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Governança: Especialistas apontam avanços e desafios na nova era empresarial

today14 de dezembro de 2023

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Antigamente, a governança era muitas vezes associada estritamente aos processos internos das organizações, principalmente no que se refere à gestão e prestação de contas.

No entanto, os especialistas agora reconhecem a importância de uma governança mais abrangente, que considere não apenas as questões internas, mas também as implicações sociais, ambientais e éticas das decisões organizacionais.

A professora de ESG do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), Viviane Elias Moreira, enfatizou na última quarta-feira (29), durante o último painel da Agenda ESG, do Grupo Tribuna, que a governança é o objetivo central das empresas, e quando implementada de forma eficaz, ela serve como base para iniciativas ESG, estabelecendo diretrizes e regras claras para condutas e posturas empresariais.



A governança como base para iniciativas ESG não apenas atende às crescentes expectativas dos investidores e consumidores, mas também fortalece a resiliência das empresas diante de desafios econômicos e sociais.

A implementação eficaz desses princípios não é apenas uma estratégia de compliance (estar em conformidade com determinadas as leis, normas e regras), mas uma expressão do compromisso de longo prazo das organizações com a criação de valor sustentável e impacto positivo.

A profissional destaca os cinco preceitos básicos da governança corporativa: transparência, integridade, responsabilização, equidade e sustentabilidade.

“Temos uma mudança cultural, para que os princípios de governança corporativa sejam implementados com maior efetividade. Mas essa construção é diferente de outras do capitalismo, porque é de baixo para cima”, explica, lembrando que as práticas destes conceitos ainda estão em fase de adaptação.

Viviane Elias Moreira, durante Agenda ESG — Foto: Vanessa Rodrigues/AT

A presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Flávia Lepique, ressaltou a importância de uma linguagem acessível para garantir que todos compreendam as regras de governança, destacando a necessidade de abandonar termos técnicos e jurídicos complexos.

A governança, por sua natureza, pode ser repleta de jargões, termos legais e conceitos técnicos, o que pode tornar difícil para muitas pessoas, incluindo colaboradores, investidores e até mesmo partes interessadas externas, entenderem plenamente seu significado e importância.

Essa barreira linguística pode criar lacunas de conhecimento e entendimento, minando a transparência e a eficácia das práticas de governança.

“Não é boa uma linguagem que meia dúzia de pessoas entende. Há diferença de cultura. As pessoas precisam entender claramente o que é assédio, que não pode ser aceito, mesmo se feito por um diretor, por exemplo”, salienta Flávia.

Flávia Lepique, na sede do Grupo Tribuna — Foto: Vanessa Rodrigues/AT

A diretora de Compliance e Investigações do Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac), Maria Cecília Andrade, ampliou o conceito de compliance, observando a necessidade de compreender a cadeia de fornecedores em sua totalidade.

A evolução do conceito de compliance nas empresas tem refletido uma compreensão mais abrangente e holística das responsabilidades corporativas.

À medida que as organizações buscam não apenas atender normas e regulamentações, mas também adotar práticas éticas e sustentáveis, a necessidade de compreender a cadeia de fornecedores em sua totalidade ganhou destaque.

Compreender a cadeia de fornecedores em sua totalidade implica não apenas observar as práticas comerciais e de produção, mas também considerar os impactos ambientais e sociais ao longo de toda a extensão dessa cadeia.

Empresas éticas e socialmente responsáveis agora reconhecem que a integridade de suas operações está intrinsecamente ligada às práticas de seus parceiros de negócios.

“Temos que entender o que está acontecendo na cadeia de fornecedores. Virou uma cesta muito grande, com várias frentes de atuação”.

Especialistas debateram sobre compliance na prática — Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Governança e propósitos sociais

Maria Cristina Gontijo, sócia da Lawand Gontijo Advogados, destacou a importância de governança com propósitos claros no mundo corporativo atual, ressaltando uma mudança de visão na sociedade em relação aos princípios de governança. De acordo com ela, nos dias de hoje, ‘há uma nova visão de mundo’.

Essa visão reflete uma compreensão mais profunda de que as empresas não são entidades isoladas, mas partes integrantes de comunidades e ecossistemas mais amplos.

As organizações são agora percebidas como agentes de mudança que podem ter um impacto positivo não apenas em seus acionistas, mas também em funcionários, clientes, fornecedores e na sociedade como um todo.

Maria Cristina Gontijo, sócia da Lawand Gontijo Advogados — Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Cláudio Bastos, Superintendente de Governança, Riscos e Compliance da Autoridade Portuária de Santos (APS), enfatizou os avanços nos mecanismos de controle, especialmente no caso de empresas públicas, reduzindo a margem para irregularidades.

Isso tem como objetivo primordial reduzir a margem para irregularidades, fortalecendo a transparência, a responsabilidade e a integridade nas práticas corporativas.

“A boa notícia é que a sociedade civil evoluiu, assim como a administração pública, especialmente após a Lei das Estatais. Cada vez mais, os controles estão difíceis de ser burlados, com evolução em tecnologia”, pondera.

Luciana Mendonça, diretora de Riscos e Compliance da EcoRodovias, sublinhou que uma estrutura sólida de controles internos facilita a identificação de erros e fraudes, e afirmou que ‘todos nós somos donos do controle’.

O encontro marcou o terceiro evento da Agenda ESG em 2023 e encerrou a jornada de conhecimento e disseminação de informações sobre boas práticas.

Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, mediadora dos encontros, afirma que a Agenda ESG é um espaço que torna o ciclo de fóruns menos acadêmico e mais tangível, e que espalha o conteúdo ESG para todos os tipos de profissionais.

“Como segunda edição do evento, penso que estamos conseguindo ampliar o conhecimento do público local, especialmente de médios e pequenos empresários, sobre ESG e, mais que isso, fazê-los entender que esse movimento não é passageiro e que, portanto, deve estar no radar de todos”.

O economista e presidente da GO Associados, Gesner Oliveira, que também conduziu os debates, considerou o ciclo de 2023 da Agenda ESG extremamente rico, abordando questões cruciais nos três pilares: ambiental, social e de governança (ESG).

Oliveira ressaltou a importância de abordar desafios como mudança climática, iniquidade social e a necessidade de sistemas de decisão que minimizem conflitos de interesse.

“Vimos que é importante ter um sistema de decisões que elimine, ou minimize, pelo menos, conflitos de interesse”, pondera.




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

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