G1 Mundo

Entenda como funciona o trabalho de repatriação de brasileiros em Gaza

today24 de outubro de 2023 12

Fundo
share close

O trabalho da Embaixada foi dividido em três etapas. A primeira visou salvar os brasileiros que estavam na zona de combate. Para tal, os brasileiros foram enviados para o sul de Gaza, em Rafah e Khan Younes.

Por exemplo, o brasileiro Hasan Rabee — que está em Khan Younes — é um dos que buscam a abertura da fronteira na região com o Egito para conseguir retornar ao Brasil.

Em entrevista à GloboNews, ele chegou a dizer que a região não tinha estrutura suficiente para receber as milhares de pessoas que estão se deslocando para o local (veja vídeo abaixo).



Vídeo mostra deslocamento de brasileiros da cidade de Gaza para Khan Younes

Vídeo mostra deslocamento de brasileiros da cidade de Gaza para Khan Younes

Ele mora em São Paulo com a família e estava há dez dias em Gaza para visitar familiares quando os ataques do Exército de Israel começaram — cerca de 25 brasileiros que estavam em Gaza chegaram a demonstrar interesse em sair da zona de conflito.

Oferta de alimento e comida

A segunda etapa visa “aliviar a catástrofe humanitária, enviando recursos para que eles (brasileiros) possam procurar alimentos, água”, disse o embaixador do Brasil na Palestina em vídeo.

Hasan Rabee chegou a dizer para a GloboNews que “desde o começo desses ataques e do conflito, a gente está sem água para tomar banho, se lavar, só temos água bem salgada para beber (…) Essa água, quem tá em prédio, no primeiro andar, segundo, terceiro, ela não sobe. E infelizmente não tem pressão, os tanques de água ficam vazios”.

Porém, há cerca de uma semana, ele contou que recebeu garrafas de água mineral e alimentos da Embaixada do Brasil na Palestina. “Recebemos comida, água, dá para bastantes dias. A gente estava louco para beber água boa”.

Funcionários da Embaixada contaram em vídeo que desde o começo do conflito estão em contato via grupo de WhatsApp com os brasileiros para saber quais são as necessidades deles — alimentar e de segurança, por exemplo – e entender como conseguem oferecer as ajudas de cada um.

Além disso, uma funcionária da Embaixada gravou um vídeo onde conta que através das informações passadas no WhatsApp conseguem saber onde estão os brasileiros e se supostamente se deslocaram para outra região.

“(Dessa forma), é informado ao governo israelense (a localidade dos brasileiros) para que não seja bombardeada (…) Temos a segurança que as casas onde estão os brasileiros não serão bombardeadas”, afirmou a funcionária.

Porém, isso não inibe que regiões próximas sejam bombardeadas. Na última sexta-feira (20), por exemplo, Hassan registrou em vídeo mais um ataque da janela de casa (veja abaixo).

Hassan registrou ataque da janela da casa onde está — Foto: JN

Já a terceira etapa consiste na repatriação dos brasileiros através da fronteira do sul de Gaza. Segundo o último balanço do governo, a Operação Voltando em Paz já trouxe ao país 1.413 passageiros. São 1.410 brasileiros, três bolivianas e 53 animais de estimação em oito voos comandados pela Força Aérea Brasileira.

A etapa mais recente da operação foi concluída na madrugada desta segunda-feira (23/10), quando a aeronave KC-30 (Airbus A330 200) pousou, às 4h da manhã, no Rio de Janeiro (RJ). As pessoas foram buscadas principalmente no aeroporto de Tel Aviv, cidade de Israel.

Outra saída para repatriar os brasileiros é via Egito, caso o país abra a fronteira — o que não aconteceu completamente, mas mantimentos, por exemplo, já foram enviados à região.

Em 14 de outubro, Egito e Israel chegaram a alcançar um acordo para abrir as fronteiras temporariamente, segundo um membro da comitiva egípcia. Os moradores de Khan Younes chegaram a se organizar para atravessar a região e sair da zona de conflito, mas nada foi feito.

Em 16 de outubro, quando supostamente abriria a fronteira, Hassan chegou a dizer à GloboNews que “minha esposa ficou o dia inteiro chorando e a gente estava com bastante esperança que a gente já estaria no Egito neste momento porque disseram que iam abrir a fronteira às 9h (3h no horário de Brasília, daquele dia). Ficamos preparados, prontos com as crianças, dissemos para elas que iríamos para casa, mas infelizmente até esse momento nada”.

Os funcionários da Embaixada estão divididos em duas equipes. A primeira fica em Jerusalém, onde estão os diplomatas e oficinais de chancelaria. Enquanto em Hamala, capital da Palestina, estão os funcionários que cuidam do operacional e oferta de suporte aos brasileiros.

Eles criaram um formulário virtual para falar as famílias das pessoas que estão na zona de conflito e conseguir informações para uma possível evacuação. Há ainda um telefone 24 horas da Embaixada para todos os cidadãos conseguirem tirar dúvidas.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

Esta notícia é de propriedade do autor (citado na fonte), publicada em caráter informativo. O artigo 46, inciso I, visando a propagação da informação, faculta a reprodução na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos.

Avalie

Post anterior

primeiro-turno-argentino:-massa-inflou,-e-milei-desidratou

G1 Mundo

Primeiro turno argentino: Massa inflou, e Milei desidratou

O cenário para o próximo round, no dia 19 de novembro, permanece incerto e vai depender de quem conseguir pescar mais eleitores nas águas turbulentas da coligação Juntos pela Mudança, o grande fracasso deste primeiro turno. Seis pontos atrás de Massa, o candidato de extrema direita praticamente se jogou nos braços da casta política, que ele diz abominar, num sinal de que não é tão libertário quanto se gaba: “Todos […]

today24 de outubro de 2023 4

Publicar comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.


0%