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Jovens, ricos e racistas: vídeo gera indignação na Alemanha

today25 de maio de 2024 7

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Os jovens vestem roupas de marcas caras. Eles cantam e dançam aos gritos de “Alemanha para os alemães” – slogan da era nazista – e “fora, estrangeiros”. Ao menos um deles parece fazer a saudação nazista, enquanto coloca dois dedos entre o lábio superior e o nariz, imitando o bigode de Adolf Hitler.

‘Todos são bem-vindos aqui’

Nesta quinta-feira (23), os responsáveis pela discoteca Pony na cidade de Kampen em Sylt, balneário queridinho da high society alemã, condenaram o vídeo e reconheceram que a gravação foi feita no local. “Estamos profundamente chocados”, afirmou Tim Becker, gerente do Pony, em postagem no Instagram.



“Todos os clientes são bem-vindos aqui, não importa sua etnia. Temos orgulho da diversidade. Se tivéssemos tomado conhecimento desse incidente, teríamos, obviamente, expulsado os envolvidos. Não há lugar para o racismo”, afirmou.

“Vamos denunciar esse comportamento abominável e usar todas as opções dentro da lei”, assegurou. Mais tarde, ele prometeu proibir os jovens de frequentarem o bar. “A todos os que se veem cantando nesse vídeo: Vocês estão banidos!”

A polícia da cidade de Flensburg, na fronteira entre Alemanha e Dinamarca, que tem jurisdição sobre a ilha de Sylt, tomou conhecimento do vídeo – gravado há cerca de uma semana – na noite de quinta-feira.

Arne Hennig, porta-voz da polícia de Flensburg, disse à DW que “os crimes praticados são incitação ao ódio e utilização de símbolos de organizações anticonstitucionais”, em referência à pessoa que é vista na gravação com o braço direito erguido em uma aparente saudação nazista. “As investigações já estão a todo vapor.”

‘Repugnante’, diz Olaf Scholz

Nesta sexta-feira, a notícia do vídeo chegou a Berlim e gerou uma onda de indignação que atingiu os altos escalões do governo federal. “Esse slogans são repugnantes”, disse o chanceler federal, Olaf Scholz, a jornalistas. “São inaceitáveis”, afirmou garantindo que não haverá omissão sobre o caso.

A ministra alemã do Interior, Nancy Faeser, disse que “qualquer pessoa utilize lemas nazistas como ‘Alemanha para os alemães; fora, estrangeiros’ envergonha a Alemanha.” Em entrevista ao grupo de mídia Funke, ela questionou se “lidamos com pessoas que vivem em uma sociedade paralela negligenciada pela riqueza [quando jovens crescem sem imposição de limites devido à riqueza familiar] que pisoteiam os valores de nossa Constituição”.

Bijan Djir-Sarai, secretário-geral do Partido Liberal Democrático (FDP) – que integra a coalizão de governo ao lado do Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz e Faeser e dos Verdes – afirmou ser “chocante ver algo desse tipo”, particularmente em meio à atual discussão sobre a necessidade de reforçar a proteção da democracia na Alemanha.

“Há muita coisa errada em nosso país quando slogas da extrema direita e mesmo atos criminosos como a saudação a Hitler (sic!) viram ‘cultura pop'”, afirmou Johannes Wagner, deputado pelos Verdes.

Xenofobia nas classes mais altas?

A comoção é grande também em razão dos bares e casas noturnas de Sylt serem pontos de encontros dos ricos desde os anos 1960. Vários empresários, políticos, estrelas de cinema e da televisão possuem casas na ilha.

Os jovens que aparecem no vídeo vêm de famílias abastadas. Poderia isso significar que as classes mais altas também têm problemas envolvendo atitudes xenófobas e da extrema direita?

Esse é um questionamento feito por alguns políticos do estado de Schleswig-Holstein ao comentarem o vídeo. A secretária da Educação, Karin Prien, também falou em um sinal de uma “negligência da riqueza”.

A secretária da Integração, Aminata Touré, também condenou a atitude dos jovens. “Isso não é uma ‘pegadinha’ boba e infantil, mas sim o pior tipo de slogan nazista por parte de pessoas adultas um palco aberto. Abominável e repugnante. Eles devem estar com vergonha de si mesmos. As investigações criminais devem prosseguir já.”

O gerente do Pony teme que o incidente possa trazer consequências à casa noturna e à ilha como um todo. Becker diz que os clientes serão motivados a relatarem atos racistas aos seguranças. Ele conta que os moradores de Sylt estão abalados. “Todos estão tristes com o que ocorreu”.

Segundo diz, as cinco pessoas envolvidas não serão apenas banidas de seu estabelecimento pelo resto de suas vidas. “Eles nem devem mais aparecer em Sylt. Temos muitos amigos na gastronomia local.”




Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Mundo.

Por: G1

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