoço. Então, eu encolhi e encostei meu queixo no meu peito”, afirma, dizendo ainda que a ação é um dos princípios do jiu-jitsu, que ele pratica.
O bombeiro também notou que estava na pista da direita e se recordou que o trecho é rota de caminhões. “Estava escuro, qualquer carro podia vir a 100 ou 120 km/h e talvez quando me enxergasse, não ia ter tempo de reação. Então, eu fiz um esforço para sair da pista”, relembra.
Ele levantou e sentiu que só conseguia pisar firme com uma perna. Guilherme conta que ficou próximo de um guardrail (mureta) e viu um ciclista passando. Por isso, ele pediu para chamarem socorro, mas a pessoa informou que estava sem celular e o aconselhou a deitar.
“Deitei e abracei o guardrail. […] cruzei os braços e rolei para o lado de dentro do guardrail, que seria a área gramada”, enfatiza. O bombeiro teve a ideia de ver o próprio celular, que estava com 2% de bateria, mas o suficiente para ele pedir socorro e dar, inclusive, referências para que fosse encontrado.
“A princípio, não via sangramento, apenas escoriações. Conseguia mover os pés, mas eles pediam para não se locomover muito. Sentia muita dor na bacia, no quadril”, relembra.
Guilherme é bombeiro civil e mesmo ferido chamou por ajuda — Foto: Arquivo Pessoal
Guilherme foi levado até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste e posteriormente encaminhado para a Santa Casa de Santos. “Foi constatado que tenho uma fissura pélvica. Estão fazendo avaliações médicas diariamente”, relata. Ele diz ainda que está escoriações nas costas, mãos e lado esquerdo da lombar.
Em nota, a Santa Casa de Santos informou que o paciente deu entrada no hospital encaminhado da UPA da Zona Noroeste. “Após receber toda assistência multiprofissional e realizar todos os procedimentos necessários, foi internado em enfermaria, onde permanece sem previsão de alta”, diz a nota do hospital.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos
Publicar comentários (0)