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Entenda a relação do menino sequestrado pela mãe com os pais e avós

today11 de junho de 2024 5

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O garoto foi tomado à força das mãos da avó paterna, no momento em que era levado à escola, em Santos (SP), no dia 23 de abril. A mulher agarrou o filho e o colocou dentro de um carro — o motorista e outro homem que a ajudaram na fuga foram indiciados pelo crime. A criança foi apresentada pela avó materna no Fórum da cidade e devolvida aos detentores da guarda na última sexta-feira (7).

As irmãs do pai do menino foram presas temporariamente após as investigações apontarem que elas ajudaram a mãe a sumir com o filho. Em depoimento à Polícia Civil, as mulheres, de 44 e 49 anos, afirmaram que o irmão não é um bom pai para o garoto e para as outras três filhas dele.

Eduardo Cassiano, de 50 anos, negou as acusações feitas pelas familiares e enviou vídeos do filho aproveitando o primeiro final de semana de volta em casa. “A Justiça se baseia em fatos e provas”, afirmou ele.



Mãe sumiu com o filho após ser filmada tirando-o das mãos da avó em Santos (SP) — Foto: Arquivo pessoal

A dentista e prima do pai da criança, Alline Leonhardi Cassiano, de 36 anos, contou à equipe de reportagem que concorda com as irmãs de Eduardo. Segundo ela, o menino costuma reclamar da agressividade do homem.

“O [garoto] pertence à nossa família e o amamos, porém, o lugar dele é com a mãe. [O menino] se queixa do pai e diz que ele é agressivo. A avó, sinceramente, não tem saúde física e nem mental para ter a guarda de uma criança”, afirmou Alline.

A contadora e tia de Eduardo, Renata Cassiano, de 52 anos, acrescentou que a avó paterna se submeteu à todos os cuidados e preocupações em relação ao neto.

“Ele pedir uma guarda provisória, onde a tutora é mãe dele, para todos nós da família, é no mínimo curioso. Se ele diz ser esse pai presente, preocupado e amoroso, por que não pediu a guarda [somente] para ele?”, questionou ela.

Menino sequestrado pela mãe em Santos (SP) foi devolvido ao pai e à avó paterna após 45 dias — Foto: Arquivo Pessoal

A avó materna do menino, Josefa Dalva Xavier dos Santos, ao entregar o neto à Justiça, afirmou que ele não queria ficar perto do pai e da avó paterna. “Chorou, gritou muito para mim. Não queria de jeito nenhum. Em nenhum momento ele chegou perto da avó [paterna] e do pai. Ele só chorava”, disse.

Na época que levou o filho à força, a mãe afirmou à equipe de reportagem que o garoto falava da avó paterna, mas já tinha “esquecido” do pai.

Eduardo chegou a dizer que, ao ser devolvido, o filho estava “arredio” por ter sido “alienado” pela mulher, sendo colocado contra ele e a avó paterna. Ao g1, ele ressaltou que o comportamento do menino já voltou ao normal.

O pai da criança afirmou que a mulher não cuida do filho e nem de uma filha de 16 anos. Por este motivo, ela teria deixado o menino para que fosse cuidado por ele. “Ela larga o filho para todo lado. Então, a explicação era que não ia cuidar dele, que não conseguia”, disse.

Quando sequestrou o filho, a mãe afirmou ao g1 que o menino havia ficado assustado em um primeiro momento porque não a tinha reconhecido. “Depois, ele ficou muito calmo e nem fala dele [pai]”, explicou ela.

O g1 obteve imagens com a advogada da família, Natália Bezan, que também representa a mulher, nas quais o menino diz não quererer ficar com o pai porque ele “é chato”. Na sequência, a criança afirma que gosta da avó paterna, mas que prefere ficar com a mãe.

Outro vídeo mostra a mulher levando o menino à escola, estando ele uniformizado, com lancheira e mochila. Nas imagens, é possível ver a criança parando em uma casa, pegando uma flor no jardim e entregando para a mãe.

Eduardo explicou à equipe de reportagem que a avó paterna cuida do menino de segunda a sexta-feira, enquanto ele fica com a criança apenas aos finais de semana. Essa dinâmica, segundo ele, acontece há três anos.

Eles obtiveram a guarda compartilhada provisória em 25 de janeiro após Eduardo entrar com a ação de regulamentação, com pedido de tutela antecipada, uma vez a mulher havia ameaçado levar o filho para Aracaju (SE).

A mãe só tem autorização da Justiça para vê-lo com supervisão. Ela, inclusive, alegou ter resolvido tomar o filho à força após ser proibida de visitá-lo pelo pai e pela avó paterna. Entretanto, Eduardo informou ao g1 que a mulher podia ver o filho quando quisesse.

A tia de Eduardo afirmou que a mulher que levou o filho era carinhosa e presente na rotina do garoto até o pai proibir que eles se encontrassem. “Esse direito lhe foi tirado, sem nenhuma explicação plausível”, disse Renata.

Embora seja uma decisão provisória, uma tutela de urgência, a juíza da 2ª Vara de Família e Sucessões de Santos, Suzana Pereira da Silva, entendeu que o garoto é feliz e está adaptado com a rotina familiar.

Imagens mostram ação de mãe que sumiu com o filho após tirá-lo das mãos da avó

Imagens mostram ação de mãe que sumiu com o filho após tirá-lo das mãos da avó

A delegada Deborah Lázaro, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, ressaltou a importância das prisões das tias paternas para que a criança fosse localizada e devolvida ao pai.

“O marido de uma das [tias] presas manteve contato com a indiciada [mãe] e ela resolveu mandar a criança para cá. Ele foi importante para convencê-la da devolução”, disse.

A delegada Natalia Santos Batista Marcelino, também da DDM de Santos, afirmou também que o caso ainda não está resolvido. “A localização da criança é um avanço às investigações, mas ainda está pendente o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido”, considerou.

“Acreditamos que ela não vá se entregar. A gente acredita que ela esteja se ocultando. […] Pretendemos relatar o inquérito policial e pedir a [conversão da] prisão temporária em preventiva caso ela não se apresente”, disse Natalia.

A Delegada Deborah Lázaro, da DDM de Santos, afirmou à equipe de reportagem que as duas mulheres, de 44 e 49 anos, foram presas pelos crimes de sequestro e cárcere privado após as investigações apontarem que elas ajudaram a mãe.

“Incentivaram essa mãe a arrebatar esse filho. […] arrumaram até uma pessoa [motorista indiciado] que a conduziu até São Paulo. Uma série de coisas que levaram a crer que elas tiveram uma participação ativa”, afirmou a delegada.

De acordo com Deborah, o pai do menino, Eduardo Cassiano, de 50 anos, tem outras filhas e as irmãs acreditam que ele não seria um bom pai para essas meninas. “Isso causou uma certa revolta nas irmãs”, disse a delegada.

De acordo com o boletim de ocorrência, as mulheres não quiseram prestar depoimento na delegacia. A Polícia Civil, então, cumpriu os mandados de prisão temporária [30 dias] e, em seguida, levou as irmãs à Cadeia Feminina de São Vicente (SP).

Tias de menino levado à força pela mãe são presas no litoral de SP — Foto: Yasmin Braga/TV Tribuna

Os homens que auxiliaram a fuga da mulher foram identificados como Erivan Francisco da Silva, de 41 anos, e Maxwell Vegner Martins Nunes, de 38.

A delegada Natalia Santos Batista Marcelino, que presidiu o inquérito policial, avaliou que ambos tinham conhecimento de que ela subtrairia o filho “de maneira escusa [evasiva] e violenta”.

De acordo com as investigações, Maxwell foi o motorista contratado para levar a mulher até o filho e, logo depois, à cidade de destino escolhida por ela. Erivan, por sua vez, aparece no vídeo de camiseta azul. Segundo o pai da criança, Eduardo Cassiano, esse seria um ex-cunhado da mãe do menino.

Entenda o passo a passo de como a mulher sequestrou o filho:

➡️Às 7h47, Erivan passou em uma moto pela rua do prédio onde o menino morava com a avó paterna.

➡️Erivan encostou a moto ao lado do carro para conversar com a mulher e Maxwell. Eles gesticularam e apontaram para a direção do prédio onde o menino sairia.

➡️Em seguida, o ex-cunhado estacionou a moto e voltou a pé. Ele abriu a porta de trás do carro e continuou a conversa com a mulher e o motorista. Depois, Erivan se afastou e ficou andando nas proximidades do veículo.

➡️Às 8h, a avó saiu com o menino para levá-lo a escola, sendo surpreendida pela mãe dele. A mulher, vestida de vermelho, saiu do carro, pegou o filho pelo braço e ele chegou a cair. Ela o arrastou e, depois, levantou-o no colo, seguindo até o veículo. “A criança se jogava e gritava: ‘Vovó, vovó'”, disse o pai.

➡️Assim que a mulher saiu do carro, Maxwell fechou a porta do passageiro e abriu a de trás para que a mãe conseguisse entrar com o filho.

➡️Quando a mulher retornava ao carro, Erivan se aproximou. Ele ficou entre ela e a avó do menino, impedindo que a idosa se aproximasse do neto.

➡️Depois, o motorista levou a mãe e o filho para cidade de destino escolhida por ela. Enquanto isso, Erivan ficou no local conversando com as testemunhas e com a própria idosa.

➡️A mulher não foi mais vista com a criança e é investigada pela Polícia Civil. Maxwell e Erivan foram indiciados por ajudá-la a subtrair o menor.

Pai teme pelo bem-estar do filho após mãe tirá-lo à força das mãos da avó em Santos (SP) — Foto: Arquivo pessoal e Reprodução

Mãe disse que não iria devolver

“Eu ia passar só o dia com ele e ia devolver de noite […]. Eu não vou mais devolver [o menino], ele é meu filho. Só [vou devolver] se a Justiça vier e tomar”, afirmou a mãe da criança.

Ela se recusou a dizer à equipe de reportagem onde estava com o filho, mas afirmou que o menino estava bem. “Ele ficou um pouco assustado porque não tinha visto que era eu. Depois, ele ficou muito calmo e nem fala dele [pai]. Ele fala de mim e da avó [paterna]”, disse ela.

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