G1 Mundo

Covid na China: mortes de celebridades estimulam desconfiança sobre número de vítimas

today6 de janeiro de 2023 20

Fundo
share close

A morte da cantora de ópera Chu Lanlan, 40 anos, em dezembro foi um choque para muitos, considerando o quão jovem ela era. A família da artista declarou estar triste com a “partida abrupta”, mas não deu detalhes sobre a causa da morte.

Em dezembro, a China abandonou sua rígida política de “Covid zero” e está atualmente vendo um rápido aumento de infecções e mortes. Há relatos de hospitais e crematórios ficando sobrecarregados.

Mas o país parou de divulgar diariamente número de casos da doença e registrou, desde dezembro, apenas 22 mortes por Covid. No final do ano passado, a China alterou os critérios para definir mortes pela doença: agora, apenas aqueles que morrem com quadros respiratórios, como pneumonia, são contabilizados.



Na China, ainda é comum ver pessoas na rua vestidas com trajes de proteção, cujo uso foi popularizado durante a pandemia — Foto: REUTERS

Na quarta-feira (04), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a China estava subnotificando o verdadeiro impacto da Covid no país — em particular, os óbitos.

As mortes de Chu Lanlan e de outras personalidades estão gerando especulações de que elas façam parte de uma quantidade muito maior de perdas para a doença do que as computadas oficialmente, embora no caso dessas figuras públicas não haja certeza de que tenham sido causadas pelo coronavírus.

Outra morte que causou tristeza e desconfiança foi a do ator Gong Jintang, no dia do Ano Novo.

Gong, de 83 anos, era conhecido por muitas famílias por sua atuação na série de TV mais antiga do país — em inglês, In-Laws, Out-laws, no ar desde 2000.

Não se sabe ao certo a causa da morte dele, mas muitos usuários de redes sociais relacionaram a morte recente do ator à de outras pessoas mais velhas.

“Por favor, Deus, por favor, trate melhor os idosos”, escreveu a atriz Hu Yanfen, do elenco da série, na rede chinesa Weibo.

“Descanse em paz, Kang. Essa onda realmente custou a vida de muitos idosos, vamos garantir a proteção dos idosos em nossas famílias”, escreveu um usuário no Weibo — “Kang” era o nome do personagem interpretado por Gong Jintang.

O aclamado roteirista Ni Zhen, de 84 anos, também morreu recentemente. Ele ficou famoso pelo filme Raise the Red Lantern, de 1991, considerado por vários críticos como um dos melhores filmes chineses.

Enquanto isso, Hu Fuming, que era jornalista e professor aposentado da Universidade de Nanjing, morreu em 2 de janeiro aos 87 anos.

Governo da China afirma que sempre foi transparente com dados da pandemia de Covid-19

Governo da China afirma que sempre foi transparente com dados da pandemia de Covid-19

Ele foi o principal autor de um famoso artigo publicado em 1978 que marcou o início do período “Boluan Fanzheng” da China — tempo de uma relativa normalização após a agitação da Revolução Cultural liderada por Mao Tsé-Tung.

De acordo com alguns cálculos que circulam na mídia chinesa, 16 cientistas dos principais institutos do país morreram entre 21 e 26 de dezembro.

Nos obituários, nenhuma dessas mortes constou como sendo causada pela Covid-19, mas isso não impediu a especulação na internet.

“Ele também morreu da ‘gripe ruim’?” questionou comentário sobre a morte de Ni.

“Mesmo se você vasculhar toda a internet, não encontrará nenhuma referência à causa da morte”, disse outro internauta.

Hospitais na China estão lotando com a nova onda de covid-19 que atinge o país

Hospitais na China estão lotando com a nova onda de covid-19 que atinge o país

Mas também houve críticas aos manifestantes que, em raros protestos, saíram às ruas em novembro pedindo o fim da política de “Covid zero” capitaneada pelo líder Xi Jinping.

“Essas pessoas estão felizes agora, vendo velhos… agora abrindo caminho para sua liberdade?”, escreveu um internauta.

Xi pareceu referir-se indiretamente aos protestos em seu discurso de Ano Novo, quando disse que é natural em um país tão grande que as pessoas tenham opiniões diferentes. Mas ele instou as pessoas a se unirem na nova fase de combate à Covid na China.

As autoridades chinesas estão cientes do ceticismo generalizado quanto à sua política e aos dados divulgados, mas continuam a minimizar a gravidade da atual onda de Covid.

Em entrevista à TV estatal, o diretor do Instituto de Doenças Respiratórias de Pequim admitiu que o número de mortes de idosos até agora está “definitivamente maior” do que em nos anos anteriores, ao mesmo tempo em que destacou que os casos graves continuam sendo uma minoria do número total dos casos de Covid-19.

Esta semana, o People’s Daily, jornal oficial do Partido Comunista, conclamou os cidadãos a trabalharem para uma “vitória final” sobre a Covid e rejeitou críticas à antiga política de “Covid zero”.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

vulcao-kilauea,-no-havai,-entra-em-erupcao-novamente

G1 Mundo

Vulcão Kilauea, no Havaí, entra em erupção novamente

Sistemas de detecção alertaram para a presença de magma na caldeira do vulcão. Imagem do sistema de sismologia dos EUA mostra magma na caldeira do vulcão Kilauea em 5 de janeiro de 2023 — Foto: U.S. Geological Survey via AP O vulcão Kilauea, no Havaí, começou a entrar em erupção dentro de sua cratera nesta quinta-feira (5), informou o Serviço Geológico dos EUA, menos de um mês depois que o […]

today6 de janeiro de 2023 13

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%