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Irã x EUA: entenda por que confronto na Copa vai muito além do futebol

today29 de novembro de 2022 14

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O pano de fundo deste confronto esportivo de alta tensão no estádio Al Thumama, em Doha, são as décadas de inimizade política entre os dois governos, que romperam relações diplomáticas após a Revolução Islâmica no Irã em 1979.

Os Estados Unidos, terceiro do Grupo B com 2 pontos, precisam da vitória para avançar às oitavas de final. Para o Irã, segundo do grupo com 3 pontos, pode bastar um empate, dependendo do resultado da partida entre Inglaterra e País de Gales.

Veja abaixo 3 pontos para entender a rivalidade extra-campo entre Irã e Estados Unidos:



Bandeira do Irã é vista em frente ao prédio do Ministério de Relações Exteriores em Teerã em novembro de 2009 — Foto: REUTERS/Morteza Nikoubazl

O técnico americano Gregg Berhalter se esforçou para dissipar qualquer conotação não futebolística do jogo contra o Irã.

“A partida será muito disputada pelo fato de que as duas equipes querem passar à fase seguinte, não por questões políticas ou de relações entre os nossos países”, declarou Berhalter.

A mensagem de Berhalter, porém, foi atropelada pela própria federação de futebol dos Estados Unidos, que causou grande polêmica ao postar uma versão modificada da bandeira nacional iraniana em suas redes sociais.

A postagem, que posteriormente foi removida, irritou a federação do Irã, que apresentou uma queixa formal à FIFA.

3) O precedente de 1998: o ‘jogo da paz’

Partida entre EUA e Irã em 1998 foi chamada de ‘jogo da paz’ — Foto: AFP/Pascal George

Irã e Estados Unidos já viveram um duelo memorável na Copa do Mundo na França, em 1998, com uma vitória por 2 a 1 para os iranianos no Stade Gerland, em Lyon.

Considerado como um momento de destaque daquele Mundial desde o sorteio dos grupos e batizado como “Jogo da Paz”, o confronto aconteceu um ano depois da eleição de Mohammad Khatami como presidente do Irã, que marcou um período de reaproximação entre o Irã e o Ocidente.

Antes do jogo, o então presidente dos EUA, Bill Clinton, disse que esperava “dar um novo passo para o fim da hostilidade” entre ambas as nações, que se tornaram inimigas após a Revolução Islâmica de 1979 (leia mais abaixo) e, principalmente, depois da tomada de reféns na Embaixada americana em Teerã (1979-1981).

No momento da entrada das equipes em campo, o protocolo era rígido e ambas as seleções posaram juntas para fazer uma foto histórica. Os iranianos, classificados pela segunda vez em sua história para disputar um Mundial desde 1978, inclusive ofereceram um ramo de flores brancas a cada jogador dos EUA.

No entanto, o ambiente continuou tenso nas arquibancadas, onde estavam vários simpatizantes da Organização dos Mujahidin do Povo Iraniano (OMPI), um movimento em exílio proibido no Irã.

Um deles entrou no campo antes do início da partida com uma camisa com uma imagem de Maryam Radjavi, líder da organização, antes de ser retirado pela segurança.

O jogo, o segundo das equipes naquela Copa do Mundo, foi pegado, mas sem violência. Ao final, o Irã venceu e milhares de iranianos foram às ruas de Teerã para cantar e dançar até o amanhecer. Mas a vitória não foi suficiente para levar a equipe às oitavas de final, já que foi eliminada na fase de grupos depois de perder para a Alemanha por 2 a 0.

Do ponto de vista diplomático, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Rajes Rubin, ressaltou “um começo” para “construir laços, derrubar os muros da desconfiança e criar uma melhor compreensão”.

“Fizemos mais em 90 minutos do que os políticos em 20 anos”, afirmou na época o zagueiro americano Jeff Agoos.

Manifestantes carregam cartaz com foto do aiatolá Khomeini, em outubro de 1978 — Foto: AP Photo, File

A chama Operação Ajax, nome que recebeu a intervenção estrangeira que possibilitou um golpe de estado em 1953 no Irã, foi orquestrada pela CIA, a agência de inteligência dos EUA, e apoiada pelo governo britânico, conforme mostram documentos oficiais.

O golpe derrubou o primeiro governante iraniano eleito de forma democrática, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, e restaurou a monarquia no país, botando no poder o xá Mohamed Reza Pahlevi, que era aliado dos EUA.

O apoio dos Estados Unidos à monarquia autoritária alimentou um sentimento antiamericano que depois ajudou a impulsionar a Revolução Islâmica de 1979.

Os americanos se aliaram ao Reino Unido na organização do golpe contra Mossadeq. O objetivo dos britânicos era recuperar os lucrativos negócios de petróleo que tinham no Irã e foram perdidos com o governo nacionalista iraniano.

O golpe impulsionou uma onda de nacionalismo no Irã que culminou com a Revolução Islâmica de 1979, em que os EUA se tornaram declaradamente inimigos de Teerã.

Homem passa em frente a um mural pintado na parede da ex-embaixada dos Estados Unidos em Teerã, no Irã, em janeiro de 2020. — Foto: Atta Kenare/AFP

Após a realização de um referendo, foi criada a República Islâmica do Irã.

As relações com os Estados Unidos se deterioraram de forma definitiva com a tomada da embaixada americana em Teerã. Em novembro de 1979, manifestantes fizeram reféns diplomatas e outros cidadãos dos EUA que estavam dentro do edifício. O cerco à embaixada durou mais de um ano — 444 dias.

Seis americanos conseguiram fugir da embaixada se passando por uma equipe de cinema, como representado no filme “Argo”, estrelado por Ben Affleck.

Os 52 reféns restantes foram libertados só em janeiro de 1981. Em abril de 1980, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irã. Elas permanecem rompidas até hoje.

Foi após esse episódio que se iniciou o longo histórico de sanções dos EUA contra os iranianos, que também perdura até hoje.




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Por: G1

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