A Cisjordânia é uma região que foi ocupada pelos israelenses em 1948, mas os palestinos reivindicam o território como sendo deles.
Os Estados Unidos têm pressionado Israel a interromper a expansão dos assentamentos, que o governo americano vê como um obstáculo à paz com os palestinos. Nesta mesma segunda-feira, os EUA anunciaram que vão deixar de financiar pesquisas em universidades israelenses na Cisjordânia (veja mais abaixo).
Os planos para a aprovação das unidades habitacionais em várias áreas da Cisjordânia foram aprovados pelo Conselho Supremo de Planejamento de Israel. Aprovações definitivas foram dadas a 818 unidades, enquanto as demais estavam em vários estágios de aprovação. A liderança dos colonos judeus elogiou a decisão.
“Agradeço ao governo israelense pelo desenvolvimento contínuo dos assentamentos israelenses”, disse o chefe do Conselho Regional de Gush Etzion na Cisjordânia e presidente do Conselho Yesha, Shlomo Ne’man. “Especialmente nestes dias difíceis, esta é a resposta sionista mais apropriada para todos aqueles que procuram nos destruir.”
O que os palestinos e os israelenses argumentam
A maioria dos países considera os assentamentos, construídos em terras capturadas por Israel na guerra de 1967 no Oriente Médio, como ilegais. Sua presença é uma das questões fundamentais no conflito entre israelenses e palestinos.
Os palestinos buscam estabelecer um Estado independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como sua capital. Colonos israelenses citam conexões históricas judaicas com a terra. As negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos estão suspensas desde 2014.
Governo de Israel aprovou mais de 7.000 novas unidades
Desde que assumiu o cargo em janeiro, a coalizão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aprovou a promoção de mais de 7.000 novas unidades habitacionais, a maioria localizada na Cisjordânia.
“O governo israelense está nos pressionando em um ritmo sem precedentes em direção à anexação total da Cisjordânia”, disse o órgão observador de assentamentos Peace Now em um comunicado.
EUA deixam de financiar pesquisa
Os EUA informaram que deixarão de financiar a pesquisa científica em instituições acadêmicas israelenses na Cisjordânia ocupada.
A decisão do governo do presidente Joe Biden reverte uma medida tomada durante o mandato de seu antecessor, o republicano Donald Trump, que questionava o consenso internacional de que Israel ocupa ilegalmente a Cisjordânia desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.
Um novo roteiro para as agências governamentais americanas assinala que, “participar na cooperação científica e tecnológica bilateral com Israel em áreas geográficas que ficaram sob a administração de Israel depois de 1967 e que continuam sendo objeto de negociações sobre o status final, é contraditório com a política externa dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller.
Segundo ele, esta restrição “reflete a posição americana de décadas”. Mas acrescentou que os Estados Unidos “valorizam muito a cooperação científica e tecnológica com Israel”.
Entre os centros que serão afetados pela medida está a Universidade Ariel, uma importante instituição acadêmica fundada em 1982.
EUA também afirmaram estar preocupados
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, também disse que o país está ‘profundamente preocupado’ com a medida”. Segundo ele, as autoridades dos EUA deixaram claro para Israel, tanto publicamente como em particular, que são contrários às ações que os israelenses promovem na Cisjordânia.
“Acreditamos que os assentamentos são um obstáculo para uma solução negociada de dois estados”, disse Miller.
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