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Ex-namorada de homem espancado no litoral de SP relata brigas e diz que ele estava transtornado

today9 de maio de 2023 5

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O g1 teve acesso ao depoimento que a psicóloga deu às autoridades policiais. Ela esteve no 2º Distrito Policial (DP) de Guarujá, na quinta-feira (4), um dia após o linchamento de Osil. O irmão do homem linchado afirmou à corporação que Osil havia sido agredida anteriormente a mando dessa mulher, que é psicóloga e tem 43 anos.

A psicóloga contou à Polícia Civil que namorou com Osil entre junho de 2022 e 29 de abril de 2023. O relacionamento terminou no último sábado (29). Ela teria pedido que o namorado fosse embora da casa dela, porque não queria que ele dormisse lá naquela noite.

Osil saiu junto com o filho, de 9 anos, e “e teria afirmado que já como ela ‘não queria que ele dormisse lá, então estaria terminado o relacionamento”. A mulher disse que concordou, e o ex foi embora.



No dia seguinte, no domingo (30), ele teria retornado a casa dela para devolver a chave. Na ocasião, segundo a mulher, Osil teria dito que a partir daquele momento teria uma “vida nova, porque ele se mataria no dia seguinte, e que iria se jogar na [rodovia] Piaçaguera se os remédios não lhe matassem”, relatou a ex.

Osil Vicente Guedes, de 49 anos, que morreu linchado após ser vítima de uma acusação falsa sobre ter roubado uma moto em Guarujá — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ainda segundo a psicóloga, Osil foi para a casa dele e começou a enviar vídeos para ela. Nas imagens, ele aparecia tomando vários remédios. Ela afirmou que não conseguiu ver quais eram os medicamentos, mas viu que ele ‘colocava vários remédios no copo e tomava com coca-cola’.

Ele também teria pedido que a mulher fosse buscar o filho dele, depois que ele morresse. A mulher aconselhou que ele deixasse o filho com ela. Momentos depois, ela avisou o irmão de Osil sobre o ocorrido. O tio do menino foi buscá-lo e o levou para casa. A psicóloga acrescentou que o ex não fez mais contato durante a noite de domingo e nem na segunda-feira (1).

Na terça-feira (2), um dia antes de Osil ser linchado, a psicóloga contou que estava em atendimento no consultório quando ele chegou. Ela pediu que ele fosse embora. Não houve discussão, segundo ela. Porém, Osil teria retornado durante a noite.

“Ele chegou transtornado. Pulou o muro e entrou na casa. Começou a bater na porta gritando. […] Ele ficou transtornado e começou a quebrar coisas”, declarou.

Neste momento, ela teria chamado a Polícia Militar (PM). Segundo ela, os policiais foram até a casa e ela os atendeu do lado de dentro da residência. Quando os agentes foram embora, ela fechou a porta e foi dormir. Ela acrescentou que, mesmo assim, Osil voltou, mas ela não sabe o que houve, porque já tinha fechado a porta.

A psicóloga finalizou o depoimento afirmando que, na quarta-feira (3), dia do espancamento, Osil não telefonou para ela e não foi na casa dela. Ela soube que algo tinha acontecido com Osil porque uma sobrinha dele comentou com ela. Porém, a mulher teria respondido para a sobrinha que ‘não queria saber de nada da vida de Osil’. Ela disse que ficou sabendo que Osil foi agredido na rua somente no dia 4.

Em depoimento no 2º DP de Guarujá, o irmão de Osil, que não quis ser identificado, afirmou que teve acesso a uma mensagem de voz de Osil falando que ele teve uma briga com a mulher. Ela relatou que um dia antes de ser espancado, Osil havia ‘tomado uma surra’ a mando dela, o que teria motivado a última briga do casal.

Homem é espancado e fica desacordado após tentativa de roubo em Guarujá — Foto: g1 Santos

Em entrevista à reportagem, nesta terça-feira (9), durante o velório de Osil, o irmão dele comentou novamente sobre o caso. Segundo ele, na primeira vez que teriam batido em Osil, a violência também aconteceu na Rua Tambaú, próximo a casa da ex-namorada.

“Ele tinha mandado áudios para a família falando que a ex-namorada tinha chamado traficantes para bater nele. Antes de ser agredido [na quinta-feira (30)] ele foi até a casa da mulher, bateram nele e quebram a moto dele”, descreveu.

O irmão também falou que conversou com Osil momentos antes do linchamento. “Ele [Osil] estava arrasado e decepcionado. Ele tinha depressão e vivia transtornado, inclusive, essa mulher é psicóloga e estava tratando ele. O tratamento acabou nisso aí. A família quer Justiça, e que seja feita a investigação para saber a verdade”, desabafou.

A vítima foi linchada por um grupo de pessoas entre a Rua Tambaú e a Avenida Oswaldo Cruz, em Vicente de Carvalho, em Guarujá, na tarde do dia 3 de maio. Testemunhas relataram à PM que gritos de “pega ladrão” foram direcionados a Osil. Um motorista flagrou o momento das agressões (veja o vídeo abaixo).

Homem é agredido por moradores e fica desacordado em Guarujá

Homem é agredido por moradores e fica desacordado em Guarujá

O dono da moto informou à Polícia Militar ter emprestado o veículo para Osil antes das agressões acontecerem. Segundo o homem, ele era uma pessoa “trabalhadora” e que “não se metia em confusão”.

Osil sofreu um traumatismo craniano por conta das agressões. O Hospital Santo Amaro (HSA) informou que o paciente teve uma morte encefálica [parada de todas as funções do cérebro] no dia 6 de maio e a morte foi confirmada no dia seguinte.

O corpo de Osil foi velado na manhã de terça-feira (9), no Cemitério da Consolação, em Guarujá. A cerimônia começou por volta das 8h, com a presença de amigos e familiares. O enterro aconteceu às 10h30, no mesmo local.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o caso inicialmente foi registrado como “lesão corporal” no 2º Distrito Policial (DP) de Guarujá, porém, acabou modificado para “homicídio” após a morte de Osil.

Corpo de Osil Vicente Guedes é velado no Cemitério da Consolação, em Guarujá — Foto: g1 Santos

Ele não teve a identidade divulgada e, conforme apurado, foi reconhecido pela Polícia Civil com base nos vídeos em que a vítima aparece sendo linchada. Ele foi liberado por não ter tido flagrante.

Osil Vicente Guedes não tinha antecedentes criminais, era dono de uma empresa de reciclagem no bairro Vila Áurea, no distrito de Vicente de Carvalho. A companhia fica a aproximadamente um quilômetro do local onde ele foi linchado. Ele deixou três filhos.

Veja quem era o homem linchado por conta de fake news no litoral de SP

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