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Mãe volta à faculdade para acompanhar filho autista: ‘ver ele formado é minha meta’

today12 de maio de 2024

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Para realizar um sonho e ajudar o filho com autismo, uma moradora de Itanhaém, no litoral de São Paulo, decidiu voltar para a faculdade aos 40 anos. Ao g1, Camila da Cunha Palmieri contou que interrompeu o curso quando engravidou de Cauê Palmieri Peruzzo. Vinte anos depois, ela retornou à universidade para estudar ao lado do filho.

O objetivo é auxiliá-lo ao mesmo tempo em que realiza o sonho de conquistar o diploma do Ensino Superior. “Hoje estou indo para ele ir, mas eu acredito que ele esteja me ajudando mais do que eu estou o ajudando, disse Camila, que interrompeu a faculdade de Publicidade e Propaganda na juventude.

Ela contou à equipe de reportagem que a desistência do curso aconteceu há nove anos, já nos últimos semestres. A funcionária pública disse, ainda, que tentou fazer uma faculdade à distância (EAD), mas que não se adaptou. O filho abriu nova oportunidade para ela conquistar o diploma.



“Eu estava me sentindo frustrada já tem uns anos. Tentei fazer on-line, mas eu gosto mesmo é de estar com pessoas, trocar informações. O on-line não me prende”, disse ela.

Camila contou que o filho fazia faculdade EAD, mas não gostava e, no final de 2023, foi diagnosticado com autismo nível 1 depressão. Foi quando resolveu voltar a estudar presencialmente para acompanhar Cauê. O curso, novamente Publicidade e Propaganda.

“Falavam que o presencial não era para ele, então estou tentando algo que falaram que não daria certo e isso é o que vai me impulsionar para não desistir novamente porque ele precisa de mim perto”, afirmou.

A família fez o vestibular da Universidade Paulista (Unip) de Santos e se matriculou. “O tema [da redação] parecia que era para mim, algo do tipo ‘convença alguém a voltar aos estudos’. Eu até ri”, relembrou a funcionária pública.

Mãe e filho moram em Itanhaém e viajam até Santos para faculdade — Foto: Arquivo Pessoal

Camila acredita que a boa recepção que teve de outros colegas foi essencial no início das aulas. “Respeitam e me ajudam”, afirmou a agora universitária. Ela acredita que os estudantes lhe auxiliam a entender a hora de ser colega de Cauê na sala de aula ao invés de mãe superprotetora.

A família mora em Itanhaém e pega ônibus fretado para Santos de segunda a quarta-feira. “Ver ele formado é minha meta e automaticamente estarei ao lado”, afirmou a mulher, que tem outros dois filhos, de 16 e 6 anos.

Camila afirmou que colegas de turma foram essenciais para integração na faculdade — Foto: Arquivo Pessoal

Além de melhorar os estudos, a rotina na faculdade com o filho ajudou na relação familiar deles. “Ele mal falava comigo e hoje estamos no mesmo grupo de trabalho porque ele só sente seguro comigo. O prazer maior de tudo isso é esse”, finalizou Camila.

Ao g1, Cauê revelou que no início tinha dúvidas se a faculdade presencial seria uma boa opção, mas se surpreendeu positivamente. “Estava ansioso, mas também tinha dúvidas se eu realmente estava interessado ou só estava cego pela esperança de ensino presencial ser melhor que EAD”, afirmou.

Para ele, estudar com a mãe é uma motivação. “Me deixa tranquilo de certa forma por eu ser alguém com uma baixa autoestima e ter insegurança de sair sozinho para lugares tão longe de casa, como Santos”, disse.

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Todos os créditos desta notícia pertecem a G1 Santos.

Por: G1

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