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Mais de 800 são presos na França após morte de adolescente filho de imigrantes africanos; Marselha proíbe protestos

today30 de junho de 2023 9

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Ao longo da madrugada, manifestantes entraram em confronto com a polícia em várias cidades: lojas e bancos foram destruídos ou incendiados e ônibus foram virados. Para conter os franceses, o governo mobilizou 40 mil agentes em todo o país.

Além de Paris, cidades como Lyon, Lille e Tolouse, entre outras, registraram protestos violentos. Porém, como medida de contenção, as autoridades locais da segunda maior cidade da França, Marselha, por exemplo, proibiram manifestações nesta sexta-feira. Todos os transportes públicos da região vão parar de funcionar às 19h (horário local) – os manifestantes costumam ir às ruas de noite.

A violência começou na última terça-feira (27), nos arredores de Paris, e se estendeu a outras partes da França, depois da morte de Nahel, de 17 anos. O adolescente foi atingido por um disparo à queima-roupa efetuado por um agente durante uma blitz, registrado em vídeo (veja abaixo).



Policial atira em jovem de 17 anos durante abordagem

Policial atira em jovem de 17 anos durante abordagem

Em um relatório interno, as instituições de segurança francesa previam “uma generalização da violência nas próximas noites”, com “ações voltadas contra as forças da ordem e os símbolos do Estado”, disse uma fonte policial.

“Não culpo a polícia, culpo uma pessoa: a que tirou a vida de meu filho”, disse ao canal France 5 Mounia, mãe de Nahel, em sua primeira entrevista desde o ocorrido. Segundo ela, o agente “viu um rosto árabe, um pequeno rapaz, e quis tirar sua vida”.

Saques no centro de Paris

Ao cair da noite, a violência emergiu com mais força:

  • Em Paris, lojas no centro comercial Halles e na rua Rivoli, que leva ao Museu do Louvre, foram “vandalizadas, saqueadas ou incendiadas”, segundo a polícia.
  • Em Pau, no sudoeste, manifestantes atiraram um coquetel molotov contra uma delegacia, informou a prefeitura.
  • Em Lille, no norte, uma repartição distrital foi incendiada, e outra, apedrejada, segundo a prefeitura.

Na noite anterior, delegacias, prefeituras, escolas e carros foram incendiados em várias cidades, com um balanço de 180 detidos e 170 membros das forças de segurança feridos.

O presidente Emmanuel Macron criticou os episódios de violência, e sua primeira-ministra, Élisabeth Borne, fez um apelo para “evitar uma escalada”.

A fuga do jovem, que não tinha idade para dirigir, terminou poucos metros à frente, quando o carro bateu contra um poste. Ele morreu pouco depois pelo disparo no tórax.

Na quinta-feira (29), a Justiça decretou a prisão preventiva por homicídio doloso do policial de 38 anos suspeito de ter atirado no adolescente, segundo o Ministério Público, que considerou que o uso de sua arma não foi legalmente justificável.

Seu advogado disse que o agente pediu perdão à família e que estava “extremamente comovido” com a violência do vídeo veiculado com o ocorrido. “As primeiras palavras que ele pronunciou eram para pedir perdão, e as últimas, para pedir perdão à família”, disse Laurent-Franck Liénard ao canal BFMTV.

“Ele está destruído. Não acorda de manhã para matar gente. Não quis matar”, acrescentou.

Bombeiros trabalham em meio a carros incendiados durante confrontos entre manifestantes e policiais, em Paris, na França — Foto: Stephanie Lecocq/Reuters

O drama gerou indignação generalizada, do presidente Macron ao jogador de futebol Kylian Mbappé, especialmente no momento em que a violência policial é um tema recorrente na França, onde 13 pessoas morreram em situações similares à de Nahel em 2022.

“Sempre os mesmos são atacados, os negros e os árabes, os bairros pobres. Matam um menino de 17 anos assim, sem motivo. Esta morte nos causa muito ódio”, declarou à AFP Ayoub, de 16 anos, vestido de preto, durante a marcha em Nanterre.

Na memória coletiva dos franceses ainda estão os tumultos que explodiram em 2005 nas periferias das grandes cidades, depois que dois adolescentes morreram eletrocutados quando fugiam da polícia em Clichy-sous-Bois, nordeste da capital.




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Por: G1

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