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Em Paris, idoso joga tinta em quadro de denúncia que mostra estupro como crime de guerra; Macron defende pintura

today8 de maio de 2023 16

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O presidente Emmanuel Macron condenou nesta segunda-feira (8) o “ato de vandalismo” ocorrido no domingo contra um quadro da artista suíça Miriam Cahn, que apresenta uma exposição no espaço de arte contemporânea Palais de Tokyo, em Paris. A tela “Fuck Abstraction!”, que exibe uma pessoa jovem com as mãos amarradas fazendo uma felação em um homem adulto, foi alvejada por jatos de tinta lançados por um idoso. O agressor foi detido.

O presidente francês denunciou um ataque “aos nossos valores”. “Neste dia 8 de Maio, em que celebramos a vitória da liberdade [dos Aliados contra o nazismo], condeno o ato de vandalismo cometido ontem no Palácio de Tóquio”, escreveu Macron no Twitter.

“Atacar uma obra de arte significa macular os nossos valores. Na França, a arte é sempre livre e o respeito pela criação cultural é garantido”, acrescentou o chefe de Estado.



No quadro intitulado “Fuck Abstraction!” – “Que se dane a abstração!”, em tradução livre, mas que também pode ter um sentido duplo –, a artista suíça retrata uma pessoa de corpo franzino, sentada de joelhos e com as mãos amarradas nas costas sendo obrigada a fazer uma felação num adulto poderoso fisicamente, mas sem rosto. A pintura, certamente forte, estava exposta desde fevereiro no espaço de arte contemporânea parisiense. 

Os críticos afirmam que a vítima é uma criança, mas a autora Miriam Cahn nega esta interpretação, invocando a representação do estupro como arma de guerra e crime contra a humanidade.

Idoso não teria envolvimento com grupos ativistas

Na tarde de domingo (7), um homem de idade avançada lançou jatos de tinta roxa contra o quadro, “descontente com a representação sexual de uma criança e de um adulto”, segundo fontes próximas da investigação. Seguranças que estavam no local não puderam evitar o ataque, mas rapidamente detiveram o octagenário. Em seguida, ele foi encaminhado para uma delegacia próxima a fim de prestar depoimento. Ele permanece sob custódia e se vier a ser indiciado, pode ser condenado a até sete anos de prisão e € 100 mil de multa. 

A direção do Palais de Tokyo decidiu prestar queixa por danos materiais e “obstrução à liberdade de expressão”. Segundo elementos preliminares da investigação, o autor da pichação não teria relação com grupos ativistas. 

A controvérsia em torno do quadro começou há várias semanas. Quatro associações francesas de proteção dos direitos de menores – Juristas pela infância, A infância partilhada, Diante do incesto e Inocência em perigo – tentaram obter na Justiça a remoção da obra. As entidades alegaram que era “uma peça de pornografia infantil”. No entanto, em abril, o Tribunal Administrativo de Paris rejeitou os recursos. O Conselho de Estado – uma instância superior – confirmou, depois, essa decisão.

A ministra da Cultura, Rima Abdul Malak, esteve no Palais de Tokyo logo após o incidente. Ela denunciou a “instrumentalização” do caso pelo partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen. Em março, a ministra foi questionada no plenário do Assembleia Nacional pela deputada do RN Caroline Parmentier, que defendeu a exclusão do quadro. Na avaliação da ministra da Cultura, se não fosse “a polêmica suscitada pela extrema direita e os ataques [do partido] à liberdade de criação dos artistas, não teríamos certamente chegado a este ponto”.

O Palais de Tokyo informou que manterá o quadro em exposição mesmo com vestígios dos danos causados à tela até o final da mostra, em 14 de maio. A exposição da artista suíça Miriam Cahn já foi vista por 80.000 espectadores.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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